No final do ano passado prometi poucos objetivos a mim mesma. Queria ver o que conseguia fazer ao longo dos doze meses que tinha em frente. Tinha três objetivos principais (a tese, a carta e sentir-me bem comigo própria) e nunca pensei que fossem tão duros de cumprir - cada um à sua maneira retirou o melhor e o pior de mim.
Tirar a carta e conduzir um carro foi uma verdadeira batalha contra mim própria que nunca conseguiria sozinha - ter o apoio da minha mãe e ter o apoio semanal que nunca me faltou foram duas peças essenciais para que se cumprisse. Saber que estavam todos a torcer por mim mesmo quando eu não torcia. Houve momentos em que estive muito em baixo e em que quis desistir. E mesmo depois de ter a carta na mão nunca houve um só momento em que eu me parabenizasse por isso, por ter conseguido. Porque sei que o problema continua dentro de mim. Eu tenho que perder o medo de conduzir por ser surda e descoordenada, pela minha falta de equilíbrio e pouca rapidez na resposta. Perder a insegurança de me ver numa estrada e sentir que não conseguiria responder rapidamente a nenhuma situação. Desde que consegui ter a carta na mão que foram poucas as alturas em que me permiti entrar dentro de um carro e, às vezes, isso torna-se motivo de gozo e chacota mas não posso deixar que me influencie. Prometi a mim mesma que assim que terminasse o desespero da tese que voltava a puxar por mim própria para conduzir, voltava a minha luta de perder o medo do carro. E, pouco a pouco, estou a ir lá, já começo a pedir para pegar no carro e dar duas voltinhas. Ainda é curto, ainda é pouco. Portanto eu quero continuar este crescimento para o ano - quero ganhar capacidade para conduzir um carro. É um objetivo terminado no sentido de ter a carta na mão mas ainda não seguro. Será para continuar para o ano.
A tese e todos os seus desafios trouxeram ao de cima o pior e o melhor de mim. Descobrir que não estava a trabalhar com a pessoa certa ao meu lado, o caminho para a ter comigo, os avanços e recuos de todo o projeto, as tardes e manhãs infinitas sozinha a trabalhar e as tardes e as manhãs com uma companhia das boas. Ter tido a possibilidade de escrever muitos capítulos da tese na companhia da Mariana e da Joana foi tão bom. A última semana com a Rita e com a Ana, ter vivido os momentos mais stressantes, na companhia delas, acabou por ainda nos tornar mais próximas. Todo o trabalho, todas as dúvidas, incertezas e frustrações... passei por muito sozinha mas ter tido sempre o apoio da minha mãe, da minha família, da minha orientadora, dos meus... Esta tese e todo o processo, que terminou de uma forma muito recompensadora para todo o trabalho e todas as noites mal dormidas que passei, trouxeram-me, também, um presente inesperado: a certeza de que sei o que buscar no futuro. No início do ano, quando me propus a um objetivo de uma tese realmente boa nunca imaginei sequer que chegaria ao final com uma certeza tão grande de que quero fazer disto vida. Com planos na minha cabeça para transformar todas as incertezas de uma investigação e todo o prazer que isso me dá num constante. Porque a verdade é que, mesmo com maus momentos, foi a coisa que mais me deu prazer fazer e a coisa onde coloquei tudo o que tinha e não tinha. Dei demais, por vezes, foquei-me demais, chorei demais. Mas também fui a mais feliz - e dê lá por onde der, estou em busca do sonho. Escrever e investigar, publicar posteriormente. Fazer de mim um nome, mesmo que pequenino. O próximo ano será o primeiro com esta certeza e 2017 é impagável pela força com que me mostrou que o trabalho e o esforço ganham sempre. Que eu sou capaz!
O último objetivo é - foi - o mais difícil de cumprir e ainda hoje, no último dia do ano, não consigo dizer que estou bem. Há demasiado na minha cabeça por resolver. Há demasiado medo, receio, dúvidas, inseguranças e falta de confiança em quem sou. O aperto que se instalou no verão dentro do meu peito veio para ficar. Há dias bons, há momentos bons. Mas ter tornado os dias maus numa normalidade continua a assustar-me e se, por vezes, faço de conta que não existe, há vezes em que não consigo evitar e me isolo completamente do mundo, sou eu dentro da minha cabeça. Dentro de mim. A tentar lutar contra isto sozinha. Porque a verdade é que sou a única que sabe o que vai aqui dentro e que o sente. Que 2018 seja o ano em que eu, finalmente, consigo compreender certas reações da minha parte e consigo mudanças significativas. Portanto, mais uma vez, este objetivo foi apenas pouco cumprido e será para manter no novo ano.
A tese e todos os seus desafios trouxeram ao de cima o pior e o melhor de mim. Descobrir que não estava a trabalhar com a pessoa certa ao meu lado, o caminho para a ter comigo, os avanços e recuos de todo o projeto, as tardes e manhãs infinitas sozinha a trabalhar e as tardes e as manhãs com uma companhia das boas. Ter tido a possibilidade de escrever muitos capítulos da tese na companhia da Mariana e da Joana foi tão bom. A última semana com a Rita e com a Ana, ter vivido os momentos mais stressantes, na companhia delas, acabou por ainda nos tornar mais próximas. Todo o trabalho, todas as dúvidas, incertezas e frustrações... passei por muito sozinha mas ter tido sempre o apoio da minha mãe, da minha família, da minha orientadora, dos meus... Esta tese e todo o processo, que terminou de uma forma muito recompensadora para todo o trabalho e todas as noites mal dormidas que passei, trouxeram-me, também, um presente inesperado: a certeza de que sei o que buscar no futuro. No início do ano, quando me propus a um objetivo de uma tese realmente boa nunca imaginei sequer que chegaria ao final com uma certeza tão grande de que quero fazer disto vida. Com planos na minha cabeça para transformar todas as incertezas de uma investigação e todo o prazer que isso me dá num constante. Porque a verdade é que, mesmo com maus momentos, foi a coisa que mais me deu prazer fazer e a coisa onde coloquei tudo o que tinha e não tinha. Dei demais, por vezes, foquei-me demais, chorei demais. Mas também fui a mais feliz - e dê lá por onde der, estou em busca do sonho. Escrever e investigar, publicar posteriormente. Fazer de mim um nome, mesmo que pequenino. O próximo ano será o primeiro com esta certeza e 2017 é impagável pela força com que me mostrou que o trabalho e o esforço ganham sempre. Que eu sou capaz!
O último objetivo é - foi - o mais difícil de cumprir e ainda hoje, no último dia do ano, não consigo dizer que estou bem. Há demasiado na minha cabeça por resolver. Há demasiado medo, receio, dúvidas, inseguranças e falta de confiança em quem sou. O aperto que se instalou no verão dentro do meu peito veio para ficar. Há dias bons, há momentos bons. Mas ter tornado os dias maus numa normalidade continua a assustar-me e se, por vezes, faço de conta que não existe, há vezes em que não consigo evitar e me isolo completamente do mundo, sou eu dentro da minha cabeça. Dentro de mim. A tentar lutar contra isto sozinha. Porque a verdade é que sou a única que sabe o que vai aqui dentro e que o sente. Que 2018 seja o ano em que eu, finalmente, consigo compreender certas reações da minha parte e consigo mudanças significativas. Portanto, mais uma vez, este objetivo foi apenas pouco cumprido e será para manter no novo ano.
