domingo, 31 de dezembro de 2017

Os três objetivos de 2017 e o meu (pequeno) balanço de cada um.

No final do ano passado prometi poucos objetivos a mim mesma. Queria ver o que conseguia fazer ao longo dos doze meses que tinha em frente. Tinha três objetivos principais (a tese, a carta e sentir-me bem comigo própria) e nunca pensei que fossem tão duros de cumprir - cada um à sua maneira retirou o melhor e o pior de mim. 

Tirar a carta e conduzir um carro foi uma verdadeira batalha contra mim própria que nunca conseguiria sozinha - ter o apoio da minha mãe e ter o apoio semanal que nunca me faltou foram duas peças essenciais para que se cumprisse. Saber que estavam todos a torcer por mim mesmo quando eu não torcia. Houve momentos em que estive muito em baixo e em que quis desistir. E mesmo depois de ter a carta na mão nunca houve um só momento em que eu me parabenizasse por isso, por ter conseguido. Porque sei que o problema continua dentro de mim. Eu tenho que perder o medo de conduzir por ser surda e descoordenada, pela minha falta de equilíbrio e pouca rapidez na resposta.  Perder a insegurança de me ver numa estrada e sentir que não conseguiria responder rapidamente a nenhuma situação. Desde que consegui ter a carta na mão que foram poucas as alturas em que me permiti entrar dentro de um carro e, às vezes, isso torna-se motivo de gozo e chacota mas não posso deixar que me influencie. Prometi a mim mesma que assim que terminasse o desespero da tese que voltava a puxar por mim própria para conduzir, voltava a minha luta de perder o medo do carro. E, pouco a pouco, estou a ir lá, já começo a pedir para pegar no carro e dar duas voltinhas. Ainda é curto, ainda é pouco. Portanto eu quero continuar este crescimento para o ano - quero ganhar capacidade para conduzir um carro. É um objetivo terminado no sentido de ter a carta na mão mas ainda não seguro. Será para continuar para o ano.

A tese e todos os seus desafios trouxeram ao de cima o pior e o melhor de mim. Descobrir que não estava a trabalhar com a pessoa certa ao meu lado, o caminho para a ter comigo, os avanços e recuos de todo o projeto, as tardes e manhãs infinitas sozinha a trabalhar e as tardes e as manhãs com uma companhia das boas. Ter tido a possibilidade de escrever muitos capítulos da tese na companhia da Mariana e da Joana foi tão bom. A última semana com a Rita e com a Ana, ter vivido os momentos mais stressantes, na companhia delas, acabou por ainda nos tornar mais próximas. Todo o trabalho, todas as dúvidas, incertezas e frustrações... passei por muito sozinha mas ter tido sempre o apoio da minha mãe, da minha família, da minha orientadora, dos meus... Esta tese e todo o processo, que terminou de uma forma muito recompensadora para todo o trabalho e todas as noites mal dormidas que passei, trouxeram-me, também, um presente inesperado: a certeza de que sei o que buscar no futuro. No início do ano, quando me propus a um objetivo de uma tese realmente boa nunca imaginei sequer que chegaria ao final com uma certeza tão grande de que quero fazer disto vida. Com planos na minha cabeça para transformar todas as incertezas de uma investigação e todo o prazer que isso me dá num constante. Porque a verdade é que, mesmo com maus momentos, foi a coisa que mais me deu prazer fazer e a coisa onde coloquei tudo o que tinha e não tinha. Dei demais, por vezes, foquei-me demais, chorei demais. Mas também fui a mais feliz - e dê lá por onde der, estou em busca do sonho. Escrever e investigar, publicar posteriormente. Fazer de mim um nome, mesmo que pequenino. O próximo ano será o primeiro com esta certeza e 2017 é impagável pela força com que me mostrou que o trabalho e o esforço ganham sempre. Que eu sou capaz!

O último objetivo é - foi - o mais difícil de cumprir e ainda hoje, no último dia do ano, não consigo dizer que estou bem. Há demasiado na minha cabeça por resolver. Há demasiado medo, receio, dúvidas, inseguranças e falta de confiança em quem sou. O aperto que se instalou no verão dentro do meu peito veio para ficar. Há dias bons, há momentos bons. Mas ter tornado os dias maus numa normalidade continua a assustar-me e se, por vezes, faço de conta que não existe, há vezes em que não consigo evitar e me isolo completamente do mundo, sou eu dentro da minha cabeça. Dentro de mim. A tentar lutar contra isto sozinha. Porque a verdade é que sou a única que sabe o que vai aqui dentro e que o sente. Que 2018 seja o ano em que eu, finalmente, consigo compreender certas reações da minha parte e consigo mudanças significativas. Portanto, mais uma vez, este objetivo foi apenas pouco cumprido e será para manter no novo ano.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

O dia de natal começou com uma noite muito mal dormida e com um peso enorme dentro do peito que quase fazia com que achasse que não ia respirar mais. As cinco horas seguidas que consegui dormir nessa noite - em comparação com as que dormi na noite passada - não me retiraram o peso de cima. E o peso que sinto a mais; com as duas coisas que aconteceram neste dia... o que consigo dizer é que já escrevi o que senti para que o peso diminuísse. Só que não aconteceu. Mas tentei; por mim. 

sábado, 23 de dezembro de 2017

É incrível como transformar o que sinto em palavras faz com que o peso que mora no meu peito desapareça. É mesmo incrível. 

«Estarmos a falar mais uma vez ou não falarmos sobre as coisas é exatamente o mesmo porque quando chega à altura tu fazes exatamente o que tu queres fazer e isso deixa-me SEMPRE para trás. Sempre.»

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Precisar de sentir que sentes a minha falta, como eu sinto a tua quando não estás, não é, nem nunca foi, ciúmes. Precisar do aconchego que só chega contigo, não é, nem nunca foi, ciúmes. Precisar de sentir que estás ali, quando realmente tens aquele bocadinho para conversarmos, não é, nem nunca foi, ciúmes. 

O pior disto tudo é explicar-me vezes sem conta. Ter que repetir exaustivamente a mesma coisa em situações semelhantes. Falar no mesmo vezes sem conta. Para as coisas continuarem a acontecer iguais à vez anterior e eu continuar a ser intitulada de a ciumenta quando eu apenas preciso de sentir que estás ali e que queres estar ali, que tinhas saudades de conversar comigo e que tens coisas para me contar. Porque trocar quatro mensagens numa hora - mais as duas em que avisas que estás em hora de almoço ou que regressas ao trabalho - é o contrário de estar presente quando podes. Completamente o contrário. 

Estou para lá de cansada que estas coisas continuem a acontecer, para lá de cansada de me explicar e sobretudo, para lá de cansada de ser constantemente mal interpretada. Como se quisesse sempre que fosses a má da fita quando tu continuas a fazer as mesmas merdas. Como é que queres que eu acredite numa mudança se és capaz de continuar a fazer as mesmas coisas e nem vês que as fazes? É como eu digo sempre: uns dias bem para voltares a partir-me o coração aos bocadinhos. E depois lá volto eu a confiar para me destroçares novamente. E é assim. Estou tão cansada disto.
Não consigo deixar de me sentir a pior pessoa e de pensar e repensar o que é que fiz de mal e onde é que errei para estar continuadamente a ouvir as mesmas coisas. Ela é que é uma sonsa de merda, toda a gente acha que ela é boa mas ela é assim. Estou tão mas tão farta de sentir que nunca vou ser uma pessoa decente aos vossos olhos. Porque se ninguém me defende é porque acham o mesmo que ela. Dói, tenho um aperto na garganta e só me apetece ficar sozinha, longe de tudo. Dói.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Explodir frases soltas começou por ser uma forma de lidar, uma forma de não ficar cá dentro a remoer e fazer com que doesse menos. Agora há tanta coisa que quero explodir e simplesmente não sai. Há tanta coisa que dava tudo para colocar no papel mas não assoma ao cérebro e só faz doer muito no peito. Há tanta coisa que eu dava tudo para não bloquear, que só queria vomitar aqui. Começo pelo final que foi também o início. Dou voltas no meio e acabo cansada só com este conjunto de frases e a querer t-a-n-t-o vomitar mais para aqui... mas não saí. 


