terça-feira, 31 de outubro de 2017

Cada vez que tomo atenção ao que efetivamente sinto dentro de mim todos os dias fico assustada, fico mesmo assustada. E hoje declaro que não consigo mais lidar com o peso brutal que sinto no meu peito. Dói demasiado para continuar a estar acordada. Dormir há de ajudar.
Estou a chegar ao final deste ano com as duas coisas da minha lista de três objetivos para o novo ano quase concluídas. Analisando-as concretamente sei que agora ainda não estão as duas absolutamente fechadas e é isso mesmo que planeio fazer até que dezembro termine. Foco absoluto em preparar a apresentação da tese, foco absoluto em dar o meu melhor no dia em que a for defender. Foco absoluto em perder o medo de conduzir um carro. Se tenho a carta, tenho que ser capaz de conduzir. Perder o medo vai ser essencial para o meu futuro e eu vou começar agora. E depois... foco e fé nas próximas semanas, a data está marcada e vai acontecer e a partir daí depois vemos o que fazer. E quando eu arranjar trabalho e estiver estável financeiramente no meu cantinho... retomar a terapia será um objetivo prioritário ou talvez nem seja. Um dia de cada vez até chegar a altura de tomar essas decisões. E talvez consiga perfeitamente estar sozinha no entretanto, nos meses de procura que estão aí à porta. Talvez queira mesmo experimentar se me aguento sozinha. Tenho medo, tenho muito medo, mas também sei que mereço uma oportunidade. Se eu começar a arranjar objetivos pequeninos para cumprir e os for cumprindo devagar, vai correr tudo bem.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Não esperava, mesmo, o que aconteceu ontem à noite e saber que o resolvi - pelo menos na minha cabeça - não me retirou a sensação de pânico e aperto. Não consegui acalmar-me nunca mais. Dormir assim é uma tarefa quase impossível e extremamente dolorosa. Parece mais que passei uma noite quase em claro. Estou com medo da conversa que vamos ter mas na minha cabeça tínhamos mesmo que falar. É um assunto demasiado importante para eu o carregar sozinha - tem que dividir o peso comigo. Não há escapatória possível.

Tentei repetir muitas vezes para mim própria que tinha que me acalmar, que tinha conseguido resolver sozinha e que já estava feito. Só que não consegui. Sinto-me fraca. Pensei em tomar um comprimido para dormir depois de umas horas a negar deitar-me e de outras tantas a sentir aquela dor, às voltas na cama. Não me levantei, não tinha forças. Não tomei apesar da fraca noite de sono. Acho que essa é outra pequena vitória. 

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

A melhor parte da rapidez desta semana é ainda não ter conseguido tocar completamente na ferida que sei que está cá dentro. Porque em muitos momentos dos dias a correr me lembro que é uma informação que está ali, que já tenho comigo e que tenho que assimilar dentro de mim. Porque lhe ouço a voz. Porque ouço a minha própria voz a tremer ao responder. Porque me lembro de segunda à noite ter parado e pensado nisto tudo e ter tremido incontrolavelmente durante vários minutos. Uma coisa de cada vez. 

Estou assustada agora que falamos nisto... Mas não tem que estar. Sabíamos que ia acontecer e ainda falta algum tempo. Vamos falando no assunto, devagar.

Não vai desaparecer, já repetiu isto tantas vezes e eu continuo sem saber o que é que isso quer dizer na prática... Só tenho muito medo de estragar completamente um ano e meio de avanços ou pequenos avanços e começar a destruir-me por dentro novamente, quando terminar... A data está marcada. Não quer dizer que aconteça logo, tal como me disse, não quer dizer isso. Mas deixa-me assustada que esteja marcada. Uma coisa de cada vez. Respira fundo. Não entres em pânico. 
Esta semana passou completamente a correr e o tempo que eu tinha para respirar, não o tive. Não o tenho, ainda agora, apesar de ter conseguido parar um bocadinho no meio do stress que tem sido ultimar tudo para imprimir a tese. Foram largos meses de sacrifício e os últimos dias foram vividos em aceleração constante e stress máximo com as lágrimas a rebentar nos olhos várias vezes, com um peso constante no peito e com um peso mesmo muito grande nos ombros. Paro agora porque, apesar da noite muito mal dormida e do que senti logo que abri os olhos, sei que posso respirar, um bocadinho, melhor agora. Paro agora enquanto ainda tenho os dois documentos abertos para a revisão das últimas coisas e respiro. Porque preciso de respirar para que o aperto que sinto cá dentro, da correria dos últimos dias e das coisas não pensadas, acalme antes que eu me passe e entre em pânico. Respira, está quase tudo preparado e foste tu. Tens sido tu a guiar o teu futuro. És mais que capaz.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Três meses sem ti, Chester. E ainda dói. 

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Esta espécie de catarse estranha. Este misturado de frases fez-me acalmar de uma forma que ainda nada tinha feito. Ou talvez seja só o efeito de segunda, que acalma a doer muito, e que se mantém terça. Talvez esteja meio dormente e daqui a pouco volte tudo em triplicado. Por enquanto tenho uma bomba relógio a contar o tempo na minha cabeça. Tic-tac. Por enquanto tenho um décimo, apenas, do aperto na garganta. Por enquanto acho que nem dormir me ajuda. Então o que é que me ajuda? Como é que eu me ajudo?  

