2018 começou com os dias longe de casa e com a certeza no peito de que não poderia ser mais leve e feliz, tenho a certeza que as memórias bonitas que guardo do Porto no início do ano são o que me fez aguentar os dias mais tristes e a dor que as reviravoltas me causaram - porque 2018 mandou-me ao chão muitas vezes e deixei de acreditar que o amor poderia vencer as adversidades, os contratempos de feitios e quereres que foram mais que muitos, as incertezas da sobrevivência de uma relação que (parece) forte em presença mas que enfraquece na ausência física... Tudo isto causou uma dor quase diária que me fez, muitas vezes, dizer que desistia e mandar a toalha ao chão... Mas já cá volto. 2018 começou com vários "não" que me fizeram perceber que o caminho em termos profissionais não era por onde tinha planeado e que havia mais para mim. Não era assim que tinha pensado no final de 2017, mas a vida troca-nos as voltas e 2018 foi o ano que me fez aprender isso, muitas vezes da pior maneira. O acordo de estágio que assinei no início do ano, as experiências que iniciei e, no fundo, o salvamento que foi ter uma pequena protecção onde me socorrer, depois de todos os "não" que recebi fez-me ganhar algum alento - sempre a mesma a zelar por mim e a resgatar-me de tantas formas, de todas as que conseguia e que eu lhe permitia... O projeto da FCT foi mais uma experiência muito positiva deste início de ano e com a qual aprendi a ter uma crítica construída em relação ao meu próprio trabalho e depois construtiva desse mesmo trabalho. Todos os pontos que me apontaram tinham sido aqueles que já tinha apontado sozinha e isso fez-me crescer, apesar da dor do pior "não" de todos os de 2018 e da dúvida do que fazer a seguir. Mas não ia baixar os braços e não o fiz. Se já antes procurava um trabalho, depois deste "não" apostei forte nesse caminho e desde outubro que ganho o meu dinheiro, que junto, para ter a certeza de não vou voltar a sofrer por não saber como ajudar os meus, que não vou ter mais noites sem dormir e que o próximo ano de doutoramento pode estar garantido. Assusta-me o final deste contrato e a incerteza de um novo projecto da FCT, de poder ouvir outro "não", porque sei que esse fará muito mais danos do que este... Este ano apostei forte no meu currículo, e espero que seja só o início da construção de um caminho bonito em termos profissionais durante 2019.
Ter iniciado o doutoramento em outubro, ao mesmo tempo que trabalhava em full time e depois da formação em part-time mas com dois trabalhos... Fez-me questionar o caminho que tinha seguido. A questão que pairou nos últimos tempos ainda não parou de me perseguir: quer desistir do doutoramento? Quer adiar o doutoramento? O sentimento de falha é constante e a certeza de que não estou a dedicar o tempo que deveria a um novo projecto para defender junto da FCT e, por conseguinte, um projeto de tese para defender em junho de 2019, estão a ser difíceis de gerir. Não quero desistir. Não sei o que faria se desistisse mas sei que esta sensação me bloqueia os sentidos e me faz paralisar. Sei que não lhe sei reagir. E espero que em 2019 aprenda a lidar com isto porque é profundamente necessário para continuar a crescer. 2018 trouxe-me o trabalho árduo e, mais uma vez, um "não", o meu artigo não seria publicado ainda, pelo facto de não ter um grau académico superior... Mas a minha vontade vai adiante e o artigo será finalizado no início de 2019 e, quem sabe, publicado durante esse ano. Graças à minha orientadora que nunca me deixa enfrentar uma tempestade sozinha e que está sempre lá para me ensinar a manter a calma perante uma onda muito forte - a admiração, o carinho e o amor que lhe tenho não param de crescer. 2018 mostrou-me que o trabalho pode ser recompensado e o facto de ter pessoas que acreditam em mim torna tudo mais surpreendente e só espero ser capaz de demonstrar que sou digna dessa confiança.
