Acho que as viagens de carro são a melhor forma de o meu cérebro processar muita da informação que durante a semana não consigo processar, sinto que são o momento em que paro e sou só eu e os meus pensamentos e as luzes da cidade e o carro em andamento...
sexta-feira, 27 de julho de 2018
quarta-feira, 25 de julho de 2018
Lembro-me de tão pouco do que me disse porque só me lembro de ter que desesperadamente falar, dizer muitas coisas. Demonstrar a falta que me fez e, atabalhoadamente, dizer um monte de coisas que me foram surgindo e que me foi perguntando... E há sempre uma certeza de que faz o puzzle comigo. E de não ter medo que as lágrimas caíam. De não ter medo de me mostrar frágil e vulnerável, porque cada vez que fala é como se não estivesse sozinha. É, mesmo, o tom de voz certo e sempre, a coisa certa a dizer. E nunca me vou cansar desta sensação de que cheguei a um lugar absolutamente seguro apesar do medo puro que sinto, ao mesmo tempo.
Saber que poderia ter estado na segunda anterior e que não estive por lapso meu... Mas saber que também não me procurou ou perguntou se estava tudo bem... Não sei. Seria mais uma semana de caminhada e não menos uma. Seria menos uma semana sozinha. E sinto que me falhei. Mas não consigo deixar de sentir que também falhou um bocadinho, poderia ter perguntado por mim....
A terapia tem que ser... verdadeira.
[Depois da viagem de carro de quinta feira]
A dada altura, depois de ter dito tanta coisa, quase em vómito, e de me ter ouvido apenas, perguntou-me naquele tom de voz suave, com um meio sorriso, já adivinhando a minha resposta rápida - e as suas coisas? Que coisas são essas? Porque nem me lembro que tenho coisas. Sinto que a minha vida é uma espera por respostas, comportamentos, soluções... Nem sei que tenho coisas no meio de tudo o que está a acontecer à minha volta e de tudo o que me sufoca. Às tantas também me perguntou se tinha vergonha ali dentro e eu penso que lhe respondi que não tenho, não no meu sítio seguro, não posso ter vergonha quando estou a dizer tudo o que estou a dizer para ser ajudada quando não me consigo ajudar. Já sei que não vou ser julgada, já sei que não estou sozinha. E também me lembro que me perguntou se o casaco tinha ficado com cheiro - e nunca vou entender como é que uma simples pergunta que me faz me pode destruir tanto por dentro - mas eu sorri e respondi rapidamente que não ficou, porque ele não o vestiu. O casaco ainda cheira ao avô, ainda cheira a casa.
[Depois da viagem de carro de quinta feira]
A dada altura, depois de ter dito tanta coisa, quase em vómito, e de me ter ouvido apenas, perguntou-me naquele tom de voz suave, com um meio sorriso, já adivinhando a minha resposta rápida - e as suas coisas? Que coisas são essas? Porque nem me lembro que tenho coisas. Sinto que a minha vida é uma espera por respostas, comportamentos, soluções... Nem sei que tenho coisas no meio de tudo o que está a acontecer à minha volta e de tudo o que me sufoca. Às tantas também me perguntou se tinha vergonha ali dentro e eu penso que lhe respondi que não tenho, não no meu sítio seguro, não posso ter vergonha quando estou a dizer tudo o que estou a dizer para ser ajudada quando não me consigo ajudar. Já sei que não vou ser julgada, já sei que não estou sozinha. E também me lembro que me perguntou se o casaco tinha ficado com cheiro - e nunca vou entender como é que uma simples pergunta que me faz me pode destruir tanto por dentro - mas eu sorri e respondi rapidamente que não ficou, porque ele não o vestiu. O casaco ainda cheira ao avô, ainda cheira a casa.
Todos os dias há algum género de comentário que me faz entender que este assunto já não é mandado para debaixo de nenhum tapete (Mas será que alguma vez foi? Quanto mais penso mais me lembro de ouvir comentários em todas as alturas da minha vida...) e que está cada vez mais evidente, como se visse, mais e mais, a luz do dia e de todos nós. E não sei se isso me deixa mais tranquila ou mais envergonhada. Só sei que os comportamentos recentes me fizeram sentir mesmo vergonha e que não sei o que é suposto acontecer a partir daqui. Sei que não é - ainda, ou talvez, ou talvez esteja muito errada - um problema completamente diário porque ainda não existiram grandes acidentes com esta questão... Mas o que é que é suposto acontecer a seguir? Como é que é suposto eu reagir? É um escape ou é mais que um escape? É uma doença? Só vai parar realmente quando for tratada? Como é que é que é suposto lidarmos com isto?