«Começar a semana com uma prenda assim é mesmo bom. Veio aqui dar-me uma prenda. É, vim? Ainda bem! Sim, porque batalhamos tanto também aqui dentro. E eu não sei porque é que não estou aqui aos saltos, eu deveria estar aos saltos. Eu não sei porque é que não consigo sentir que estou feliz e que acabou. Eu ainda não senti que acabou. Porque está assustada. Porque estou assustada. Eu tenho medo do desconhecido, eu tenho medo do que aí vem. Vá lá, Rosa, não me venha com tretas, claro que está a sentir qualquer coisa. Eu sei que vou ter que dar a mão à minha mãe, porque o meu pai não entende nem nunca vai entender que ela faz tudo o que pode e o que não pode. É uma coisa que temos falado muito aqui e que falamos muito em relação à tese "o bom é inimigo do óptimo". Eu só vejo problemas, nunca vejo soluções. Eu não sei resolver isto. Eu sei que custa ver tudo o que está a acontecer dentro de casa, e quer sair mas depois também sabe que se sair eles vão ficar sem o pilar que é. Porque parecendo que não, é um pilar.»

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Ontem à tarde, quando estávamos a caminho de casa, eu ouvi o quanto vos enjoavam os homossexuais. Eu ouvi que, na vossa altura, não era como agora, que já são assumidos e ouvir comentários semelhantes a este... tem sido a minha vida nos últimos anos. E é por isso que eu não posso ser sincera: porque ouço isto quase diariamente, em momentos que não estou à espera, sou surpreendida com comentários destes que me colocam no chão, sem me conseguir levantar. E eu ainda não percebi se olham assim para todos os seres humanos ou se o que vos repugna são mesmo os homens porque são homens. Não consigo perceber se com as mulheres não faz mal. Ou se acham, como já ouvi algumas vezes, que é um desperdício porque as mulheres bonitas devem estar com homens. Eu não consigo compreender o que pensam, o que sentem... e vou adiando porque estou no meio desta tensão toda - aqui em casa - e destes comentários todos, sempre que nos vemos como família. Eu não sei lidar com a desilusão e com a certeza quase absoluta que não sou quem vocês desejam que eu seja. Eu não consigo lidar com o facto de vos perder. E, por isso, quando me deitei na cama ontem à tarde, morta de cansaço e a pensar que ia dormir, acabei por desabafar realmente sobre isto tudo [obrigada, Ana, por tudo o que conversámos mas por não me teres abandonado quando o assunto se tornou este] e chorar. Esta é uma dor constante dentro de mim. É um peso que não diminui de intensidade. É, sobretudo, uma certeza de que não posso ser, para vocês e ao vosso lado, a pessoa que sou normalmente. Porque é que vos importa com quem é que os outros dormem? Qual é o problema, se não é convosco? E é por isto que sou falsa... dissimulada, sonsa, mentirosa. É essa a única explicação que encontro para os mais variados ataques verbais que me lançam aqui em casa em tantos momentos.  
Na terça à tarde, antes de fecharmos a sala, disse-me que quando eu ficasse absolutamente frustrada por causa da nota da tese, não queria, de maneira nenhuma, dizer-me o célebre "eu bem avisei" para acalmar as minhas expectativas. E eu disse-lhe, muito claramente, que ia depositar toda e qualquer frustração em cima dela porque tinha que ser assim, era a única pessoa que me compreendia e que compreendia tudo o que aquela tese tinha passado. 

Quero marcar aqui, para que possa ler mais tarde, que me disse que foi maravilhoso trabalhar comigo, que eu era a pessoa mais dedicada, persistente e perseverante. Que nunca tinha virado as costas a um desafio e que nunca tinha recuado quando tudo era tão difícil e quando parecia que não haviam caminhos. Disse que esperava que daqui a cinco anos estivéssemos ali outra vez, na defesa da minha tese de doutoramento - vamos estar, pode é não ser daqui a cinco anos. Quero marcar aqui, para me lembrar sempre, de todas as vezes que me acenou para relaxar, os sorrisos que me lançava enquanto eu estava a falar ou o piscar de olhos quando eu terminei. [Aí senti que talvez pudesse ter um 17!]

E depois saímos todos cá para fora à espera da deliberação da nota. E aí eu nem conseguia estar parada no mesmo sítio. Estava tão ansiosa que não consegui estar dois minutos no mesmo sítio, cirandava da casa de banho para a entrada da sala, para o pátio e para o café. Não conseguia estar parada. 

Quando entrei lá dentro e ouvi que a nota era um 18... Eu ainda não processei completamente. Sabia que o merecia mas nunca acreditei que fosse realmente recebê-lo. Já me calava se me dessem 17, a sério que sim. Acho que esbocei um «têm a certeza?» quase inaudível porque nem queria acreditar, porque fui completamente surpreendida. Graças ao belíssimo trabalho que fizeram comigo, não me canso de pensar que se não fossem as mais variadas conversas que tivemos... 

E depois, eu queria abraços de toda a gente. Abracei toda a gente com a alegria imensa de "está feito e não acredito que acabou" mas foi realmente importante que a primeira pessoa a vir ter comigo tivesse sido a Ana. Saber que ela se emocionou por saber de vários momentos de frustração, por saber que eu merecia isto, deixa-me realmente com a certeza de que viemos para permanecer na vida uma da outra. Sei que vamos fazer por isso. Abraços sentidos, Rita, Bárbara, Daniela, Cláudia. E eu só queria abraçar uma pessoa. E ela não se mostrava... Escondia a cara. Até que a vi e estava a limpar os olhos. Senti-me mesmo surpreendida, tenho a imagem guardada no meu cérebro e já a revisitei vezes sem conta... Quando - e depois de abraçar toda a minha família, o meu pai de lágrimas nos olhos é uma das imagens mais bonitas, o sorriso radiante da minha mãe e a insistência da minha tia para uma fotografia do momento - finalmente cheguei ao pé de si, soprou-me ao ouvido "ainda quer que eu ouça todas as suas frustrações?" enquanto eu dizia, em tom que apenas ouvisse, "obrigada por tudo!", seguido de um "quero sim!". Porque quero. Quero que não desapareça da minha vida como se não me tivesse marcado em absoluto. Quero que seja mais do que uma professora da faculdade. Somos demasiado iguais e temos demasiado para conversar para nos perdermos de vista.  
Escrevi aqui, antes de me deitar na terça à noite, que quando me caísse a ficha, seria pior. Estava a referir-me ao brutal trabalho mental que tinha feito nas últimas semanas para aparentar não morrer quando me dissessem que a nota seria mais baixa do que aquilo que esperava. Coisa que não aconteceu. Fui completamente surpreendida com uma nota que espelha tudo o que passei ao escrever aquela tese. Eu sabia que me ia defender com unhas e dentes - eu sabia que não poderia ter melhor pessoa ao meu lado. 
E estava, sobretudo, a referir-me aos dois dias a correr que não me fizeram processar de forma nenhuma - mas também não queria porque dói muito, continuo sem querer e talvez seja por isso que tenho um peso enorme no meu peito em certas alturas do dia - o que aconteceu na segunda de manhã. Eu sabia que quando parasse e quando deixasse de ter o peso da defesa da tese nos ombros eu não ia estar bem na mesma. Sinto-me estranha. Sinto-me realmente estranha. Tenho a cabeça a explodir de dor. Eu deveria estar feliz mas estou preocupada. Preocupada com tudo o que me rodeia. Preocupada com o meu futuro. Com o sentimento tão desesperante e que me assola há semanas do "e agora sem a tese para me agarrar sou o quê?". Sou só uma pessoa perdida. Uma pessoa com montes de problemas para resolver e sem quase nada para se agarrar. Estou só francamente perdida a sentir que quero alcançar alguma coisa que não está ao meu alcance. Precisamos de falar... preciso de um abanão? Porque é que nunca me permito sentir as minhas vitórias? 
Estava com uma sensação de medo puro dentro de mim na quarta durante a madrugada. Senti, principalmente, na segunda feira, que podia não ter a nota que merecia - e apesar de nunca ter avançado completamente com números, eu sabia que 17 me calava e que 16 e abaixo era derrota. Ao ver uma defesa de tese que, para mim, merecia um 16, acabar com um 15, levei com um balde de água fria em cima. 