2018 trouxe-me uma mágoa enorme na última Páscoa que passei com o meu avô, a dor que me causou demorou algum tempo a passar - e transformou-se em culpa, que lentamente tem diminuído. Lembro-me claramente da viagem de regresso a casa, depois da última vez que o vi e da dor que provocou, da sensação de despedida... Lembro-me claramente de ter mencionado um débil e muito transtornado "vou perder o meu avô" e, cinco dias depois, o meu mundo desabou e acho que ainda não voltou ao lugar... Há um antes e um depois de 21 de abril. Vai haver sempre - passem os anos que passarem - um antes e um depois de 21 de abril de 2018. A morte chega-nos sem avisar que vem e pode chegar da forma mais estúpida de sempre. A dor de o ter perdido misturada com a certeza de que o perdi por razões absurdas.... A certeza de que ele não foi salvo, como deveria ter sido, machuca o meu coração todos os dias. 2018 fez-me perder um dos meus pilares e ter o mês mais esgotante da minha vida, em que andava de mochila às costas sem saber onde iria dormir na noite seguinte. Lembro-me do dia em que quase desmaiei em terapia e a partir daí, foi a escalar, até eu aprender a dizer que não podia continuar no ritmo em que estava, ter percebido que estava prestes a ter um esgotamento e que tinha que me afastar do centro da confusão antes que a confusão me levasse. 2018 ensinou-me a olhar mais para mim e para as necessidades do meu corpo e da minha alma. O caminho que percorro desde que iniciei a terapia tem tido muitos baixos que me fazem querer virar as costas por ser tão difícil de gerir todas as emoções com que me debato constantemente... Mas também sei que, sem esta ajuda, não caminhava de forma tão (mesmo que só em aparência) segura por alguns trilhos. No meio de tudo isto, perdi a capacidade de acreditar que o amor nos pode salvar. Questionei muitas vezes a minha relação. Questionei todas as certezas que tinha em relação à minha felicidade. Questionei muitas vezes a minha sanidade mental. Afastei-me dos meus e deixei que se afastassem de mim. Perdi-me, por longos dias. Embora tenha guardadas atitudes tão bonitas de todos aqueles que deixei entrar por momentos. Nunca vou esquecer a forma como vieram ao funeral do meu avô e como me deram a mão nesse dia. Sei que tenho amigos para a vida. Nunca vou esquecer o apoio que senti nesse dia. Nunca vou esquecer a forma cuidadosa como cuidaram de mim depois. Sei que sou acarinhada por tantas pessoas bonitas e que, por muito que as conversas possam não ser diárias, há ligações que não são quebradas por nada. No meio de todos os desencontros, consegui que alguns reencontros acontecessem e guardo 2018 no coração por ter sido o ano que me fez voltar a ter certeza de que as amizades são bens únicos e recuperáveis, depois de várias e dolorosas tentativas. 2018 fez-me ganhar, por ter mantido os meus amigos comigo e, com a força que me fez deixar de acreditar no amor, fez-me, com cuidado, voltar a confiar devagarinho. Ensinou-me que tenho que ser a melhor pessoa para ti que possa ser e apesar de custar muitas vezes fazer este exercício e a minha personalidade aparecer algumas vezes, tem compensado. Principalmente desde que estamos na mesma página deste livro bonito que já conta com tantas reviravoltas. Apaixonarmo-nos pela mesma pessoa todos os dias dá trabalho, viver uma relação à distância, ainda mais. As saudades são mais que muitas, as saudades custam a fazer os dias acontecer. Mas 2018 trouxe o inesperado caminho para alcançares a pessoa que queres ser e eu sinto-me verdadeiramente orgulhosa (e feliz) de ter estado ao teu lado, mesmo que não fisicamente, neste período. Tínhamos muito medo da realidade do pós mas correu tudo muito melhor do que qualquer previsão e eu sou verdadeiramente feliz por viver a vida ao lado de uma pessoa tão forte como tu és. Todos os dias me inspiras a tornar-me melhor. Mesmo que a distância entre nós seja palpável.
2018 fez-me acreditar que as pessoas à nossa volta fazem com que sejamos melhores pessoas e que a nossa família vai ser sempre o nosso ponto de abrigo. 2018 começou a mostrar-me que não faz mal ser mais transparente, que tenho que dizer o que sinto, mesmo que seja difícil de expressar e que não seja apreendido da forma que espero. Este caminho é longo mas trará frutos no futuro, assim acredito. Outro caminho longo que foi iniciado em 2018, depois de longos anos a ser adiado, foi a minha saúde. As dores de cabeça e o aperto no peito instalaram-se na minha vida e não têm data de ida... No entanto, ganhei força para insistir em tomar conta da minha saúde e iniciei um processo de análises - embora ainda espere pela chamada da especialidade - que me fizessem sair de todo este caminho com um diagnóstico das dores que são parte de mim como se o meu feitio se tratasse... 2018 também me fez aprender a engolir o medo e ensinou-me a pedir ajuda, para começar a tomar alguma medicação que me fizesse parar de sentir este aperto doloroso que se tornou parte de mim. Fez-me enfrentar os medos de frente e voltar a entrar num carro, apesar de todo o pânico que senti e que ainda sinto, apesar das lágrimas que deitei - que agora já não deito, só por dentro - apesar do corpo bloquear - e paralisar - e não corresponder ao que o meu cérebro comandava... Saber que continuei, que persisti, que não vou desistir enquanto não der a volta a isto - 2019 vai ser um ano de continuidade, porque não quero desistir do poder ser mais autónoma e independente. 2018 fez-me perder o medo de seguir alguns trilhos e ter iniciado yoga, apesar de não conseguir praticar com a frequência que sei que preciso, tornou-se das melhores coisas deste ano. Em 2019 quero tornar-me mais organizada e aprender a dar mais atenção ao lado da mente e da alma. O que me alimentou a alma ao longo de 2018 foram os inúmeros momentos em que vi o sol a pôr-se no horizonte com a certeza no peito de que tinha sobrevivido a mais um dia, por entre momentos dolorosos e gargalhadas brilhantes. Ainda tive tempo de aprender que o nascer do dia é igualmente poderoso. Deixei de ter medo de acordar cedo porque aprendi que corre tudo melhor quando temos mais tempo para viver o dia. No fundo, sinto que este ano iniciei um processo de aprendizagem que que vai manter por algum tempo: não sou a super mulher.