quinta-feira, 30 de novembro de 2017

E sabe que vai ter que chegar a essa guerra... Não é uma guerra, é mais um confronto... Mas eu odeio confrontos. Eu sei [quase inaudível].

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Desde que saí de lá de dentro, só queria chorar. Mas decidi que ia ser mais forte, e fui começar a trabalhar. Estava na biblioteca com as lágrimas a queimarem-me tanto os olhos que quase não via o que escrevia. Até que pensei que não podia ficar assim. E foi no caminho para resolver esta questão que voltei a vê-la, e sorrimos. E depois percebi que não poderia mesmo ficar assim e fechei-me na casa de banho até me acalmar. E quando estava a sair da faculdade voltamos a cruzar-nos e a sorrir. E desde aí que tenho medo de ainda ter os olhos inchados, porque reparei que estavam completamente inchados quando saí da casa de banho. Cerca de vinte segundos mais tarde, quando voltamos a cruzar-nos, só poderia estar igualmente inchada. E depois penso que já me viu chorar tantas vezes e não vale a pena deter-me em pensamentos destes. Mas são melhores estes, do que os outros todos. Mais dois sorrisos queridos para a nossa coleção de sorrisos sem falar porque já falamos o suficiente quando nos fechamos lá dentro.
Eu não aguento sentir isto e não sei o que fazer para que passe. Eu só quero que passe. Digo muitas vezes a mim própria que tenho que me acalmar. Tem calma, Rosa. Está tudo bem, tem calma, está tudo bem. Não tens motivos para estar assim. Oh Rosa, a desmentir como todos fazem? Tem motivos sim, claro que tem motivos.
Há uma hora escrevi "à noite quando for dormir a minha luta é outra." e fui imediatamente esmagada pelo peso das palavras que escrevi - não estava à espera que doesse tanto porque era apenas uma resposta a uma mensagem que não tinha importância. Ou tinha, porque tem. 

Hoje de manhã disse que não sabia qual tinha sido a minha última boa noite de sono, e é verdade. Não sei. Não me lembro da última noite em que me deitei para dormir e tive uma noite tranquila, sem nenhum problema. Sem medo de me deitar. Sem medo de ficar no escuro. Sem medo de andar às voltas na cama com as lágrimas a cair. Com o peito a arder. Com a sensação de dormência nas pernas. A sentir que vou deixar de respirar a qualquer momento. A respiração funda e ritmada como companhia, as lágrimas quentes na cara, a esfriar a almofada, as mãos a apertar o peito, o cérebro a gritar que não tenho motivos nenhuns para estar assim e tenho que me acalmar. Tudo e mais alguma coisa a vir-me ao pensamento. Todas as noites penso que me deveria levantar, que deveria de ir tomar alguma medicação para me acalmar. Não posso continuar assim, tenho que conseguir dormir mais rápido. A verdade é que tudo isto demora duas ou três horas no máximo. É quase nada. Costumo dormir cinco, seis, sete horas, por noite. Não é uma insónia total. Não é uma noite em branco. Pode só causar pesadelos. Sonos leves em que parece que não durmo nada. Sonos trocados, dores na cabeça, no peito, cansaço extremo. 