Na terça feira, quando nos reunimos pela última vez, para que eu falasse sobre a minha apresentação e fizesse esse exercício ao seu lado, senti que me estava, mais uma vez, a acalmar, por um lado, e a fazer-me ver a realidade bruscamente, por outro. Acalmo-me sempre que a vejo. Acalmou-me, levemente apenas, quando me disse que estava tudo pronto. Entrei em pânico quando me disse que não podia mexer mais e que não deveria olhar mais para nada. Eu, que percebi durante a escrita desta tese, que quando me enervo (muitooooo) consigo ser a pessoa mais obsessiva e perfeccionista... Tantas vezes, enquanto escrevia, ouvia a voz da minha psicóloga na minha cabeça - porque já me tinha dito montes de vezes a viva voz - a dizer-me que tinha que parar, que já estava bom e que não podia mexer mais se não, não iria sair do mesmo sítio... que tinha que parar de ser obsessiva com esta dissertação, que não ia ter nada em absoluto controlo, que teria que refazer muita coisa no final. Que tinha que aceitar que não era perfeita. À tarde, quando me disse que agora só me deveria preocupar em descansar e em dormir bem, porque ia tudo correr bem, assustou-me. Primeiro: assusta-me sempre quando me conhece, dormir bem não é o meu forte. Segundo: a minha veia obsessiva pensou que não estava tudo bem, que teria que olhar e ver mais uma vez, dali  a umas horas. E depois, a forma como me faz ver a realidade mesmo antes de nos separarmos, só fez com que me enervasse mais... o começar a frase com "e quanto à nota" assustou-me. Parecia que me estava a dizer, muito claramente, que tinha que reduzir as minhas expetativas - cortei-lhe rapidamente o raciocínio porque tive que lhe explicar que o discurso mau que tinha proferido na semana anterior tinha resultado. Picar-me tão duramente como fez, resultou. Parei de pensar no que poderia ter. Comecei, ainda mais, a focar-me no que podia controlar. Trabalho contínuo mental todas as semanas na terapia e todas as vezes que nos vimos para que eu me focasse apenas no que estava ao meu alcance. Tudo o que é do meu controlo, estava controlado. Era só isso que eu podia controlar. O que os outros fazem não estava ao meu alcance. E eu tentei - muito - durante a madrugada de quarta em que apenas dormi duas horas seguidas pensar que o que era meu, estava preparado. Eu nem sei se tinha pensamentos com nexo nas horas em que dava voltas na cama, era só uma sensação de pânico incontrolável.

Na quarta de manhã, se não fossem os comprimidos, eu garanto que tinha vomitado tudo o que conseguia e não conseguia. Ou a determinada altura, saído do carro e começado a correr porque já não aguentava estar ali dentro. Ter chegado à faculdade e ter visto as duas pessoas que disseram que iam estar lá mais cedo, ajudou a acalmar. O que ajudou, também, a que os níveis de nervosismo diminuíssem foi o abraço mal me viu. Ter os meus lá, - faltavam algumas pessoas importantes, e senti isso -, (mais ou menos) a horas, ajudou a que tudo aparentasse estar tranquilo em mim. Lembrei-me do pedido da Ana, aparentar força. Lembrei-me do "vai ter a sua claque ali a apoiar", que me disse na segunda de manhã. Lembrei-me da falta que me fazia não ver ali algumas caras. Os sinais que me fez a pedir-me para me acalmar fez-me perceber que podia começar a falar. E a partir daí, já não estava nas minhas mãos.
Quero tanto escrever sobre tudo o que senti durante os últimos dias mas sinto-me tão cansada e tão assoberbada com todas as memórias ao mesmo tempo a assaltarem-me o subconsciente e o próprio consciente... que não consigo parar e escrever em condições.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Quando me cair a ficha vai ser muito pior.

sábado, 9 de dezembro de 2017

«I think I lost my mind
Don’t worry about me
Happens all the time
In the morning I’ll be better»

Better, OneRepublic
"I can’t explain my anxiety. I can try, but I would fail. Not because I don’t know every little detail about it, but because the details never come together to form a full picture. I can list all of my triggers. I can tell you how my panic attacks feel. I can even discuss in depth how hard it is to worry about everything all the time. But, you still wouldn’t get it. Not because you weren’t trying to get it, but because my anxiety isn’t something you can talk about for five minutes and then suddenly become an expert on. However, knowing the small details about my anxiety will help me. So, even though I know you will never truly be able to understand what it feels like to be trapped in a bathroom stall, trying to will yourself out of an anxiety attack, or know how it feels to wake up exhausted after a full night of worrying, I will still try my best to explain what my anxiety feels like.

1. You know when you take a sip of a drink and then someone makes you laugh, and now you are left with a mouthful of liquid you are trying not to spit out at everyone in front of you? That’s how I feel all the time. I refuse to burden anyone with the task of cleaning themselves up after I spit out all of my anxieties and worries at them. It may make me feel like I’m going to choke on all of my pent-up emotions, but better that than shamefully having to help them wipe up the mess I’ve caused.

2. Yes, I think my anxiety is a burden to other people. No, I am not ashamed of the fact I have anxiety. There is a difference between refusing to put the weight of the world on someone else’s shoulder and not wanting anyone to know you are strong enough to carry the world on yours.

3. My anxiety is different than someone else’s. No two minds think alike, so why would anyone expect two mental illnesses to be the same? What works for some people may not work for me. Please don’t get offended if I stray away from the hug you are trying to give me or block out your words of advice. I’m not trying to be rude, that is just not how I cope.

4. I get quiet when I am facing a trigger, not because I don’t want to talk about it, but because I am afraid that with each breath I lose trying to explain how I am feeling, I will become weaker, and being weak doesn’t help fight the monsters I am facing.

6. Being afraid is a part of my life. I fear so much that, sometimes, I even fear not being afraid.

(...)

9. My anxiety and depression is like that gift you hate, but end up using. Like, I wish I didn’t get this stupid back scratcher, but now it’s two in the morning and I have an itch at the bottom of my back and now I feel myself thanking whoever was ridiculous enough to buy me it. The same goes for my anxiety. I mean, sometimes when I am struggling so much I can barely breathe, I loathe whoever thought it would be funny to give me the gift of anxiety. But, then, after I am done having a panic attack or finishing up a horrendously bad day, I realize just how strong I am, and my anxiety has helped me figure that out. I can hold my head up high knowing that even though I have anxiety and depression, I am strong enough to fight and keep going every single day.

Like I said, my anxiety isn’t something you can become an expert on in the span of five minutes or one article. However, that’s not what this is meant to do. You understanding what makes me or anyone who lives with anxiety tick can help you and them. You don’t need to be a professional to lend a hand to someone who needs it. So, don’t feel the need to know everything about someone’s anxiety, because even if you just know a little of the small details, you will still find a way to help them. Even if it’s just standing with them as they fight alone."

Tão isto que dói. Texto daqui

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

«E essas lágrimas, são porquê?» 

Sempre que me deito, regresso àquela cadeira e estou no estado mais frágil da minha existência diária. É por isso que choro todas as noites, porque as memórias me abalam. Dentro de mim é como se me pontapeassem e abanassem... E eu - ainda - não tenho capacidade para lidar com elas sozinha. Porque aqui deitada, só eu e as minhas memórias do que se passou nesta e noutras semanas, tudo misturada, não tenho a voz que me guia. Que vê o que não vejo. Que diz o que eu não digo. Que me obriga, docemente, a olhar a realidade crua em vez de pintar um quadro bonito e agradável à vista. É por isso que não durmo bem. É por isso que a minha cabeça explode e o meu peito arde. É por isso que as lágrimas caem. Por muito que durante o dia eu consiga esconder o quão partida me sinto e consiga momentos em que me sinto bem... chego ao escuro, eu sozinha comigo, e não sei lidar com nada disto...

[1.30h]

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

São sempre - ou quase sempre - pontos onde tocamos nas nossas sessões. E sempre - mas mesmo sempre - parece que está dentro da minha cabeça a ver coisas que não consigo compreender sozinha. Ou a dizer-me coisas que nunca percebi e que depois ficam dentro de mim durante vários e vários dias...

Durante o tempo em que aqui estivemos nunca experimentou ser alguma coisa que não era, só precisava de força para ser quem era. Pois não, já tinha experimentado antes e tinha visto que não resultava. 

Eu acho que está cada vez mais preparada para essa conversa. 

É curioso como os homens aparecem quase como seres descartáveis e como se fossem fracos. Não é como as mulheres, que têm sempre aquele lado de mistério e uma força associada. Mas também é curioso como as mulheres são motivo tanto de fascínio como de inquietação. Sim, é verdade, considero as mulheres à minha volta muito fortes. Mas eu não acho os homens fracos... Ai acha sim.
Preciso que o aperto desapareça, preciso de parar de o sentir. Preciso de sentir que consigo controlar alguma coisa - e acho que me está a custar mais agora saber que não sei quando será o fim, apesar de saber que ainda não estou pronta para que o seja. Saber que vamos ver-nos, algures, depois da pausa do natal, ajuda a manter o aperto controlado. E a forma como me diz sempre que sabe que ajudou termos mudado a data, como se fosse menos um motivo de ansiedade extrema para mim. Mas será que é isto que é a ansiedade? Sinto que não sei definir todas as sensações de que sou feita, sinto que não me sei ainda, como deveria. E preciso de sentir que vou sair com muito mais capacidades do que aquelas que tinha quando entrei... 

