sábado, 31 de dezembro de 2016

I: «Sempre te vi como um monte de sorrisos e boa disposição. Era por isso que procurava estar onde estavas. Não sei se alguma vez reparaste na minha presença até àquele dia em que deixaste que eu me mostrasse. Até àquela noite em que mudou tudo entre nós. Em que me viste, como eu deixo que poucos me vejam, e em que me fizeste rodopiar no meio da Alameda e me fizeste sentir um bocadinho mais pessoa. Foi a partir desse dia que eu percebi que tu ias ficar comigo, no matter what. Porque tu querias ficar. Porque mesmo que não houvesse notícias todos os dias, tu vinhas perguntar-me como estava. Vinhas mostrar-me que eu era importante. E continuas a fazer isso, com uma mestria que poucos sabem. Continuas a mostrar-me que estás aqui. E eu tenho que dizer isto, embora já o possa ter dito muitas vezes, mas tu tens que saber. Tu salvaste-me. Não há muitas pessoas que cumpram à risca o que prometeram mas tu fizeste-o. Tu prometeste que ficarias comigo o verão inteiro e ficaste. Tu prometeste que não me deixavas e eu nunca me senti abandonada por ti. Se eu já te amava como se ama um irmão agora ainda o sinto mais. Quando te digo, tantas e tantas vezes, que és das melhores coisas que me aconteceram este ano eu não estou a brincar. Sem ti perdia-me, ainda mais. Se é que isso era possível. Obrigada por me fazeres acreditar que é possível sentir-me inteira, um ser humano. Obrigada por nunca desistires de mim. Este foi o nosso 2016. Eu estou completamente pronta para abraçar o 2017 e todos os outros anos que se sigam se estiveres comigo. 
Amo-te, rebento lindo. És a melhor coisinha que me aconteceu. 🍀🍀»

She: «Omg que lindo, nunca tenho palavras para as coisas que me dizes, mas agora fiquei mesmo emocionada. Tu foste das melhores pessoas que apareceu ma minha vida e me ajudou em momentos difíceis e sinto que vais sempre estar aqui. Amo-te pela sabedoria que me dás e pelas palavras que sempre me aconchegaram. És importante, nunca te esqueças disso 💚💚💚»

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Disseste que me querias ver até ao final deste ano e estivemos frente a frente, com o rio dos dois lados e o céu a escurecer. Primeiro rosado. Azul. Depois aquele alaranjado que tanto me faz ter a certeza que o dia seguinte vai ser melhor. E ouvir-me. E ouvir-te. E ter a certeza que crescemos, como duas pessoas que não têm nada em comum mas têm tudo. E foi um prazer enorme deixar-me fotografar por ti, com os olhos e com a alma, com a máquina do telemóvel e com a certeza de que viemos para ficar. Tenho muita certeza disso, estamos mais próximas que nunca. E na próxima quarta quero ver-te de novo.
«Não tenhas medo dos caminhos sinuosos que possas estar a percorrer. Sejam como forem, eles serão sempre teus. Serão sempre os teus caminhos. E não há nada mais seguro que o próprio chão que tu estás a construir para a seguir pisares.»

Quando há frases que me fazem perder o medo de dizer o que sinto e a seguir a magia simplesmente continua. Que se mantenha, é o que peço. Às madrugadas de conversas verdadeiras e ao teu regresso à minha vida. 