Portanto, à noite, quando for dormir, a minha luta será esta. Tal como tem sido em tantas outras noites antes desta... já lhes perdi a conta.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Não sei o que se está a passar comigo, na verdade. Estou a estranhar a sensação de tranquilidade que se abateu sobre mim desde meio da sessão (desde aquela parte em que disse que já me sentia verdadeiramente presente e que agora nos tínhamos mesmo encontrado no mesmo sítio) e que se tem mantido presente durante o resto do tempo. Acho que desbloqueou o meu medo quanto ao que aí vêm em relação à tese e acho que isso me permitiu olhar para o trabalho que está a meio com outros olhos. O facto de compreender que eu ainda não tenho uma data marcada e que é normal que me sinta sem objetivos concretos, ajudou a instalar esta tranquilidade que, espero, não seja só em aparência. Ajudou que me tivesse relembrado todos os objetivos que tenho de seguida, assim que despachar a defesa da tese. Ajudou a acalmar-me. Não me lembro se já tínhamos, alguma vez, conversado sobre as minhas ideias de propostas de estágios, sobre as minhas ideias de transformação da tese em artigo, sobre tudo o que pode vir a seguir se pedir auxílio à minha orientadora... mas ter ouvido que tenho estas ideias - e que vieram da minha cabeça - fez-me sentir, um bocadinho menos, à deriva. Ajudou, muito claramente, ter sentido que fui ouvida quando disse que me sentia no vazio. Apesar de estar a esforçar-me para fazer coisas que me permitam não sentir tanto esse vazio, quando consigo ter energia e não estou letárgica. Não estou maluca, é normal sentir-me assim. Estou só francamente bipolar, tal como já escrevi aqui. Só não posso deixar-me levar por esta sensação negativa. É quase como se não quisesse viver os momentos de angústia que sei que vêm aí. Porque não me vai cair tudo no colo. Porque tenho que fazer por mim. E está a assustar-me ter que fazer por mim. Não saber se vou ter força e capacidade para isso. Ajudou-me, muito, que me tivesse feito perceber que eu absorvo todos os momentos menos bons que vivo em casa e que estou a assumir-me como quase derrotada logo de início, mesmo que não tenha qualquer experiência. Disse-me que eu não podia deixar-me levar pelo negro. E eu só consegui rir-me e responder que o meu cérebro era mesmo assim, só havia negro. Porque há poucas luzes. Já há mais; são em forma de vitórias pequeninas quando descubro mais um pedacinho da pessoa que sou feita. Sozinha não conseguiria, juro que não.
Ajudou quando me disse que sabia que eu me sentia isolada e sozinha, mesmo que eu nunca lho tenha dito. Que era normal sentir-me assim. Porque era o que me acontecia constantemente, sempre que dizia alguma coisa de profundo, era diminuída ou desmentida. Que me sentia constantemente atacada. Que eu apreendia assim as coisas que me eram ditas - e eu já começo a colocar em causa a forma como recebo o que me dizem, a achar que estou maluca, que não sinto bem, que não vejo bem. Começo a pensar se sabem o mal que me fazem. Porque não é gratuito. Não é para magoar. Então, só posso ser eu a culpada de receber as críticas - ou o que seja - de forma errada. Ajudou quando percebeu que me sentia humilhada e um bocadinho traída nos meus sentimentos. Que começava a colocar toda e qualquer memória em causa. Que tudo o que tenho dentro de mim não é - nem nunca foi - por causa da "questão da homossexualidade", como lhe chama.
Ajudou ter-me perguntado o que escrevi. Há uma liberdade muito grande em falar do que escrevo, do medo que tenho - quando tenho -, do adiar a escrita por medo do que iria sair. Nunca me senti ouvida desta forma em todas as vertentes que considero importantes. 
Ajudou, de uma forma muito inesperada, que me tivesse dito que íamos esquecer aquela data marcada na agenda porque não me queria deixar sozinha enquanto eu estava a passar por estes processos internos de uma forma tão pouco tranquila. Porque, com tudo o que está a acontecer comigo, era natural que estivesse tudo em ebulição dentro de mim. [Que está, tenho o estômago todo embrulhado.]

Ainda consigo maravilhar-me com a forma como vê e apreende aquilo que eu não digo. Isto sim, é uma boa magia. Acho que foi a primeira vez que saí ligeiramente colada. Vamos celebrar isso para a semana como mais uma pequenina vitória?
«So I'll be sorry for now
That I couldn't be around
There are things we have to do that we can't stand
Oh I'll be sorry for now
That I couldn't be around
There will be a day that you will understand»


[Quatro meses.]