Sempre o tempo, sempre o tempo. Estou sempre a chegar atrasada às coisas. Estou sempre nelas como se não fosse o tempo certo para mim. Sempre as bombas do verbalizar que está tudo bem e depois perceber que vivo numa paz aparente e tensa e que sou eu a desejar que essa paz exista - e daí a verbalizar - sem ela realmente existir. Não fui só eu a defender-me dos ataques exteriores da última semana. Senti melhorias na minha defesa própria. Senti que não calava e metia no fundo de mim a arder. Senti que as palavras que eu quis dizer saíram da minha boca. E isso foram pequeninas vitórias. Senti, algumas vezes, que não estava sozinha na forma como me defendia. Mas, mesmo assim, continuo a sentir que não vêem a mudança em mim - que eu vejo e que precisava que vissem. Continuo a sentir que não vêem a minha luta - e depois quando sinto que vêem, acabo por querer que seja invisível. Só gostava que não fosse ela a comentar alguma coisa tão forte como o que disse porque sinto que o que ela sabe pode, algures, ser utilizado contra mim e é a última coisa que eu preciso. Afinal quem é que fecha a porta? Eu acho que somos as duas. Sim, é certo, mas há alturas em que não. E eu sei que é muito doloroso perceber que é ela que lhe fecha a porta, é muito doloroso perceber isso. E o que é que lhe queria ter respondido? Eu não estive a chorar mas e se estivesse estado e se não te tivesse dito? Porque é que achas que não te disse? Sempre que te digo dizes que são fitas e que quero estar mal de propósito. Respondeu aqui dentro, não fui eu que trouxe, foi a Rosa, não fui eu que disse, não fui eu que lhe pus as palavras. Mas eu não posso fazer a minha vida a responder às coisas aqui dentro. Eu tenho que responder lá fora. Eu não posso esperar para chegar aqui dentro e dizer o que quero dizer. Eu sei, mas aqui tem liberdade e segurança para fazer isso quando lá fora não o sente... 

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Eu estava com muito medo que tudo isto existisse apenas na minha cabeça e que o apoio que sinto sempre que nos vemos fosse apenas o apoio normal que um orientador fornece. E ontem senti que não seria assim. Perguntei, muito a medo, se não íamos desaparecer da vida uma da outra e recebi a melhor resposta possível "eu não vou desaparecer, eu vou estar aqui para o que for preciso" e o meu coração aqueceu um bocadinho. Eu sei que entrei na reunião com cara de quem não queria estar ali e com todos os bocadinhos de mim descolados. E eu disse-lhe que assim que começássemos a falar de coisas normais que eu ia esquecer-me que me estava a sentir assim... E esqueci, ajuda sempre. O truque é sempre ter alguma coisa para fazer que faça com que eu não leve com o embate profundo logo que saio dali. Eu não deixo que ninguém lhe faça mal, e eu já sabia isso mas soube bem ouvir.
Saber que querias vir à minha defesa e que gostavas - mesmo - de acompanhar esse processo como acompanhaste sempre a escrita da minha tese... vale como se estivesses lá. E sei que só não estarás presente porque eu te disse logo que não queria misturar-te ali. Mesmo que agora tenha sabido que só regressas dia 20... E o abraço que te quero dar desde que partiste está aqui, à espera de quando voltarmos a ver-nos. Saber que compreendes o porquê claro de não te querer ali, naquela situação em específico, deixa-me a sentir-me mesmo segura. E é disso que eu preciso: segurança e estabilidade. Quando tomo as minhas decisões e as explico, preciso de sentir que me compreendem. 

A verdade é que me sinto mal. Sinto-me mal por não te abrir a porta de entrada da minha vida, total e completamente escancarada, por te fazer ser uma espécie de fantasma que vive e não se mostra... Sinto-me mal por ter essa atitude com tanta gente que me quer bem e me faz bem. Mas sei que caminho para um lugar melhor, bocadinho a bocadinho. Quero acreditar nisso, pelo menos. 

sábado, 2 de dezembro de 2017

Aquela lição de vida que eu aprendo aos bocadinhos, todos os dias. Passinho a passinho.

«Nada me deteve porque eu tinha uma crença profunda naquilo que sentia e sabia que aquilo que sentia era certo, portanto não havia nada para me deter. Eu sabia que não estava a fazer mal a ninguém, que não estava a prejudicar ninguém e que só me poderia fazer mal a mim própria se eu negasse ser a pessoa que era.»

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

E sabe que vai ter que chegar a essa guerra... Não é uma guerra, é mais um confronto... Mas eu odeio confrontos. Eu sei [quase inaudível].

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Desde que saí de lá de dentro, só queria chorar. Mas decidi que ia ser mais forte, e fui começar a trabalhar. Estava na biblioteca com as lágrimas a queimarem-me tanto os olhos que quase não via o que escrevia. Até que pensei que não podia ficar assim. E foi no caminho para resolver esta questão que voltei a vê-la, e sorrimos. E depois percebi que não poderia mesmo ficar assim e fechei-me na casa de banho até me acalmar. E quando estava a sair da faculdade voltamos a cruzar-nos e a sorrir. E desde aí que tenho medo de ainda ter os olhos inchados, porque reparei que estavam completamente inchados quando saí da casa de banho. Cerca de vinte segundos mais tarde, quando voltamos a cruzar-nos, só poderia estar igualmente inchada. E depois penso que já me viu chorar tantas vezes e não vale a pena deter-me em pensamentos destes. Mas são melhores estes, do que os outros todos. Mais dois sorrisos queridos para a nossa coleção de sorrisos sem falar porque já falamos o suficiente quando nos fechamos lá dentro.
Eu não aguento sentir isto e não sei o que fazer para que passe. Eu só quero que passe. Digo muitas vezes a mim própria que tenho que me acalmar. Tem calma, Rosa. Está tudo bem, tem calma, está tudo bem. Não tens motivos para estar assim. Oh Rosa, a desmentir como todos fazem? Tem motivos sim, claro que tem motivos.
Há uma hora escrevi "à noite quando for dormir a minha luta é outra." e fui imediatamente esmagada pelo peso das palavras que escrevi - não estava à espera que doesse tanto porque era apenas uma resposta a uma mensagem que não tinha importância. Ou tinha, porque tem. 

Hoje de manhã disse que não sabia qual tinha sido a minha última boa noite de sono, e é verdade. Não sei. Não me lembro da última noite em que me deitei para dormir e tive uma noite tranquila, sem nenhum problema. Sem medo de me deitar. Sem medo de ficar no escuro. Sem medo de andar às voltas na cama com as lágrimas a cair. Com o peito a arder. Com a sensação de dormência nas pernas. A sentir que vou deixar de respirar a qualquer momento. A respiração funda e ritmada como companhia, as lágrimas quentes na cara, a esfriar a almofada, as mãos a apertar o peito, o cérebro a gritar que não tenho motivos nenhuns para estar assim e tenho que me acalmar. Tudo e mais alguma coisa a vir-me ao pensamento. Todas as noites penso que me deveria levantar, que deveria de ir tomar alguma medicação para me acalmar. Não posso continuar assim, tenho que conseguir dormir mais rápido. A verdade é que tudo isto demora duas ou três horas no máximo. É quase nada. Costumo dormir cinco, seis, sete horas, por noite. Não é uma insónia total. Não é uma noite em branco. Pode só causar pesadelos. Sonos leves em que parece que não durmo nada. Sonos trocados, dores na cabeça, no peito, cansaço extremo. 