Esta semana perturbou-me e afectou-me muito. Sinto que ainda estou a apanhar bocadinhos de mim do chão. Está zangada com o pai. Desiludida com ele. E a aprender a cola-los, sem saber bem onde. Está zangada comigo ou consigo? Com as duas. Por termos falado nisto. Porque eu nunca tinha falado nisto ou procurado dar-lhe um nome. Mas era uma coisa que sempre esteve lá. Só lhe demos um nome. E agora já não dá para ignorar. Está ali e eu posso tocar-lhe. Não há magia que resolva isto. Preferia a altura em que não via porque acabava por passar ao lado. Por ser uma ferida aberta, que não fecha. Como é que eu fico bem? Podemos saltar para a parte em que eu fico bem? Não é por artes mágicas que fica tudo bem.  O que é que eu faço para me defender? Eu sou a mais fraca. É uma angústia? Como é que eu tiro este peso de dentro de mim? Lá está, a querer fugir. Porquê a culpa? E quando é que eu não me culpo? Como é que eu resolvo isto? E está a perguntar-me a mim? Posso ter essa responsabilidade e aparentar essa força, que eu nem sei se é força, mas vou ser sempre a mais fraca dali. Há uma sensibilidade muito grande, sente que tem que cuidar dos pais. Está a pagar? Sentiu como uma ameaça? Acha que lhe vão fazer mal a ela? Eu sei, eu sei. Estamos aqui numa coisa muito importante. Eu percebi, nas últimas semanas, que só depois de sair de casa e ter o meu espaço é que vou conseguir libertar-me disto. Precisa de ter um espaço seguro para o qual voltar. Precisa de garantir a estabilidade e a segurança. Então e o futuro? Então e todo o futuro? Qual é o mal de ter um projeto de vida com uma mulher? Vai estar a pagar uma dívida o resto da vida? Lembra-se quando eu fico revoltada por ver? Estou assim e queria não estar. Quero ficar bem. A grande questão aqui é que não confia. Não confia neles. Como é que espera que eu confie depois de tudo? É desconfiada. Não confia, sobretudo, nela. Quanto a esse assunto, vou ser sempre aquela criança de 14 anos. Não, vai levar-me consigo dentro de si. Sinto que estou a viver duas vidas e que sou duas pessoas. E isso é muito doloroso, carregar esse segredo custa muito. O ambiente está a tornar-se tóxico, porque agora vejo tudo. Porque é que não se deixa ser quem é? Desde que entrou aqui pela primeira vez já percorreu um bocado do caminho, tem vindo a aceitar-se. Eu estou atenta. Só observo. Não consigo suportar muito mais tempo. Fala-se mas não se diz. Anda-se às rodas. Mas elas sabem. O problema não é o que vou dizer mas o que eu vou ouvir. Eu sei que vai acontecer assim. Eu já passei por isso. Cuidar dos pais, cuidar da irmã. Não quer que ela passe pelo mesmo. Eu não me sei defender. Ninguém tem a certeza da reação. Eu vou ser sempre aquela miúda que chorou no sofá. Vai explodir, um dia vai explodir. E depois como é que vai ser quando explodir? Vai levar tudo à frente? Nós vamos sempre ter ali, dê por onde der, vamos lá bater. E é disso que tem medo?   

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Esta semana está a custar-me tanto, está a custar tanto a passar... Está a doer-me tanto caminhar, um passo a seguir ao outro. Mas continuo. Não sei como mas continuo. Aparentar estar bem. Ser feliz nos bocadinhos que consigo sê-lo. Continuo. Sem saber como, esforço-me por sorrir, por ser feliz aos bocadinhos. Está a doer-me muito perceber que já  me sei escutar e que só isso não chega porque mesmo quando me escuto não sei o que fazer a seguir. Não sei como melhorar as dores internas que esta semana está a trazer ao de cima, que já existem há tanto tempo e que esta semana está a transportar para a frente da batalha... I'm holding on... Why is everthing so heavy?

terça-feira, 10 de outubro de 2017

«Cresceste mais num ano do que a maioria das pessoas cresce até chegar à tua idade.»

És cada vez mais importante e maior em mim. Devo-te muito. És das melhores pessoas e sou uma sortuda por saber que te tenho comigo. Acredito que és para sempre.
«Eu acho que, apesar de tudo, é melhor serem assuntos do que não assuntos.» Mesmo quando dói muito, não me deixa fugir. Porque não há como fugir, não é? Obrigada por estar sempre ali.

E como eu começo a perceber que a minha vida está cheia de não assuntos... E o quanto isso me dói.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

O truque é - e sempre foi - ter a voz do Chester mais alto que os meus pensamentos. Quando me foco na voz dele custa menos.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Obrigada por estar sempre lá para me ajudar a compreender o que sou e a forma como reajo - às vezes mal - às coisas. Obrigada por me fazer rir com ideias que fazem todo o sentido, por me mostrar que não concorda quando acha que estou a fazer disparates, por me dar força quando vê que eu preciso, por me fazer ver mais profundamente do que vejo, por me deixar falar e deixar chorar. Não tenho medo de chorar ali. E por me dizer que sabe que dói, que sabe que é injusto, e sempre, mas sempre, que está ali. Esta sensação de confiança absoluta e brutal não poderia ter sido construída com mais ninguém. Por me fazer crescer. Sobretudo e sempre isso.