quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019


A falta que me fazes. A falta profunda que me (nos) fazes. As coisas que não dissemos. A forma como me dói tanto, ainda, a tua ausência física. A dor profunda do como tudo aconteceu. Continua a arder tanto. 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Quanta pedra é que foi preciso partir para chegarmos até aqui?

Desde a sessão da semana passada que o medo não me abandona, posso não ter falado mais no assunto, posso estar a reagir como se não se tivesse passado nada, mas continuo a preferir não estar acompanhada, continuo a deitar-me e sentir os espasmos no meu corpo, as lágrimas a correr na minha face, a dor gritante que me envolve. Continuo a sentir-me presa, no medo daquele momento, da conversa não terminada, o assunto inacabado, o segredo, a pedra no sapato. Está lá sempre. Está, sempre, em tudo. E dói sempre, cada vez mais. Viver nesta teia de aranha custa cada vez mais e eu continuo a perpetuar tudo isto por medo de simplesmente sair. Questiono-me, muitas vezes, sobre como o fazer. Questiono-a, muitas vezes, sobre que caminho seguir. Porque já percebi que quero conseguir sair disto, que viver nestas amarras me está a destruir. Gostava de conseguir sair de todos os segredos que me envolvem, de ser capaz de os destapar e mostrar a verdade - e lembro-me da dor, sempre da dor que está presa no meu peito e de ter dito que a verdade é que faz crescer, que estou a perpetuar uma mentira e que, apesar de não querer ter este poder e não me sentir bem com ele, continuo a agir como se estivesse tudo bem e que isso não lhe faz bem. Disse-me que eu estava a destruir... Abanou-me com tanta força que eu ainda estou desequilibrada - e magoada. Acho que também me magoou muito. Não esperava ter ouvido o que ouvi esta semana. Esta dor não me vai largar mas, como disse, vemo-nos para a semana. E eu sou mais forte do que julgo. E eu tenho que arranjar coragem - e palavras, porque me disse que tinha que ser com as minhas palavras - para ter uma conversa que não quero ter. Porque não posso só ouvir que não é bom, tenho que dizer que não podemos viver mais assim - tenho que acabar com os "não faz mal" que digo sempre que acontece. Porque faz mal. E abanou-me tanto que me sinto absolutamente partida. É precisa muita coragem para continuar a fazer isto - mas tenho noção que se não o fizesse, não era capaz de lidar com metade. Porque continuar a meter para debaixo do tapete e a ignorar o que, no fundo, está à vista de todos, não pode continuar a ser a dinâmica. E eu tenho que vestir o papel que não deveria ter e ser a adulta nisto, e é isso que esmaga tanto. Sinto-me esmagada.
Disse-me que eu não podia ter medo de pedir ajuda - e eu não tenho, ali - e eu lembrei-me muito disso quando, ontem, ouvi a minha voz a dizer claramente, que precisava de ajuda. Foi um grande passo para mim. Disse que eu tinha que lutar, que arregaçar as mangas, que dizer que precisava, ir atrás, não desistir... Deu-me a força que eu não estava a sentir porque eu só sentia que não chegava para mais. Disse-me que eu tinha que ser clara, que tinha que dizer que não sabia o que faria sem a bolsa, se não teria que desistir de tudo... Porque era (é) o que eu sentia. E, por isso, tinha que o dizer - ela, mais que ninguém, tinha que saber. Disse que eu tinha que batalhar pelo meu artigo, que tinha que questionar, ser chata e não largar a vontade que tenho de ir mais longe e fazer mais. Por ser injusto, por ser difícil... E eu tentei, eu disse e eu fiz tudo até ter paralisado, como me acontece tantas vezes, e ter as palavras a gritar na minha mente mas sem serem reais, dentro de mim eram gritos, fora era o silêncio. Pedir-me desculpa e assumir a culpa era o mínimo. O facto de ter passado ao próximo objetivo da lista e eu ter permanecido calada... deixa-me arrasada - a minha atitude deixa-me arrasada. Nem sequer conseguir questionar se não vamos nem tentar enviá-lo... Apesar de sentir que toda a reunião me deixou mais tranquila e que tenho um caminho traçado para percorrer até à entrega do projecto ao centro de investigação, depois à Fundação e depois, mais tarde, à faculdade... E que, tudo isto, vai sendo melhorado ao longo do tempo, não deixei de me sentir uma miúda pequena e sair de lá e fechar-me na casa de banho. Fiquei de pé, encostada à porta fria, até conseguir aceitar que houve uma parte importante e sobre a qual batalhei tanto desde o final da minha tese de mestrado que - sem culpa minha e que poderia ter atingido - não vai ver a luz do dia, por agora. Por isso, tenho que me focar nas partes deste projecto que posso atingir e nas quais tenho controlo absoluto... Sei que ter um projecto melhor, este ano, do que aquele que tive o ano passado, era um dos objectivos desde que o entreguei e que, durante muito tempo, não me sentia a atingir. Não quero ter um projecto mediano qualquer, quero que seja uma coisa mais estruturada, pensada e consistente. Quero que existam críticas diferentes - porque tenho noção que vão existir -, quero que eu possa sentir - quando o entregar no final de março à fundação - que fiz melhor, que dei o que tinha e não tinha e que fui capaz. E termos falado no facto de a resposta poder vir a ser negativa e ter-me dito que existia um caminho se eu quisesse prosseguir no doutoramento mesmo nesse sentido, ajudou a acalmar as minhas dúvidas cada vez maiores no "e se...?". Vou focar-me no que tenho nas mãos, vou fazer um bom trabalho, vou ser capaz. Só não posso focar o meu pensamento naquele pedaço ao qual dei voz - só ali, sempre ali - de sentir que estava a ser boicotada, porque a culpa disto não estar feito não é minha... Dói muito. Dói muito trabalhar e não colher os frutos desse trabalho. É duro reagir desta forma, paralisada e depois a passar por cima, como se não valesse a pensa sentir-me zangada - e, no fundo, não vale, porque não é isso que me trará uma publicação no currículo...