Portanto, à noite, quando for dormir, a minha luta será esta. Tal como tem sido em tantas outras noites antes desta... já lhes perdi a conta.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Não sei o que se está a passar comigo, na verdade. Estou a estranhar a sensação de tranquilidade que se abateu sobre mim desde meio da sessão (desde aquela parte em que disse que já me sentia verdadeiramente presente e que agora nos tínhamos mesmo encontrado no mesmo sítio) e que se tem mantido presente durante o resto do tempo. Acho que desbloqueou o meu medo quanto ao que aí vêm em relação à tese e acho que isso me permitiu olhar para o trabalho que está a meio com outros olhos. O facto de compreender que eu ainda não tenho uma data marcada e que é normal que me sinta sem objetivos concretos, ajudou a instalar esta tranquilidade que, espero, não seja só em aparência. Ajudou que me tivesse relembrado todos os objetivos que tenho de seguida, assim que despachar a defesa da tese. Ajudou a acalmar-me. Não me lembro se já tínhamos, alguma vez, conversado sobre as minhas ideias de propostas de estágios, sobre as minhas ideias de transformação da tese em artigo, sobre tudo o que pode vir a seguir se pedir auxílio à minha orientadora... mas ter ouvido que tenho estas ideias - e que vieram da minha cabeça - fez-me sentir, um bocadinho menos, à deriva. Ajudou, muito claramente, ter sentido que fui ouvida quando disse que me sentia no vazio. Apesar de estar a esforçar-me para fazer coisas que me permitam não sentir tanto esse vazio, quando consigo ter energia e não estou letárgica. Não estou maluca, é normal sentir-me assim. Estou só francamente bipolar, tal como já escrevi aqui. Só não posso deixar-me levar por esta sensação negativa. É quase como se não quisesse viver os momentos de angústia que sei que vêm aí. Porque não me vai cair tudo no colo. Porque tenho que fazer por mim. E está a assustar-me ter que fazer por mim. Não saber se vou ter força e capacidade para isso. Ajudou-me, muito, que me tivesse feito perceber que eu absorvo todos os momentos menos bons que vivo em casa e que estou a assumir-me como quase derrotada logo de início, mesmo que não tenha qualquer experiência. Disse-me que eu não podia deixar-me levar pelo negro. E eu só consegui rir-me e responder que o meu cérebro era mesmo assim, só havia negro. Porque há poucas luzes. Já há mais; são em forma de vitórias pequeninas quando descubro mais um pedacinho da pessoa que sou feita. Sozinha não conseguiria, juro que não.
Ajudou quando me disse que sabia que eu me sentia isolada e sozinha, mesmo que eu nunca lho tenha dito. Que era normal sentir-me assim. Porque era o que me acontecia constantemente, sempre que dizia alguma coisa de profundo, era diminuída ou desmentida. Que me sentia constantemente atacada. Que eu apreendia assim as coisas que me eram ditas - e eu já começo a colocar em causa a forma como recebo o que me dizem, a achar que estou maluca, que não sinto bem, que não vejo bem. Começo a pensar se sabem o mal que me fazem. Porque não é gratuito. Não é para magoar. Então, só posso ser eu a culpada de receber as críticas - ou o que seja - de forma errada. Ajudou quando percebeu que me sentia humilhada e um bocadinho traída nos meus sentimentos. Que começava a colocar toda e qualquer memória em causa. Que tudo o que tenho dentro de mim não é - nem nunca foi - por causa da "questão da homossexualidade", como lhe chama.
Ajudou ter-me perguntado o que escrevi. Há uma liberdade muito grande em falar do que escrevo, do medo que tenho - quando tenho -, do adiar a escrita por medo do que iria sair. Nunca me senti ouvida desta forma em todas as vertentes que considero importantes. 
Ajudou, de uma forma muito inesperada, que me tivesse dito que íamos esquecer aquela data marcada na agenda porque não me queria deixar sozinha enquanto eu estava a passar por estes processos internos de uma forma tão pouco tranquila. Porque, com tudo o que está a acontecer comigo, era natural que estivesse tudo em ebulição dentro de mim. [Que está, tenho o estômago todo embrulhado.]

Ainda consigo maravilhar-me com a forma como vê e apreende aquilo que eu não digo. Isto sim, é uma boa magia. Acho que foi a primeira vez que saí ligeiramente colada. Vamos celebrar isso para a semana como mais uma pequenina vitória?
«So I'll be sorry for now
That I couldn't be around
There are things we have to do that we can't stand
Oh I'll be sorry for now
That I couldn't be around
There will be a day that you will understand»


[Quatro meses.]

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Desde o início da semana que quero escrever mas tenho medo de o fazer. Desde o início da semana que quero partilhar [aqui] para que seja possível que o peso diminua de intensidade; como se isso fosse possível. Estou aqui, sem saber como vai ser o meu futuro. Com receio que ele chegue e sem perceber que já chegou, uma hora após a outra e ele chega. Está a acontecer enquanto escrevo e enquanto ouço os acordes da guitarra e a voz do Tiago Bettencourt em repeat. "Dragão" em repeat
Não há palavras que façam jus ao que tenho sentido. Não há simplesmente. Os dias passam por mim e eu tento retirar deles o melhor que posso, ajuda quando tenho alguma coisa por que esperar. Ficar em casa a olhar para o nada, a ver um filme, a ver um episódio de uma série qualquer, não me ajuda. Ajudaria se fizesse parte de uma rotina mais larga que agora não tenho. Ajudaria se me permitisse esquecer brevemente o cansaço de alguns problemas diários. Sinto-me, agora. Sinto-me como nunca me permiti sentir-me. Sinto-me como não sabia que era possível. E sei-me, um bocadinho melhor do que há um ano atrás. Sei que neste momento [o pior é quanto tempo o momento dura...] estou naquela fase mais baixa do ciclo do "vai e vem". Naquela fase em que não consigo ter energia para nada, para além de sentir as dores que constroem quem sou. Sinto-me muito bipolar ultimamente e isto faz parte de dois movimentos internos que, agora, apercebo-me que existem em mim desde sempre. Um puxa para o futuro, quer ir, fazer, ser e acreditar que há algures um espaço onde consigo ser eu, plena e feliz. E o outro quer fechar-se dentro de casa, fingir que não cresceu [porque crescer não pode ser isto!] porque o desconhecido dói. E a obsessão com o primeiro movimento é por medo que o segundo permaneça. Sou feita de confrontos tão distantes quanto estes dois movimentos que parece que não poderiam coexistir mas coexistem em mim. Sentir isto ao mesmo tempo que sinto um aperto tão profundo dentro de mim que chega a doer... sentir isto ao mesmo tempo que tudo em mim arde, como ferida aberta que não sara. Também este aperto é uma parte do movimento "vai e vem". Às vezes, consigo esquecer-me que sinto este aperto horrível no meu peito. Às vezes. estou aparentemente normal. Às vezes... E nas outras vezes, choro sem motivo aparente quando deito a cabeça na almofada. Nas outras, sinto o escuro a abater-se sobre mim e estou às voltas na cama até que as lágrimas sequem. Nas outras vezes, não consigo falar com ninguém, quero que me deixem em paz e sinto que o melhor é desaparecer. O aperto torna-se tão forte que nem adormecer consigo - e só adormecer me permitiria deixar de sentir esta dor. Porque isto é uma dor profunda que não desejo a ninguém. Nas outras vezes acredito que nem respirar fundo me vai ajudar a que o aperto consiga diminuir. Nas outras vezes acredito que esta dor profunda fará sempre parte de quem sou e que o que sinto na garganta ficará. O pior disto tudo é sentir que, quando falo, não há quem perceba que estou neste ponto. Posso, em algumas alturas, ganhar coragem e pedir ajuda. Ganhar coragem e escrever estas linhas na esperança que libertem o peso que agora faz parte de mim... Mas nessas alturas... é como se ninguém visse, na mesma, o que digo. E os dias passam e continuo a viver comigo. Os dias passam e continuo a sentir-me na mesma mas não há mais conversa depois disso. Os dias passam e eu continuo a afastar-me o melhor que consigo de todas as pessoas que me poderiam dizer que percebem o que sinto mas não percebem mesmo nada. Vai ficar tudo bem? Vais ficar bem? Eu percebo o que estás a dizer? Não, não percebes. Não, não vai ficar tudo bem. Não, não vou ficar bem. Não sabem nada. Só quem sente um milímetro do que é viver com um aperto no peito pode opinar sobre isto tudo. Sobre o quanto dói. Sobre o quanto custa respirar. Sobre as vezes em que não queremos sair da cama e que nem sabemos como sair de casa. Sinto-me uma merda, fiz isto para que o aperto diminuísse de intensidade... Só que não aconteceu.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Não há nenhuma altura em que saía daqui e se sinta bem? Não, nunca. Nunca aconteceu. Saio sempre a apanhar cacos. Isto descola-me. Eu descolo-me. Nós descolamos-me. E eu tenho que me colar.


sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Odeio o aperto que continua instalado no meu peito, dia após dia. Odeio sentir que nunca vou respirar corretamente porque o ar não passa. Odeio tentar acalmar-me, repetindo mil vezes que está tudo bem e que só tenho que me tranquilizar. Odeio os tremores no meu corpo e os medos acumulados no meu peito. E odeio, profundamente, todas as coisas que ouço e a forma como me atingem. Quando era melhor eu ser surda... quando era tão melhor eu fingir que nada disto acontecia.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Fico sempre em casa à terça de manhã. Tento, pelo menos. Nos últimos tempos tenho-me sentido tão cansada sobre cada segunda feira que acabo por me permitir descansar no dia seguinte. A noite custa sempre, adormecer custa sempre. E, no dia a seguir, quando acordo, já é terça feira. O peso de segunda pode começar a desvanecer. Vai. Vai começar a desvanecer porque eu, mal acordo, meto-me debaixo do chuveiro com água muito quente e deixo que as lembranças ganhem voz... Voltam as frases misturadas e, aparentemente, sem qualquer tipo de nexo. Volta a doer o peito, volta a sensação de não conseguir lidar com nada. Enquanto a água quente me queima o corpo, as costas. Só saio debaixo do chuveiro quando sinto que consigo controlar melhor a minha respiração e que o peso não me vai fazer cair no chão. E depois está tudo bem. Só que não. 


