terça-feira, 9 de abril de 2019


Sem me aperceber que estou a fazer isso, vou entregando pequenos pedaços da minha verdade e sei que só acontece depois de o verbalizar em voz alta, aí, no meu sítio seguro. Onde não há nada proibido. Onde tudo é possível de ser sentido e explicado. Onde podemos assumir que os pequenos passos, para os olhos de todos os que estão fora daquelas paredes, são para nós (mim) vitórias passíveis de celebração. Que o que levo comigo seja, também, a capacidade de ver sem receio disso, as minhas mudanças. 
Já tantas vezes assumi que não há verdade maior do que este caminho que estou a construir, estes pés na terra, este contacto com o meu eu que deixei perdido algures no tempo... Estou a ganhar confiança e consistência. É um caminho com muitos tropeços, com muitas mazelas e com uma dor profunda que já estranho quando acalma. Mas é o meu caminho e só consigo sentir orgulho (e dor) quando deito a cabeça na almofada no final de mais um dia onde senti que dei mais de mim ao outro. O medo inqualificável de que me vão deixar cair, de que me vão magoar, de que não posso confiar, começa a esbater-se porque me ensina semana após semana, que é possível confiar em alguém de olhos fechados. E o quanto eu procurei o que temos vindo a construir... Nunca lhe disse - talvez um dia lhe diga - que durante vários anos o meu escape foi aproximar-me de professores. Falar com eles sobre a (minha) vida. Houve os que deixaram marcas intensas em mim de tal forma que ainda sei quem são, onde estão. E sei que guardam pedaços de mim. Naquela altura, e sei-o agora,  tentava fazer o que faço hoje, com a psicoterapia. É estranho como nós arranjamos sempre forma de ter o que precisamos... De uma forma ou de outra. A nossa mente é um lugar complexo mas arranja sempre forma de se curar.
Há muita coisa que preciso de desbloquear sobre esta semana. Há um medo profundo de não conseguir fazê-lo e de ficar em falta para comigo própria... Voltar a afastar-me dos que estão à minha volta e que não têm culpa nenhuma de nada. Mas acho que se há frase que resume tudo o que se passou ontem é "Sai sempre daqui remexida? (aceno) Eu sei, é como se estivesse a tocar em carne viva.", pode ter havido uma continuação deste trecho, e houve, mas resume tão bem o que estou a tentar abafar que nem mais capacidade tenho de escrever depois disto.