sexta-feira, 29 de setembro de 2017

É tão triste que estas coisas continuem a acontecer. Que continuemos assim. Que aches que o vinho é mais importante que a comida na mesa. Ou que ela te continue a aparecer e que nem te preocupes em perceber como é que apareceu. Sempre que estas merdas acontecem, quase todas as semanas, o meu coração morre um bocadinho. As lágrimas aparecem-me nos olhos, o meu peito fica pesado. Eu não deveria - nunca, em tempo algum - ser a responsável por isto. É triste que a nossa vida seja assim. É mesmo. 

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Eu sei que preciso de escrever - e muito - sobre o que aconteceu na segunda feira. Porque há uma dor profunda dentro de mim desde esse dia. Desde o dia em que deixei de ignorar tanta coisa ou que escolhi deixar o medo para o lado. Desde o dia em que ganhei coragem e coloquei os pensamentos em palavras em voz alta. Ali. Olhos nos olhos ou quase isso. E posso não me lembrar de tudo o que ouvi, porque sei que não me lembro. Mas lembro-me da dor que senti quando disse, quando senti as lágrimas a correrem pela minha face, quando quase arranquei cabelos... quando senti que - cada vez mais - não havia volta a dar. Será que esta sou eu, cada vez mais, a aceitar que sou como sou? Será que sou eu a compreender que preciso de estar em paz comigo para conseguir estar em paz com os outros? Talvez seja isso que procuro compreender e talvez seja o início de tudo isto... do resto da minha vida. 

«O que é que vou fazer sem isto?
Sem as sessões?
Sim...»
Dois meses, Chester. Faz hoje dois meses. E continua a doer. 

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Ontem à noite, quase em desespero máximo, escrevi aqui que queria ouvi-la. Hoje entro na faculdade, com a minha irmã ao meu lado, e estou a subir a rampa enquanto está a descer. Passou por mim e sorriu-me. E o sorriso valeu por todas as palavras que eu precisava de ouvir e que não ouvi. Segunda conversamos. Segunda está lá. E eu estou mais tranquila novamente. Tem o condão de fazer isso sem sequer dizer nada.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Eu sei que na segunda levei na cabeça por entrar em pânico quando supostamente tenho tudo sob controlo. Eu sei que na segunda conversamos sobre eu estar a ser obsessiva com isto tudo ao milímetro por causa de ter medo que a minha tese saía um aborto ou um trabalho prematuro. Sei que falamos sobre as minhas expetativas tornarem-se menos altas porque não posso ser a perfeita das perfeitas... tenho que parar de pensar que isto vai sair uma tese dos deuses... Eu sei que falamos sobre isto tudo. E lembro-me disso. Tem-me suportado durante os últimos dias. Falar nesta merda toda e saber que está ali, deixa-me mais tranquila e que tenho estado mais segura de mim. Mas agora não posso estar tranquila e precisava tanto de ouvi-la novamente... A minha cabeça está a explodir, eu vejo os dias a passar e sei de tudo o que tenho que fazer e nada, nada, parece feito... Há tanto para onde olhar, pare refazer, para melhorar. Eu estou a dar em maluca e o pior é que ninguém parece importar-se com isso porque dizem que tenho que estar mais calma, que não posso stressar e que não posso criar problemas onde não existem...

Não tenho palavras para o que aconteceu...

I: As duas únicas pessoas que sabem o que aconteceu são...
She: Eu.
I: Sim... E a minha orientadora...

Como é que vai ser suposto eu continuar a viver?


I: Fazes-me falta, aqui ao meu lado na biblioteca enquanto dou os últimos retoques nisto. Ou os quase últimos. Fazes mesmo, sabias? Adoro-te, sempre.

She: Gostava mesmo de estar a estudar ao teu lado. Sei que ambas rendemos mais quando trabalhamos ao lado uma da outra! Sei que quando paramos para lanchar estou feliz por estar contigo. Estou a 3000 km de distância a estudar e tu a fazer a tese. Vamos trabalhar juntas? Lado a lado mas separadas pela distancia física. Quando fores lanchar avisa.
P.s. eu também já comi chocolate hoje.


É por isto, é por isto, que tu vais sempre ser a pessoa que me levanta. Há quase dez anos.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Quando começo a não conseguir dormir, a situação torna-se grave, torna-se mesmo grave. Não dá para adormecer, o meu cérebro não me deixa. Não paro de pensar no que falta fazer, no que não está feito. Acordo a meio do sono, já muito leve, porque me lembro de coisas importantes para introduzir em diferentes capítulos... E quando chego à hora de recomeçar o trabalho só consigo pensar que não está a dar para fazer tudo o que devia... Estou cansada. Olhei para mim às quatro da manhã e assustei-me com aquilo que vi no espelho. Voltei para a cama e continuei sem conseguir dormir. 