As memórias recalcadas, sim, eu sei. Eu julgo que tem muito a ver com a dinâmica. Com o fazer um desmentido de tudo o que têm como assumido na dinâmica da relação. Com o mostrar que também tenho problemas, que sou frágil e que preciso de ajuda. Eu julgo que não é mentirosa. É mentirosa aqui? O que é que está a querer dizer? [silêncio da minha parte. Descobre o que eu queria dizer sem dizer e pergunta claramente.] Acha que havia essa possibilidade? Eu penso que não.
«Essa é uma excelente questão. E podemos deixá-la no ar como o fim da sessão desta semana. Porque é que eu não digo? Porque é que eu ainda não disse?»

sábado, 4 de novembro de 2017



«É tão particular o meu encontro quando é com você
O meu sorriso quando tem o teu pra acompanhar
As minhas histórias quando você para pra escutar
A minha vida quando tenho alguém pra chamar
De vida»

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Nos últimos dias há coisas que não saem da minha cabeça, que estão em mim desde o início da nossa história. Sempre as guardei comigo e tu sabes as minhas reticências em avançar. Não foi a primeira vez que deixei escapar tantas exclamações. Normalmente saem de mim quando estou mais em baixo, voltam à superfície e vêem a luz do dia e, sobretudo, fazem com que se torne muito difícil ver que sou a pessoa certa para estar contigo. E doem-me, doem-me muito. Fazem-me não acreditar num futuro brilhante. Fazem-me sentir que não temos muito mais para onde ir. Custa-me sentir-me assim tão alheada de tudo o que pensamos construir para nós porque só vejo o mal que faço e as dores que te causo. Dói-me de todas as vezes que te digo que não porque os monstros ganham sempre. Dói-me fechar-me e ser cada vez mais difícil abrir-me e mostrar-te que sofro com tudo isto. Dói-me não te fazer feliz como mereces.


Falarmos sobre isto uma tarde não ajuda em nada. Ignorares nos dias a seguir que tivemos essa conversa e que eu não estou bem, muito menos. Ignorares, tal como ignoras sempre que tenho algum problema e que preciso de sentir que te lembras do que falamos... Não sei o que mais fazer para que compreendas que os próximos tempos vão ser muito mais difíceis do que tu alguma vez equacionaste. Eu sou a pessoa mais difícil para estares. Se já me considerava antes, ao início, se tantas vezes te disse que era, a partir de agora sinto que serei mais e mais e mais. E depois... Não sei o que fazer mais para te explicar que as tuas atitudes não combinam com o que depois dizes. Não sei o que fazer mais. Por muito que diga que não falarei mais no quanto me custam as tuas atitudes, por muito que diga que o silêncio fará parte de mim, acabo por nunca conseguir ignorar o que tu tão facilmente ignoras. Torna-se mais fácil, com muita força de vontade, afastar-me de [ti] tudo quando me sinto atacada internamente... mas continuo a ficar muitas vezes, continuo a explodir vezes demais. Depois de dizer que apenas o silêncio ficaria arranjo mais e mais palavras. E mesmo que diga, agora, que regressei ao silêncio e que será o melhor caminho a seguir... Escrevi. E isso não é estar calada. Não é silenciar as minhas dores. Só, estou só. Estou sozinha. Estou completamente sozinha. Nas minhas dores e nas dores que te causo. Não sei o que fazer mais. 

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Cada vez que tomo atenção ao que efetivamente sinto dentro de mim todos os dias fico assustada, fico mesmo assustada. E hoje declaro que não consigo mais lidar com o peso brutal que sinto no meu peito. Dói demasiado para continuar a estar acordada. Dormir há de ajudar.
Estou a chegar ao final deste ano com as duas coisas da minha lista de três objetivos para o novo ano quase concluídas. Analisando-as concretamente sei que agora ainda não estão as duas absolutamente fechadas e é isso mesmo que planeio fazer até que dezembro termine. Foco absoluto em preparar a apresentação da tese, foco absoluto em dar o meu melhor no dia em que a for defender. Foco absoluto em perder o medo de conduzir um carro. Se tenho a carta, tenho que ser capaz de conduzir. Perder o medo vai ser essencial para o meu futuro e eu vou começar agora. E depois... foco e fé nas próximas semanas, a data está marcada e vai acontecer e a partir daí depois vemos o que fazer. E quando eu arranjar trabalho e estiver estável financeiramente no meu cantinho... retomar a terapia será um objetivo prioritário ou talvez nem seja. Um dia de cada vez até chegar a altura de tomar essas decisões. E talvez consiga perfeitamente estar sozinha no entretanto, nos meses de procura que estão aí à porta. Talvez queira mesmo experimentar se me aguento sozinha. Tenho medo, tenho muito medo, mas também sei que mereço uma oportunidade. Se eu começar a arranjar objetivos pequeninos para cumprir e os for cumprindo devagar, vai correr tudo bem.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Não esperava, mesmo, o que aconteceu ontem à noite e saber que o resolvi - pelo menos na minha cabeça - não me retirou a sensação de pânico e aperto. Não consegui acalmar-me nunca mais. Dormir assim é uma tarefa quase impossível e extremamente dolorosa. Parece mais que passei uma noite quase em claro. Estou com medo da conversa que vamos ter mas na minha cabeça tínhamos mesmo que falar. É um assunto demasiado importante para eu o carregar sozinha - tem que dividir o peso comigo. Não há escapatória possível.

Tentei repetir muitas vezes para mim própria que tinha que me acalmar, que tinha conseguido resolver sozinha e que já estava feito. Só que não consegui. Sinto-me fraca. Pensei em tomar um comprimido para dormir depois de umas horas a negar deitar-me e de outras tantas a sentir aquela dor, às voltas na cama. Não me levantei, não tinha forças. Não tomei apesar da fraca noite de sono. Acho que essa é outra pequena vitória. 

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

A melhor parte da rapidez desta semana é ainda não ter conseguido tocar completamente na ferida que sei que está cá dentro. Porque em muitos momentos dos dias a correr me lembro que é uma informação que está ali, que já tenho comigo e que tenho que assimilar dentro de mim. Porque lhe ouço a voz. Porque ouço a minha própria voz a tremer ao responder. Porque me lembro de segunda à noite ter parado e pensado nisto tudo e ter tremido incontrolavelmente durante vários minutos. Uma coisa de cada vez. 

Estou assustada agora que falamos nisto... Mas não tem que estar. Sabíamos que ia acontecer e ainda falta algum tempo. Vamos falando no assunto, devagar.

Não vai desaparecer, já repetiu isto tantas vezes e eu continuo sem saber o que é que isso quer dizer na prática... Só tenho muito medo de estragar completamente um ano e meio de avanços ou pequenos avanços e começar a destruir-me por dentro novamente, quando terminar... A data está marcada. Não quer dizer que aconteça logo, tal como me disse, não quer dizer isso. Mas deixa-me assustada que esteja marcada. Uma coisa de cada vez. Respira fundo. Não entres em pânico. 
Esta semana passou completamente a correr e o tempo que eu tinha para respirar, não o tive. Não o tenho, ainda agora, apesar de ter conseguido parar um bocadinho no meio do stress que tem sido ultimar tudo para imprimir a tese. Foram largos meses de sacrifício e os últimos dias foram vividos em aceleração constante e stress máximo com as lágrimas a rebentar nos olhos várias vezes, com um peso constante no peito e com um peso mesmo muito grande nos ombros. Paro agora porque, apesar da noite muito mal dormida e do que senti logo que abri os olhos, sei que posso respirar, um bocadinho, melhor agora. Paro agora enquanto ainda tenho os dois documentos abertos para a revisão das últimas coisas e respiro. Porque preciso de respirar para que o aperto que sinto cá dentro, da correria dos últimos dias e das coisas não pensadas, acalme antes que eu me passe e entre em pânico. Respira, está quase tudo preparado e foste tu. Tens sido tu a guiar o teu futuro. És mais que capaz.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Três meses sem ti, Chester. E ainda dói. 

