terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Pensei que me ia custar a adormecer por todas as coisas que tinha na cabeça a gritar ao mesmo tempo. Mas, de tanto cansaço que sentia, dormi as horas seguidas até que o despertador tocou. 

Está assim tão pouco segura do que construímos juntas aqui?, a frase que me impediu de adormecer mal coloquei a cabeça na almofada e todos os seus derivados... o saber que preciso de pensar sobre tudo isto mas ainda não ter (querido parar/) parado...  

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Foi um ano de conquistas incríveis - e que já tive oportunidade de salientar no post anterior - mas, sobretudo, de dores regulares. Por entre cada pequena etapa concluída desenhou-se um caminho de dor como eu nunca esperei que acontecesse. Desconfio que seja isto o que chamam crescer. Tentar e voltar a tentar até conseguir chegar onde é suposto chegarmos. Tomar uma decisão e responsabilizar-me por ela. Aqui, na vida, não há falhanços absurdos mas sim tentativas infindáveis. Ninguém nos ensina a viver melhor, aprendemos todos os dias como se faz. E eu fui aprendendo - e vou aprendendo todos os dias, uns melhores que outros - e decidi, dia após dia, não baixar os braços. O único caminho possível era enfrentar-me de olhos bem abertos e coração pesado. Na verdade, o enfrentar-me tornou-se parte integrante de uma rotina do ano que passou. Tornou-se parte da pessoa em constante evolução e construção que me sinto ser. Que 2018 me traga um contínuo crescimento interno, começado em 2016, e bem necessário para a minha vida.

2017 trouxe-me alegrias incríveis com a conquista de dois dos meus maiores objetivos mas trouxe, também, momentos em que achei que não me levantaria do chão. Quando, sem esperar, me apercebi que a voz que sempre deu voz aos meus monstros, tinha sucumbido aos seus, fiquei sem ar nos pulmões e foi um dos piores momentos do meu ano, aliás, acho que continuo a recuperar dessa morte - nunca mais vou esquecer o desespero com que abordei este assunto em sessão e nunca mais me vou esquecer das lágrimas que me correram pela cara. 2017 trouxe-me um olhar sobre as coisas diferente e uma dor maior por ver como nunca tinha visto. Saber-me internamente e saber, o permitido, dos que se encontram comigo ou apreender as sensações diferentes de vários anos, em meses, esgotou-me muitas vezes. Fez-me chorar tantas vezes, perguntar-me porquê?, perguntar-lhe porquê?, partilhar-me de uma forma que nunca tinha feito e que duvido que volte a sentir a segurança para o fazer, mesmo voltando a iniciar um processo terapêutico algures na minha vida. 2017 trouxe-me, ainda que poucas vezes, a serenidade e a tranquilidade para reverter algumas posições extremistas em mim mesma - sobretudo o não falar por sentir que não me ouvem - e espero que 2018 continue a fazer-me avançar nesse aspeto e que traga mudanças positivas para a minha relação com a minha família. Aos poucos, começar a ver que abrir-me mais não pode ser sinónimo de alguma coisa negativa. Não posso só ver o negro e esquecer a capacidade de encontrar alguma luz. Continuar e solidificar as relações de amizade que já trago comigo de há uns anos fez com que soubesse que existem sempre outras perspectivas de olhar o mundo. A minha maior sorte continuam a ser as minhas pessoas, aquelas que eu deixo que entrem e, sobretudo, as que querem ficar. 2017 fez-me perder uma amizade muito importante para mim, por erros próprios e que ainda me custa saber que perdi. Mas compreendi o necessário, lutei, pedi desculpa. E se não está comigo, foi porque não tinha que estar, foi porque já me ensinou o que tinha a ensinar.

2017 fez-me, sobretudo e muitas vezes, acreditar no amor, no poder e na força que unem duas pessoas. Ensinaste-me que ficavas, mesmo quando eu te mandei tantas vezes embora. Ensinaste-me que o amor vence qualquer coisa e que somos mais saudade que distância. E que mesmo à distância seremos capazes de continuar a somar dias de conversas e noites ao lado uma da outra. Que 2018 nos traga o apoio físico que as duas precisamos e que nos faça sentir mais próximas - ainda - quando nos tocamos. É um privilégio partilhar-me contigo. É um privilégio crescer ao teu lado. 

2018, aqui vou eu. [começar o ano a sentir o mesmo que senti o ano que terminou não pode ser um bom augúrio mas serei capaz de lutar contra mim própria e dar a volta por cima: pensa que 2018 veio para que digas "eu sou mais forte".]