sábado, 24 de dezembro de 2016

Só sinto um vazio... Não sinto realmente Natal dentro de mim e não sei porquê. Espero que à medida que a noite passe comece a sentir-me de outra forma... Porque estar vazia por dentro na véspera do dia de Natal é triste.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Não estava à espera de te ver. E não estava à espera de te ver depois de estar a chorar, com tanta dor. E não estava à espera que o teu abraço fosse colar, minimamente, os meus pedacinhos todos partidos. Como todas as segundas feiras. Obrigada, por teres um abraço que cura. Só queria ter ficado ali, dentro do teu abraço. Gosto muito de ti, mesmo muito.
Obrigada por teres estado comigo ontem. Obrigada pelo silêncio e por olhares para o rio comigo. Obrigada por me deixares falar e por teres repetido várias vezes que sou forte. Eu não sou aquilo que tu achas porque não vives dentro de mim... Mas obrigada por estares. Não ajudou completamente mas também não fez pior.
A sessão (só) é boa quando te faz escrever porque só escrever que te faz pensar. Falar não resulta, sem ser lá. Deixar que as lágrimas caiam enquanto falo não é um processo de cura, de reorganização de pensamento, de deixar que as gavetas se fechem com cuidado. Só escrever, escrever, escrever. Só assim a dor consegue apaziguar. Escrever para pensar. Escrever para acalmar a revolta interior. Escrever para curar.
«Olho para mim como se não fosse eu, como se estivesse a ver-me noutra pessoa. Olho para mim de maneira tão indiferente, às vezes até reparo mais  numa mera pessoa pela qual passo na rua. Vivo a minha vida da mesma forma, como se não estivesse a vivê-la verdadeiramente, vivo como se estivesse apenas de passagem. Como se não fosse responsável pelas acções que realizo, pelas decisões que tomo e pelas palavras que me assomam na garganta e que deslizam pela minha boca. Não me sinto responsável por mim e pelo meu caminho. Ou, pelo menos, não sentia até aqui. Até à altura em que decidi que não aguentava mais viver a minha vida como se não fosse minha. E agora tenho descoberto que há razões pelas quais sou como sou e vivo da forma que vivo. Há dores que guardo no peito e nem sei que existem. Só vou percebendo aos poucos, uma hora de cada vez e com muito trabalho de raciocínio à mistura. E é por isso que digo tantas vezes que não quero estar sozinha. Estar sem esta forma de (me) perceber é estar sozinha. Desculpem aqueles que sentem que me apoiam infinitamente, não diminuo, de todo, o trabalho que têm em encontrar tempo no meio do vosso tempo para me dar tudo o que têm. E não é, de todo, não precisar do que têm. Mas a verdade é esta; eu preciso de perceber coisas em mim que os meus não me conseguem explicar. Eu preciso desta bengala para conseguir andar. O meu espírito está tão velho como já ouvi dizer que o sentiam. Rasteja em vez de caminhar seguro. Aos vinte anos é suposto sermos donos de nós e donos do mundo. E eu, sou dona de quê se nem a mim me tenho? Estou velha por dentro, preciso de me renovar. Preciso de retirar todo o oxigénio e sangue de que sou feita, fazer-me uma transfusão. Ensinar-me a guiar a minha vida como nunca soube. Fechei-me no quarto, fechei-me dentro de mim e não me permiti a sair. Durante anos e anos seguidos. Presa em mim mesma, presa por mim mesma. Não foi ninguém que me fez isto, fui eu que fiz isto comigo. E aprendi a viver assim, nesta espécie de dor total em que não sei aproveitar o bom. Em que não consigo resolver completamente um problema por que há um fundo de masoquismo em mim que não me permite largar totalmente. Preciso de sentir dor para me sentir. Preciso de sentir desassossego para acreditar que estou viva. Não sei sair desta roda de negativismo onde me lembro de viver desde sempre. Quero aprender a olhar para o mundo com outros olhos, limpos desta fase negra onde me instalei e sei que tenho que começar por mim. E é por isso que fiz isto, é por acreditar que tenho que começar por mim que realmente comecei. Só que o processo de mudança de um comportamento instalado é tão lento que não consigo ver nada... E vou perdendo a esperança de me ver por aí, a enfrentar a vida, completamente segura de ser quem sou.»

domingo, 18 de dezembro de 2016

Tenho medo. Tenho tanto medo que nem consigo raciocinar. Tenho tanto medo que já nem consigo dizer nada. Só consigo sentir medo, medo e raiva. Medo.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Espero que ontem a meia hora que passou a uma hora e meia te tenha ajudado. Te tenha ajudado a perceber o que se passa contigo. Teres dito que eu sou a pessoa em quem mais confias, depois de tudo. Teres dito que vais demorar muito a encontrar uma mulher decente, depois de mim. Depois de tudo. Não compreendo como é que não vês o mal que eu te causei. Deixei-te um buraco aberto no coração, um desgosto brutal. Eu vejo isso. Como é que não vês? Eu escolhi-me a mim em vez de escolher a relação que tínhamos. Eu deixei-te porque não conseguia aguentar mais a explosão dentro de mim, eu escolhi a minha sanidade mental (encontrá-la) em vez de ti... E tu dizes estas coisas... Não entendo essa cabeça. 
Esta semana (e a semana passada) foram tão fortes que senti que o tempo de escrever sobre isso não ia acontecer tão cedo. Estava a viver - estou. A curtir as palavras e a deixar de ter medo delas. Ou só a tentar. Mas tentar já é um começo. 

Saber que me conheces e que sabes perfeitamente porque é que não digo o que sinto é um alívio enorme. Saber que me conheces simplesmente, que estás. E que cuidas de mim mesmo quando não podes estar. Que não deixas nada por mãos alheias e que pedes ajuda, por mim, para mim, para não ficar sozinha. Saber que ia sair de lá sem te ter "cá" fora estava a assustar-me e a assustar-me muito. Mas ver que tomaste providências para que isso não acontecesse só me fez sentir um amor imenso dentro de mim. És a melhor pessoa para ter comigo, és mesmo. E um dia de cada vez vamos lá chegar. Eu prometo que vou aprender (mais) a cuidar de mim, que vou parar de ver a minha vida a passar e que vou chegar-me à frente para resolver os meus problemas que só eu é que posso resolver. Eu prometo que vou fazer isso, não podes chorar mais por causa disso. Eu prometo, só preciso de tempo.
Ela estava de óculos. Pretos. A falar com alguém. Eu ouvi a voz dela. Levantei os olhos. Estava a falar com o João. E ele viu que era ela. Eu vi que era ela. Senti que ela olhou para nós, numa fracção de segundos. Continuamos a andar, uns para a frente, os outros para o outro lado, e as minhas pernas ficaram a tremer. A Leonor está viva, pensou o meu cérebro.

Ele olha para mim, sorri e diz "há coisas que não mudam." e eu continuo a andar em frente, a respirar fundo, porque sim, há coisas que não mudam. Percebi isso claramente ontem.