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Esta espécie de catarse estranha. Este misturado de frases fez-me acalmar de uma forma que ainda nada tinha feito. Ou talvez seja só o efeito de segunda, que acalma a doer muito, e que se mantém terça. Talvez esteja meio dormente e daqui a pouco volte tudo em triplicado. Por enquanto tenho uma bomba relógio a contar o tempo na minha cabeça. Tic-tac. Por enquanto tenho um décimo, apenas, do aperto na garganta. Por enquanto acho que nem dormir me ajuda. Então o que é que me ajuda? Como é que eu me ajudo?  

Esta semana perturbou-me e afectou-me muito. Sinto que ainda estou a apanhar bocadinhos de mim do chão. Está zangada com o pai. Desiludida com ele. E a aprender a cola-los, sem saber bem onde. Está zangada comigo ou consigo? Com as duas. Por termos falado nisto. Porque eu nunca tinha falado nisto ou procurado dar-lhe um nome. Mas era uma coisa que sempre esteve lá. Só lhe demos um nome. E agora já não dá para ignorar. Está ali e eu posso tocar-lhe. Não há magia que resolva isto. Preferia a altura em que não via porque acabava por passar ao lado. Por ser uma ferida aberta, que não fecha. Como é que eu fico bem? Podemos saltar para a parte em que eu fico bem? Não é por artes mágicas que fica tudo bem.  O que é que eu faço para me defender? Eu sou a mais fraca. É uma angústia? Como é que eu tiro este peso de dentro de mim? Lá está, a querer fugir. Porquê a culpa? E quando é que eu não me culpo? Como é que eu resolvo isto? E está a perguntar-me a mim? Posso ter essa responsabilidade e aparentar essa força, que eu nem sei se é força, mas vou ser sempre a mais fraca dali. Há uma sensibilidade muito grande, sente que tem que cuidar dos pais. Está a pagar? Sentiu como uma ameaça? Acha que lhe vão fazer mal a ela? Eu sei, eu sei. Estamos aqui numa coisa muito importante. Eu percebi, nas últimas semanas, que só depois de sair de casa e ter o meu espaço é que vou conseguir libertar-me disto. Precisa de ter um espaço seguro para o qual voltar. Precisa de garantir a estabilidade e a segurança. Então e o futuro? Então e todo o futuro? Qual é o mal de ter um projeto de vida com uma mulher? Vai estar a pagar uma dívida o resto da vida? Lembra-se quando eu fico revoltada por ver? Estou assim e queria não estar. Quero ficar bem. A grande questão aqui é que não confia. Não confia neles. Como é que espera que eu confie depois de tudo? É desconfiada. Não confia, sobretudo, nela. Quanto a esse assunto, vou ser sempre aquela criança de 14 anos. Não, vai levar-me consigo dentro de si. Sinto que estou a viver duas vidas e que sou duas pessoas. E isso é muito doloroso, carregar esse segredo custa muito. O ambiente está a tornar-se tóxico, porque agora vejo tudo. Porque é que não se deixa ser quem é? Desde que entrou aqui pela primeira vez já percorreu um bocado do caminho, tem vindo a aceitar-se. Eu estou atenta. Só observo. Não consigo suportar muito mais tempo. Fala-se mas não se diz. Anda-se às rodas. Mas elas sabem. O problema não é o que vou dizer mas o que eu vou ouvir. Eu sei que vai acontecer assim. Eu já passei por isso. Cuidar dos pais, cuidar da irmã. Não quer que ela passe pelo mesmo. Eu não me sei defender. Ninguém tem a certeza da reação. Eu vou ser sempre aquela miúda que chorou no sofá. Vai explodir, um dia vai explodir. E depois como é que vai ser quando explodir? Vai levar tudo à frente? Nós vamos sempre ter ali, dê por onde der, vamos lá bater. E é disso que tem medo?   

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Esta semana está a custar-me tanto, está a custar tanto a passar... Está a doer-me tanto caminhar, um passo a seguir ao outro. Mas continuo. Não sei como mas continuo. Aparentar estar bem. Ser feliz nos bocadinhos que consigo sê-lo. Continuo. Sem saber como, esforço-me por sorrir, por ser feliz aos bocadinhos. Está a doer-me muito perceber que já  me sei escutar e que só isso não chega porque mesmo quando me escuto não sei o que fazer a seguir. Não sei como melhorar as dores internas que esta semana está a trazer ao de cima, que já existem há tanto tempo e que esta semana está a transportar para a frente da batalha... I'm holding on... Why is everthing so heavy?

terça-feira, 10 de outubro de 2017

«Cresceste mais num ano do que a maioria das pessoas cresce até chegar à tua idade.»

És cada vez mais importante e maior em mim. Devo-te muito. És das melhores pessoas e sou uma sortuda por saber que te tenho comigo. Acredito que és para sempre.
«Eu acho que, apesar de tudo, é melhor serem assuntos do que não assuntos.» Mesmo quando dói muito, não me deixa fugir. Porque não há como fugir, não é? Obrigada por estar sempre ali.

E como eu começo a perceber que a minha vida está cheia de não assuntos... E o quanto isso me dói.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

O truque é - e sempre foi - ter a voz do Chester mais alto que os meus pensamentos. Quando me foco na voz dele custa menos.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Obrigada por estar sempre lá para me ajudar a compreender o que sou e a forma como reajo - às vezes mal - às coisas. Obrigada por me fazer rir com ideias que fazem todo o sentido, por me mostrar que não concorda quando acha que estou a fazer disparates, por me dar força quando vê que eu preciso, por me fazer ver mais profundamente do que vejo, por me deixar falar e deixar chorar. Não tenho medo de chorar ali. E por me dizer que sabe que dói, que sabe que é injusto, e sempre, mas sempre, que está ali. Esta sensação de confiança absoluta e brutal não poderia ter sido construída com mais ninguém. Por me fazer crescer. Sobretudo e sempre isso.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

É tão triste que estas coisas continuem a acontecer. Que continuemos assim. Que aches que o vinho é mais importante que a comida na mesa. Ou que ela te continue a aparecer e que nem te preocupes em perceber como é que apareceu. Sempre que estas merdas acontecem, quase todas as semanas, o meu coração morre um bocadinho. As lágrimas aparecem-me nos olhos, o meu peito fica pesado. Eu não deveria - nunca, em tempo algum - ser a responsável por isto. É triste que a nossa vida seja assim. É mesmo. 

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Eu sei que preciso de escrever - e muito - sobre o que aconteceu na segunda feira. Porque há uma dor profunda dentro de mim desde esse dia. Desde o dia em que deixei de ignorar tanta coisa ou que escolhi deixar o medo para o lado. Desde o dia em que ganhei coragem e coloquei os pensamentos em palavras em voz alta. Ali. Olhos nos olhos ou quase isso. E posso não me lembrar de tudo o que ouvi, porque sei que não me lembro. Mas lembro-me da dor que senti quando disse, quando senti as lágrimas a correrem pela minha face, quando quase arranquei cabelos... quando senti que - cada vez mais - não havia volta a dar. Será que esta sou eu, cada vez mais, a aceitar que sou como sou? Será que sou eu a compreender que preciso de estar em paz comigo para conseguir estar em paz com os outros? Talvez seja isso que procuro compreender e talvez seja o início de tudo isto... do resto da minha vida. 

«O que é que vou fazer sem isto?
Sem as sessões?
Sim...»
Dois meses, Chester. Faz hoje dois meses. E continua a doer. 