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

"E, espantem-se, talvez os psicólogos sejam mesmo para malucos, para todo aqueles que são malucos por crescer, por se desenvolver, por se conhecerem melhor, para os malucos que querem desconstruir os seus medos, as suas angústias, tudo aquilo que de alguma forma é mais escuro dentro de si. Assim, se pensarmos bem, talvez os psicólogos sejam mesmo para malucos, aqueles malucos que querem ser cada vez mais autênticos, melhor consigo próprios."

Talvez acabe por ter coragem de processar tudo o que se passou na segunda feira. Ou talvez não. 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Mal deitei a cabeça na almofada desabei completamente. Já não era eu. Eram lágrimas, eram tremores no corpo, espasmos, soluços. Não esperava que fosse assim. Não esperava nada disto e assustou-me. Eu sabia que tinha saído com uma vontade de chorar incontrolável. Mas também sei que consegui afastar essa sensação e focar-me, o melhor possível, e trabalhar no resto do tempo. E, por isso, não esperava...
A dor que sinto dentro de mim é inexplicável. E eu pensei muito, às voltas na cama, ontem à noite, sobre como é que se pode pedir ajuda quando não se sabe o que dizer. Quando as palavras doem tanto, quando o silêncio impera sempre mais forte. Demorei mesmo muito a adormecer ontem. Tive uma noite para lá de horrível. Estava sempre a acordar com a sensação de que estava a chorar. Estava sempre a acordar com um peso enorme no peito. Estava sempre a limpar as lágrimas, com medo que fossem vistas. Há lágrimas que não devem ser vistas porque não são possíveis de ser explicadas. 
A semana passada vivi angustiada com a dificuldade em compreender tudo o que tinha acontecido - e a saber que tinha uma necessidade profunda dessa compreensão. E acalmou-me ontem quando disse que não fazia mal não me lembrar porque nos íamos lembrar as duas. Não reviver. Só fazer um esforço para voltar e perceber o que me tinha deixado num estado tão triste. Acalmou-me, também, quando disse que eu tinha que agarrar a tranquilidade que me trazia enquanto estávamos juntas porque é tão profundo e verdadeiro... Por muito que tudo doa, estar acompanhada, deixa-me menos insegura. Faz-me sentir mesmo verdadeiramente importante, ouvida. Viver nesta violência extrema, como lhe chamou, de existirem coisas ditas sem serem ouvidas, apreendidas... Viver neste contexto vem acompanhado de muita insegurança, muita dor, muita tristeza acumulada. É de uma violência extrema ignorarem, desmentirem, porque a Rosa disse! É muito pior eu ter dito e não ter sido ouvido, ter sido ignorado, ter havido uma negação completa... E diz-me, tantas vezes, que tem a certeza que está tudo lá e que, tal como eu, também não se esqueceu. Mas eu não sei, eu não consigo saber porque eu não sou outra pessoa, só sou eu... E eu não sei como lidar com tudo isto porque não sei como lidar com nada. Sinto mesmo que cheguei a uma encruzilhada em todos os caminhos que percorro e que não sei sair de lado nenhum, não sei como lidar com nada, não sei como resolver nada.
Entretanto, muito a medo, perguntei se achava que eu me fazia de vítima... E demorou a responder, demorou mesmo muito, e acho que não pode ter compreendido totalmente a minha questão porque a resposta não fez sentido - não faz, agora que penso nela... Foi inesperado ouvir que estava só a tentar ser a filha, no meio de tudo isto. Porque estou a ser constantemente colocada num papel que não é o meu, a ter um poder que não quero ter, a viver uma tensão que não quero viver. 
Sinto que tudo isto está por terminar. Sinto que preciso tanto ou mais de percorrer este caminho que no início, quando o comecei, e sinto que vai doer tanto mas tanto daqui para a frente. E, tal como disse no final desta sessão, dói-me tudo.