Não me encontro a desistir de ti, juro-te que não. Simplesmente estou a deparar-me com o facto de ter a certeza que te irei fazer sofrer, e muito, daqui a bem pouco tempo. O problema é que tu me colocaste num pedestal que eu não mereço estar. Tu achas que eu sou uma pessoa que não sou. Ou eu penso que tu achas isso. Simplesmente porque colocas em mim todas as esperanças que tens ... Tu achas que eu vou conseguir ultrapassar isto e eu sei, bem dentro de mim, que tenho um longo caminho a percorrer. Que não o conseguirei ultrapassar para já.
Tu achas que eu sou alguém melhor, e eu não sou. Eu deixo que os erros e o medo do futuro, do passado e até do presente me roubem à felicidade que sinto. Deixo. E sinceramente? Não me importo muito que isso aconteça; ou, pelo menos, é o que parece aos outros. Eu importo-me. Simplesmente não mexo um dedo para mudar porque não consigo, porque não sei qual é o próximo passo que tenho que dar. Porque não sou capaz.
Sinto-me a arrastar-te para uma guerra, para um precipício, para um buraco fundo ... E quero salvar-te. Quero que não venhas comigo porque quero que sejas feliz. E sinto que te farei muito infeliz dentro de pouco tempo. E o que menos quero no mundo é fazer-te infeliz. Eu quero dar-te o melhor sempre. E sei que não o conseguirei fazer dentro de pouco tempo. E tudo isto está a dar cabo de mim, aos poucos.
E não, eu não falo disto. Sabes? Eu tentei, eu tentei começar a falar. Quando te olhei nos olhos, sentada à tua frente, tentei explicar-te tudo isto que sinto. Tentei mas não consegui porque tive medo que não entendesses na plenitude o emaranhado de confusões e nós em que me encontro.