[Ontem à noite contei os dias, quase 50, em que vou ter que lidar com isto quase sozinha. Com isto e com o que quer que aconteça depois e no entretanto.]
terça-feira, 24 de julho de 2018
Estava, verdadeiramente, a precisar que alguém me chamasse à atenção sem paninhos quentes em relação às minhas atitudes. Eu sabia, em relação a mim própria, que estava a falhar em muitos momentos e em muitas reações porque também tenho capacidade de auto-análise. Sei que estou mais crítica, sei que ajudaria se fosse menos crítica, sei que expludo à primeira falha, e ajudaria que não o fizesse, sei que ataco mal me sinto atacada, e que rapidamente se torna uma bola de neve de discussões que trazem outras atrás. Eu sabia tudo isto mas estava a ser-me difícil mudar-me até porque também consigo analisar toda a situação e saber que não mereço muitas das atitudes que ela tem para comigo. E, por isto, estava a precisar de uma conversa franca e séria. E teria que ser com alguém como tu, em quem eu confio de olhos absolutamente fechados. E que me conhece bem, que não tem medo de me dizer o que acha e que não vai fugir só porque eu estou a dizer o que sinto mesmo que não saiba muitas coisas porque já nem as consigo entender.
Ser a Rosa que a Joana precisa. Ser a melhor versão possível de mim própria. Fazer a minha parte para que esta relação melhore.
Sei - nas últimas vinte e quatro horas já percebi isso, porque já aconteceu várias vezes - que me vai custar mesmo muito os vários momentos em que sinto que ela está a falhar e eu simplesmente não reagir a eles. Manter sempre na minha cabeça que tenho que ser a Rosa que ela precisa de ter ao lado e que não vai ajudar criar mais um conflito e uma nova discussão só consegue trazer ainda mais mau estar. Custa muito e não sei se vou conseguir manter a atitude tranquila que tenho sentido que tenho desde ontem à tarde, e que ainda não sei se foi percebida como tal - e gostava que já tivesses percebido que a minha atitude modificou, mas talvez seja preciso mais tempo até que digas alguma coisa. Mas sei que vale a pena tentar. A verdade é que já reagi muitas vezes antes e que essa reação não leva a lugar nenhum, porque nunca compreendeste o meu lado verdadeiramente, ou porque interpretaste mal, ou porque voltaste a cair no mesmo erro... e essa bola de neve apenas trouxe mais discussões e mais agressões mentais. A violência das palavras também corrói por dentro e lembro-me do que me disseste de esta relação ser quase como se existisse uma mutilação física, as trocas de agressões verbais constantes entre mim e ela estavam a fazer-nos mesmo mal. E eu sei que é verdade. E, por muito que, muitas vezes, me afaste e acabe por não responder quando me sinto atacada ou deixada para trás, sei que há vezes que não sou mais forte e que respondo e contribuo para piorar o ambiente tóxico onde vivemos. Por isso ontem abri os olhos e parei - sinto-me diferente. Tenho medo de não conseguir levar esta atitude muito tempo dentro de mim mas estou a esforçar-me para fazer a minha parte e para ser a Rosa que ela precisa de ter ao lado. Porque se isso acontecer mais facilmente ela será a Joana que eu preciso de ter ao meu lado. Assim o espero.
quinta-feira, 19 de julho de 2018
Três dias depois de regressar do Algarve, depois do jantar, o meu pai disse que ia ver a mãe e eu não conseguia ficar simplesmente em casa. Eu precisava de ver com os meus olhos como é que a minha avó estava.
Quando estávamos a despedir-nos, e nos abraçamos, a minha camisola ficou presa no fio que a avó usa desde que foste, avô. O fio tem uma pequena medalha com a tua fotografia, estás fardado. Tal como deverias ter ido... Quando ficamos presas, ela começou a gritar "ai, o avôzinho" e tentamos libertar-nos. Acho que até foi o pai que nos libertou... Assim que ficamos libertas, eu peguei no fio e beijei-lhe a medalha. Ela ficou com os olhos cheios de lágrimas e ficou para morrer. E eu peguei-lhe na testa e dei-lhe muitos beijinhos.
domingo, 15 de julho de 2018
As últimas duas semanas custaram-me como eu saberia que iriam custar e ainda mais - mas este regresso a casa está a ser o mais pesado possível e a deixar-me completamente atarantada no meio de toda a dor profunda que vejo no meu pai. Sentir uma fortaleza a cair não é fácil e saber que o nosso futuro está dependente de uma pessoa que está a tentar dar o seu melhor sem saber o que fazer... O meu peito explode de dor e não sei como é que ainda não vomitei. Queria fazer mais mas não sei o quê. Queria dar mais que a minha opinião. Tenho tanto medo do que está a acontecer.
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