Até aqui, e mesmo precisamente há uma semana (e um dia), a data do meu pesadelo não estava marcada - talvez porque eu nunca quis acreditar completamente que fosse acontecer, porque sempre pensei que fosse de outra forma que não esta, porque não te via segura, porque não estavas confortável ou confiante. E, na minha cabeça, tu ias dizer que não com maior probabilidade do que dizer que sim. Portanto não estava preparada para que a tua decisão fosse sim, para que a tua decisão fosse avançar com isto já agora. Eu sei que estás mais perto da concretização de um dos teus maiores objetivos de vida e que viveres sem parte do peso que carregas te trará uma maior qualidade de vida mas eu não consigo conceber as horas que vou ficar sem saber de ti. Eu não consigo saber que vou estar aqui enquanto tu vais estar lá - eu tenho um medo profundo do que te vai acontecer e nem sei bem explicar qual é que é o meu maior medo. E logo agora, que está tudo a acontecer ao mesmo tempo e que eu nem posso tentar sair daqui.
O que mais me está a custar no meio disto tudo é a tua tranquilidade desde que tomaste a decisão de avançar e a minha dor e confusão em contraste com o que demonstras sentir. Sinto-me tão cansada e ainda nem cheguei lá, ainda faltam alguns dias para chegar. E o medo, o aperto, a dor, que me consome, desde que percebi que ias avançar. As minhas perguntas e dúvidas, enviadas de forma repentina, porque não me aparece tudo ao mesmo tempo... A única coisa que me acalma é saber que te vou poder abraçar antes disto tudo e que isso nos fará mais fortes. Nós vamos ultrapassar isto juntas. Tenho tanto orgulho em ti e na forma como estás a lidar com tudo isto, és tu que me acalmas e que me dás força. O primeiro passo será dado daqui a menos de uma semana e vai correr tudo bem - é só o que eu tenho que pensar, um minuto atrás do outro.