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Desde o início da semana que quero escrever mas tenho medo de o fazer. Desde o início da semana que quero partilhar [aqui] para que seja possível que o peso diminua de intensidade; como se isso fosse possível. Estou aqui, sem saber como vai ser o meu futuro. Com receio que ele chegue e sem perceber que já chegou, uma hora após a outra e ele chega. Está a acontecer enquanto escrevo e enquanto ouço os acordes da guitarra e a voz do Tiago Bettencourt em repeat. "Dragão" em repeat
Não há palavras que façam jus ao que tenho sentido. Não há simplesmente. Os dias passam por mim e eu tento retirar deles o melhor que posso, ajuda quando tenho alguma coisa por que esperar. Ficar em casa a olhar para o nada, a ver um filme, a ver um episódio de uma série qualquer, não me ajuda. Ajudaria se fizesse parte de uma rotina mais larga que agora não tenho. Ajudaria se me permitisse esquecer brevemente o cansaço de alguns problemas diários. Sinto-me, agora. Sinto-me como nunca me permiti sentir-me. Sinto-me como não sabia que era possível. E sei-me, um bocadinho melhor do que há um ano atrás. Sei que neste momento [o pior é quanto tempo o momento dura...] estou naquela fase mais baixa do ciclo do "vai e vem". Naquela fase em que não consigo ter energia para nada, para além de sentir as dores que constroem quem sou. Sinto-me muito bipolar ultimamente e isto faz parte de dois movimentos internos que, agora, apercebo-me que existem em mim desde sempre. Um puxa para o futuro, quer ir, fazer, ser e acreditar que há algures um espaço onde consigo ser eu, plena e feliz. E o outro quer fechar-se dentro de casa, fingir que não cresceu [porque crescer não pode ser isto!] porque o desconhecido dói. E a obsessão com o primeiro movimento é por medo que o segundo permaneça. Sou feita de confrontos tão distantes quanto estes dois movimentos que parece que não poderiam coexistir mas coexistem em mim. Sentir isto ao mesmo tempo que sinto um aperto tão profundo dentro de mim que chega a doer... sentir isto ao mesmo tempo que tudo em mim arde, como ferida aberta que não sara. Também este aperto é uma parte do movimento "vai e vem". Às vezes, consigo esquecer-me que sinto este aperto horrível no meu peito. Às vezes. estou aparentemente normal. Às vezes... E nas outras vezes, choro sem motivo aparente quando deito a cabeça na almofada. Nas outras, sinto o escuro a abater-se sobre mim e estou às voltas na cama até que as lágrimas sequem. Nas outras vezes, não consigo falar com ninguém, quero que me deixem em paz e sinto que o melhor é desaparecer. O aperto torna-se tão forte que nem adormecer consigo - e só adormecer me permitiria deixar de sentir esta dor. Porque isto é uma dor profunda que não desejo a ninguém. Nas outras vezes acredito que nem respirar fundo me vai ajudar a que o aperto consiga diminuir. Nas outras vezes acredito que esta dor profunda fará sempre parte de quem sou e que o que sinto na garganta ficará. O pior disto tudo é sentir que, quando falo, não há quem perceba que estou neste ponto. Posso, em algumas alturas, ganhar coragem e pedir ajuda. Ganhar coragem e escrever estas linhas na esperança que libertem o peso que agora faz parte de mim... Mas nessas alturas... é como se ninguém visse, na mesma, o que digo. E os dias passam e continuo a viver comigo. Os dias passam e continuo a sentir-me na mesma mas não há mais conversa depois disso. Os dias passam e eu continuo a afastar-me o melhor que consigo de todas as pessoas que me poderiam dizer que percebem o que sinto mas não percebem mesmo nada. Vai ficar tudo bem? Vais ficar bem? Eu percebo o que estás a dizer? Não, não percebes. Não, não vai ficar tudo bem. Não, não vou ficar bem. Não sabem nada. Só quem sente um milímetro do que é viver com um aperto no peito pode opinar sobre isto tudo. Sobre o quanto dói. Sobre o quanto custa respirar. Sobre as vezes em que não queremos sair da cama e que nem sabemos como sair de casa. Sinto-me uma merda, fiz isto para que o aperto diminuísse de intensidade... Só que não aconteceu.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Não há nenhuma altura em que saía daqui e se sinta bem? Não, nunca. Nunca aconteceu. Saio sempre a apanhar cacos. Isto descola-me. Eu descolo-me. Nós descolamos-me. E eu tenho que me colar.


sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Odeio o aperto que continua instalado no meu peito, dia após dia. Odeio sentir que nunca vou respirar corretamente porque o ar não passa. Odeio tentar acalmar-me, repetindo mil vezes que está tudo bem e que só tenho que me tranquilizar. Odeio os tremores no meu corpo e os medos acumulados no meu peito. E odeio, profundamente, todas as coisas que ouço e a forma como me atingem. Quando era melhor eu ser surda... quando era tão melhor eu fingir que nada disto acontecia.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Fico sempre em casa à terça de manhã. Tento, pelo menos. Nos últimos tempos tenho-me sentido tão cansada sobre cada segunda feira que acabo por me permitir descansar no dia seguinte. A noite custa sempre, adormecer custa sempre. E, no dia a seguir, quando acordo, já é terça feira. O peso de segunda pode começar a desvanecer. Vai. Vai começar a desvanecer porque eu, mal acordo, meto-me debaixo do chuveiro com água muito quente e deixo que as lembranças ganhem voz... Voltam as frases misturadas e, aparentemente, sem qualquer tipo de nexo. Volta a doer o peito, volta a sensação de não conseguir lidar com nada. Enquanto a água quente me queima o corpo, as costas. Só saio debaixo do chuveiro quando sinto que consigo controlar melhor a minha respiração e que o peso não me vai fazer cair no chão. E depois está tudo bem. Só que não. 


As memórias recalcadas, sim, eu sei. Eu julgo que tem muito a ver com a dinâmica. Com o fazer um desmentido de tudo o que têm como assumido na dinâmica da relação. Com o mostrar que também tenho problemas, que sou frágil e que preciso de ajuda. Eu julgo que não é mentirosa. É mentirosa aqui? O que é que está a querer dizer? [silêncio da minha parte. Descobre o que eu queria dizer sem dizer e pergunta claramente.] Acha que havia essa possibilidade? Eu penso que não.
«Essa é uma excelente questão. E podemos deixá-la no ar como o fim da sessão desta semana. Porque é que eu não digo? Porque é que eu ainda não disse?»

sábado, 4 de novembro de 2017



«É tão particular o meu encontro quando é com você
O meu sorriso quando tem o teu pra acompanhar
As minhas histórias quando você para pra escutar
A minha vida quando tenho alguém pra chamar
De vida»

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Nos últimos dias há coisas que não saem da minha cabeça, que estão em mim desde o início da nossa história. Sempre as guardei comigo e tu sabes as minhas reticências em avançar. Não foi a primeira vez que deixei escapar tantas exclamações. Normalmente saem de mim quando estou mais em baixo, voltam à superfície e vêem a luz do dia e, sobretudo, fazem com que se torne muito difícil ver que sou a pessoa certa para estar contigo. E doem-me, doem-me muito. Fazem-me não acreditar num futuro brilhante. Fazem-me sentir que não temos muito mais para onde ir. Custa-me sentir-me assim tão alheada de tudo o que pensamos construir para nós porque só vejo o mal que faço e as dores que te causo. Dói-me de todas as vezes que te digo que não porque os monstros ganham sempre. Dói-me fechar-me e ser cada vez mais difícil abrir-me e mostrar-te que sofro com tudo isto. Dói-me não te fazer feliz como mereces.


Falarmos sobre isto uma tarde não ajuda em nada. Ignorares nos dias a seguir que tivemos essa conversa e que eu não estou bem, muito menos. Ignorares, tal como ignoras sempre que tenho algum problema e que preciso de sentir que te lembras do que falamos... Não sei o que mais fazer para que compreendas que os próximos tempos vão ser muito mais difíceis do que tu alguma vez equacionaste. Eu sou a pessoa mais difícil para estares. Se já me considerava antes, ao início, se tantas vezes te disse que era, a partir de agora sinto que serei mais e mais e mais. E depois... Não sei o que fazer mais para te explicar que as tuas atitudes não combinam com o que depois dizes. Não sei o que fazer mais. Por muito que diga que não falarei mais no quanto me custam as tuas atitudes, por muito que diga que o silêncio fará parte de mim, acabo por nunca conseguir ignorar o que tu tão facilmente ignoras. Torna-se mais fácil, com muita força de vontade, afastar-me de [ti] tudo quando me sinto atacada internamente... mas continuo a ficar muitas vezes, continuo a explodir vezes demais. Depois de dizer que apenas o silêncio ficaria arranjo mais e mais palavras. E mesmo que diga, agora, que regressei ao silêncio e que será o melhor caminho a seguir... Escrevi. E isso não é estar calada. Não é silenciar as minhas dores. Só, estou só. Estou sozinha. Estou completamente sozinha. Nas minhas dores e nas dores que te causo. Não sei o que fazer mais.