domingo, 30 de setembro de 2018

Tenho orgulho em nós, tenho orgulho nas palavras difíceis das quais não fugimos e de não termos medo de chorar ou gritar, tenho plena noção da paz que sinto ao teu lado mesmo quando não trocamos uma palavra e estamos só. E agradeço-te pela viagem que fizeste, um dia antes, só para termos um dia para nós, porque precisávamos dele - de beber da força uma da outra. E de dizer muitas vezes que tínhamos medo de tudo mas que íamos ultrapassar juntas.

És tão forte e eu estou tão orgulhosa de ti. Sexta feira foi um dos dias que mais me custou, as horas não passavam, mas também não foi tão mau como esperávamos. Foste e voltaste em cinco, seis horas, e o meu coração acalmou. Tu estavas bem. A recuperação é sinuosa e difícil mas vais conseguir, um dia de cada vez. Eu estou aqui - sei que não aí, e dói-me não estar aí. Mas contigo.

sábado, 22 de setembro de 2018

Até aqui, e mesmo precisamente há uma semana (e um dia), a data do meu pesadelo não estava marcada - talvez porque eu nunca quis acreditar completamente que fosse acontecer, porque sempre pensei que fosse de outra forma que não esta, porque não te via segura, porque não estavas confortável ou confiante. E, na minha cabeça, tu ias dizer que não com maior probabilidade do que dizer que sim. Portanto não estava preparada para que a tua decisão fosse sim, para que a tua decisão fosse avançar com isto já agora. Eu sei que estás mais perto da concretização de um dos teus maiores objetivos de vida e que viveres sem parte do peso que carregas te trará uma maior qualidade de vida mas eu não consigo conceber as horas que vou ficar sem saber de ti. Eu não consigo saber que vou estar aqui enquanto tu vais estar lá - eu tenho um medo profundo do que te vai acontecer e nem sei bem explicar qual é que é o meu maior medo. E logo agora, que está tudo a acontecer ao mesmo tempo e que eu nem posso tentar sair daqui.

O que mais me está a custar no meio disto tudo é a tua tranquilidade desde que tomaste a decisão de avançar e a minha dor e confusão em contraste com o que demonstras sentir. Sinto-me tão cansada e ainda nem cheguei lá, ainda faltam alguns dias para chegar. E o medo, o aperto, a dor, que me consome, desde que percebi que ias avançar. As minhas perguntas e dúvidas, enviadas de forma repentina, porque não me aparece tudo ao mesmo tempo... A única coisa que me acalma é saber que te vou poder abraçar antes disto tudo e que isso nos fará mais fortes. Nós vamos ultrapassar isto juntas. Tenho tanto orgulho em ti e na forma como estás a lidar com tudo isto, és tu que me acalmas e que me dás força. O primeiro passo será dado daqui a menos de uma semana e vai correr tudo bem - é só o que eu tenho que pensar, um minuto atrás do outro.  

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Faltava uma semana para fazerem cinco meses da tua partida e, finalmente, conseguimos todos ter uma noção daquilo que te aconteceu; a resposta chegou. E eu demorei uma semana a sentir-me capaz de escrever tudo isto porque me dói profundamente relembrar. Dói-me profundamente entrar nesta casa e saber que não te vou ver, ouvir e cheirar. Dói-me muito tudo isto mas dói-me ainda mais a forma como partiste. E, no meio de tudo isto, dói-me o alívio que aquele pedaço de papel lhe trouxe. Eu tinha medo que trouxesse uma desgraça ainda maior. Mas não me preparei para a eventualidade deste acontecimento, não me preparei para ouvir que tinhas morrido bem, depois de sofreres oito horas sem ela te dar nenhum tipo de auxílio de maior. Eu tinha medo que tudo corresse mal e que ficasses ainda pior, que a nuvem negra que se abateu sobre nós ainda aumentasse de tamanho... Mas não esperei que a falta de consciência dela fosse a vertente maior. A raiva consome-nos e eu tenho que arranjar forma de fazer as pazes com as coisas que ouço, tenho que filtrar a informação e guardar apenas o que vale a pena guardar. Só que não sei se sei fazer isso porque tudo isto poderia ter sido evitado - ou quase. O alívio que ela sentiu... Não deveria ter sido assim. Não queria que ela sentisse ainda mais culpa e que tudo piorasse exponencialmente... Mas também acho que o outro lado da escala é demasiado para saber lidar. 


Espero que estejas em paz. E tenho tantas saudades tuas. Tantas. De chegar e te ver. De estares aqui. De te ouvir. Fazes-me uma falta profunda. Este nosso mundo está louco demais sem ti aqui. Parece que perdemos todos o norte. Mesmo que tenha ouvido que no tempo em que aqui estavas as coisas já estavam complicadas... que nada era fácil... Mas a dor? A dor de não estares não existia e só por isso já era tudo bem melhor.

sábado, 1 de setembro de 2018

Sempre tive um carinho especial por setembro, muito parecido ao que tenho na passagem de dezembro para janeiro. E este setembro iniciou-se com uma experiência que já queria ter realizado há muito tempo atrás mas que adiava constantemente. A minha necessidade de relaxar o corpo e acalmar a mente vem de há muito tempo e, algumas vezes, consigo isso através da escrita. Mas tenho que aprender a utilizar o meu corpo como veículo de calma. Tenho que aprender a fortalecer a minha mente. E o yoga e a meditação vão ser os meus aliados perfeitos nos tempos que se avizinham. Vou garantir que os vou utilizar. Quero conseguir esse objetivo. Hoje foi o primeiro dia e foi realmente difícil de garantir o equilíbrio, só sei que comecei exatamente no estado mental necessário. Sei que tenho que aprender a controlar as minhas respirações antes de avançar - embora hoje tenha feito toda a experiência e sentido imensa dificuldade nela - não o que se via de fora. Estou a começar um setembro bonito, tenho fé nisso. Fiz duas listas, uma no final de agosto, e uma hoje, e vou trabalhar pelos meus objetivos e pela minha felicidade mental.