Quando me levantei hoje de manhã só pensei que tenho que se capaz. Tenho que conseguir dar a volta por cima. Tenho que conseguir. Vou ser capaz. Tenho apenas que aprender a descansar. Nem que me deite a meio da tarde para repor o sono... A ansiedade, o stress e o medo no final desta tese estão a dar cabo de mim. Completamente.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Nível de desespero da noite de ontem, numa conversa por e-mails... 

I: Eu acho que vou morrer mentalmente antes de lhe entregar isto tudo... A sério que acho.
She: Não me morra antes de, pelo menos, defender a tese, por favor, que isso não dava jeito nenhum, pode ser? 

Quando tenho a melhor pessoa a acompanhar-me nisto... Acho que só assim vou chegar a algum lado.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

De manhã estava bem... sentia-me a trabalhar, sentia-me confortável com um plano em vista... Se ontem à noite já me estava a incomodar não ter um plano, hoje, senti-me bem quando o soube delineado... Agora, depois de três horas de trabalho em que quase nada mudou, compreendo que tenho pela frente várias horas de Linkin Park a gritar aos meus ouvidos enquanto (tento fazer) faço estas correções todas. Isso e as lágrimas a caírem dos olhos ou guardadas à espera de saltarem. A respiração ofegante. Os braços frios, as pernas frias. O corpo a tremer. O meu cérebro a gritar que não consegue lidar com isto, que não sabe fazer melhor, que é difícil, que não chego lá... Dez dias. São dez dias. Dez dias em que vou lutar contra mim própria para terminar isto.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Ainda sinto os olhos enevoados e pesados, mesmo já tendo passado várias horas. Ainda tenho o coração pesado, uma dor estranha que me arrepia. Deitei-me na cama durante a tarde para (re)aprender a respirar e acabei por adormecer, por muito que não tenha dormido quase nada. Doeu muito regressar mas doía mais se não regressasse de todo. Ouvir que não vai desaparecer e que posso pedir ajuda quando precisasse valeu toda a espera, toda a separação, todas as lágrimas.


Acho, também, que nunca tinha olhado claramente para o sítio onde me sento como hoje, hoje compreendi que estava colocado de forma diferente. Hoje sentei-me de forma diferente. Hoje senti-me diferente, foi um regresso mais doloroso do que o último. Foi um regresso que eu precisava mais do que o último.

sábado, 2 de setembro de 2017

A minha vida é e sempre foi um conjunto de reviravoltas. "E de todas as reviravoltas da minha vida tu és a mais bonita.", continuas a ser. Não perde a validade quando me magoas, quando me fazes chorar, quando me fazes dizer-te que não aguento mais nenhuma discussão, que não quero ouvir mais nenhuma palavra e que não me apetece conversar contigo. E é por seres a reviravolta mais bonita da minha vida que eu fico nos dias maus, depois de todas as coisas más que te digo. Provavelmente será por isso que ficas também... E é por seres uma das minhas maiores certezas - de apoio, dedicação e preocupação pura (até quando te acuso do contrário; quando parece que estás noutro mundo, eu sei que na maioria dos dias o que sinto é isto) - que eu fico, dia após dia. Que aguento a distância, que aguento a falta do teu abraço, a busca incessante pelo teu sorriso, a falta do calor da tua mão na minha. Porque quando estás perto tudo faz sentido. Quando estás aqui, quando eu estou aí, quando a companhia é a certa, não preciso de mais nada para ser feliz. É saber que me compreendes na sua plenitude, não sou só dias bons, não sou apenas dias bons. Sou dias maus, sou dias em que compreendes que os meus monstros ganham, que compreendes toda a dor que não abordo regularmente e que sai em golfadas dentro de mim. E estás lá. Fazes por estar. Pedes desculpa quando falhas. Choras, sofres, mostras-me que erraste e que sabes que não podes deixar-me quando mais preciso. Eu sei que sou uma pessoa que precisa. Que te precisa perto. E, muitas vezes, diz coisas que não têm razão nenhuma porque o que quer dizer é que deverias fazer de outra forma. Eu sei que te magoo e que te desiludo. Que esperavas mais de mim. Que te deveria dar mais. Eu tenho noção de que não fui sempre irrepreensível como deveria ter sido, como mereces que seja. E, sobretudo, eu sei que deveria estar aí. E sei que não estou, que é inteiramente culpa minha e que nós merecíamos mais. Mas, desta vez, os monstros ganharam. E tu continuas aqui. E eu continuo aqui. Acredito que sejamos para ficar, dê a vida as voltas que der, nós vamos sempre arranjar uma forma de permanecer perto. Não sei estar longe, mesmo que fisicamente não esteja onde deveria estar - hoje. És a minha certeza de que tudo pode mudar e que os dias bons devem ser celebrados. Todos os dias que acordo e que sei que estaremos juntas são dias mais que bons. Minha pequenina, obrigada pelos últimos doze meses, por me mostrares que tenho muito mais paciência do que achava que tinha e por não desistires de mim quando me torno uma cabra valente. Obrigada por acreditares em nós e por, bem ou mal, nunca me teres deixado cair. Tenho muito orgulho em nós. 12 meses desde que decidimos que íamos ser felizes, mesmo à distância.