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Ontem à noite, quase em desespero máximo, escrevi aqui que queria ouvi-la. Hoje entro na faculdade, com a minha irmã ao meu lado, e estou a subir a rampa enquanto está a descer. Passou por mim e sorriu-me. E o sorriso valeu por todas as palavras que eu precisava de ouvir e que não ouvi. Segunda conversamos. Segunda está lá. E eu estou mais tranquila novamente. Tem o condão de fazer isso sem sequer dizer nada.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Eu sei que na segunda levei na cabeça por entrar em pânico quando supostamente tenho tudo sob controlo. Eu sei que na segunda conversamos sobre eu estar a ser obsessiva com isto tudo ao milímetro por causa de ter medo que a minha tese saía um aborto ou um trabalho prematuro. Sei que falamos sobre as minhas expetativas tornarem-se menos altas porque não posso ser a perfeita das perfeitas... tenho que parar de pensar que isto vai sair uma tese dos deuses... Eu sei que falamos sobre isto tudo. E lembro-me disso. Tem-me suportado durante os últimos dias. Falar nesta merda toda e saber que está ali, deixa-me mais tranquila e que tenho estado mais segura de mim. Mas agora não posso estar tranquila e precisava tanto de ouvi-la novamente... A minha cabeça está a explodir, eu vejo os dias a passar e sei de tudo o que tenho que fazer e nada, nada, parece feito... Há tanto para onde olhar, pare refazer, para melhorar. Eu estou a dar em maluca e o pior é que ninguém parece importar-se com isso porque dizem que tenho que estar mais calma, que não posso stressar e que não posso criar problemas onde não existem...

Não tenho palavras para o que aconteceu...

I: As duas únicas pessoas que sabem o que aconteceu são...
She: Eu.
I: Sim... E a minha orientadora...

Como é que vai ser suposto eu continuar a viver?


I: Fazes-me falta, aqui ao meu lado na biblioteca enquanto dou os últimos retoques nisto. Ou os quase últimos. Fazes mesmo, sabias? Adoro-te, sempre.

She: Gostava mesmo de estar a estudar ao teu lado. Sei que ambas rendemos mais quando trabalhamos ao lado uma da outra! Sei que quando paramos para lanchar estou feliz por estar contigo. Estou a 3000 km de distância a estudar e tu a fazer a tese. Vamos trabalhar juntas? Lado a lado mas separadas pela distancia física. Quando fores lanchar avisa.
P.s. eu também já comi chocolate hoje.


É por isto, é por isto, que tu vais sempre ser a pessoa que me levanta. Há quase dez anos.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Quando começo a não conseguir dormir, a situação torna-se grave, torna-se mesmo grave. Não dá para adormecer, o meu cérebro não me deixa. Não paro de pensar no que falta fazer, no que não está feito. Acordo a meio do sono, já muito leve, porque me lembro de coisas importantes para introduzir em diferentes capítulos... E quando chego à hora de recomeçar o trabalho só consigo pensar que não está a dar para fazer tudo o que devia... Estou cansada. Olhei para mim às quatro da manhã e assustei-me com aquilo que vi no espelho. Voltei para a cama e continuei sem conseguir dormir. 

Quando me levantei hoje de manhã só pensei que tenho que se capaz. Tenho que conseguir dar a volta por cima. Tenho que conseguir. Vou ser capaz. Tenho apenas que aprender a descansar. Nem que me deite a meio da tarde para repor o sono... A ansiedade, o stress e o medo no final desta tese estão a dar cabo de mim. Completamente.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Nível de desespero da noite de ontem, numa conversa por e-mails... 

I: Eu acho que vou morrer mentalmente antes de lhe entregar isto tudo... A sério que acho.
She: Não me morra antes de, pelo menos, defender a tese, por favor, que isso não dava jeito nenhum, pode ser? 

Quando tenho a melhor pessoa a acompanhar-me nisto... Acho que só assim vou chegar a algum lado.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

De manhã estava bem... sentia-me a trabalhar, sentia-me confortável com um plano em vista... Se ontem à noite já me estava a incomodar não ter um plano, hoje, senti-me bem quando o soube delineado... Agora, depois de três horas de trabalho em que quase nada mudou, compreendo que tenho pela frente várias horas de Linkin Park a gritar aos meus ouvidos enquanto (tento fazer) faço estas correções todas. Isso e as lágrimas a caírem dos olhos ou guardadas à espera de saltarem. A respiração ofegante. Os braços frios, as pernas frias. O corpo a tremer. O meu cérebro a gritar que não consegue lidar com isto, que não sabe fazer melhor, que é difícil, que não chego lá... Dez dias. São dez dias. Dez dias em que vou lutar contra mim própria para terminar isto.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Ainda sinto os olhos enevoados e pesados, mesmo já tendo passado várias horas. Ainda tenho o coração pesado, uma dor estranha que me arrepia. Deitei-me na cama durante a tarde para (re)aprender a respirar e acabei por adormecer, por muito que não tenha dormido quase nada. Doeu muito regressar mas doía mais se não regressasse de todo. Ouvir que não vai desaparecer e que posso pedir ajuda quando precisasse valeu toda a espera, toda a separação, todas as lágrimas.


Acho, também, que nunca tinha olhado claramente para o sítio onde me sento como hoje, hoje compreendi que estava colocado de forma diferente. Hoje sentei-me de forma diferente. Hoje senti-me diferente, foi um regresso mais doloroso do que o último. Foi um regresso que eu precisava mais do que o último.

sábado, 2 de setembro de 2017

A minha vida é e sempre foi um conjunto de reviravoltas. "E de todas as reviravoltas da minha vida tu és a mais bonita.", continuas a ser. Não perde a validade quando me magoas, quando me fazes chorar, quando me fazes dizer-te que não aguento mais nenhuma discussão, que não quero ouvir mais nenhuma palavra e que não me apetece conversar contigo. E é por seres a reviravolta mais bonita da minha vida que eu fico nos dias maus, depois de todas as coisas más que te digo. Provavelmente será por isso que ficas também... E é por seres uma das minhas maiores certezas - de apoio, dedicação e preocupação pura (até quando te acuso do contrário; quando parece que estás noutro mundo, eu sei que na maioria dos dias o que sinto é isto) - que eu fico, dia após dia. Que aguento a distância, que aguento a falta do teu abraço, a busca incessante pelo teu sorriso, a falta do calor da tua mão na minha. Porque quando estás perto tudo faz sentido. Quando estás aqui, quando eu estou aí, quando a companhia é a certa, não preciso de mais nada para ser feliz. É saber que me compreendes na sua plenitude, não sou só dias bons, não sou apenas dias bons. Sou dias maus, sou dias em que compreendes que os meus monstros ganham, que compreendes toda a dor que não abordo regularmente e que sai em golfadas dentro de mim. E estás lá. Fazes por estar. Pedes desculpa quando falhas. Choras, sofres, mostras-me que erraste e que sabes que não podes deixar-me quando mais preciso. Eu sei que sou uma pessoa que precisa. Que te precisa perto. E, muitas vezes, diz coisas que não têm razão nenhuma porque o que quer dizer é que deverias fazer de outra forma. Eu sei que te magoo e que te desiludo. Que esperavas mais de mim. Que te deveria dar mais. Eu tenho noção de que não fui sempre irrepreensível como deveria ter sido, como mereces que seja. E, sobretudo, eu sei que deveria estar aí. E sei que não estou, que é inteiramente culpa minha e que nós merecíamos mais. Mas, desta vez, os monstros ganharam. E tu continuas aqui. E eu continuo aqui. Acredito que sejamos para ficar, dê a vida as voltas que der, nós vamos sempre arranjar uma forma de permanecer perto. Não sei estar longe, mesmo que fisicamente não esteja onde deveria estar - hoje. És a minha certeza de que tudo pode mudar e que os dias bons devem ser celebrados. Todos os dias que acordo e que sei que estaremos juntas são dias mais que bons. Minha pequenina, obrigada pelos últimos doze meses, por me mostrares que tenho muito mais paciência do que achava que tinha e por não desistires de mim quando me torno uma cabra valente. Obrigada por acreditares em nós e por, bem ou mal, nunca me teres deixado cair. Tenho muito orgulho em nós. 12 meses desde que decidimos que íamos ser felizes, mesmo à distância. 

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Eu sei que ontem disse que desistia. Sei que disse e sei que é o melhor para mim. Assim que o fiz a minha atmosfera passou de perigo constante a um sentimento de alívio que é muito bem vindo. Mas também sei que continuam na minha cabeça as ideias que estavam ontem até à minha decisão. E sei que quando elas se tornam mais fortes que o nó no estômago, na garganta e o aperto no peito voltam todos... E estou só cansada disto. Eu não queria desistir mas também não quero estar assim... Quando sei que não vou conseguir... Sinto-me mesmo horrível comigo própria e com os outros. Não sou a única a sair magoada nisto.

sábado, 26 de agosto de 2017

Pequenos (grandes) apontamentos dos últimos dias - ou, uma auto-análise em algumas frases...

Eu sei. Mas sabes o que é que eu acho de mim? Para além de me impedir de fazer coisas que me fazem feliz para me castigar por algum motivo sórdido que eu ainda não compreendo? Eu acho que é precisamente o ter coisas a ganhar que me faz ter mais medo. 

Inês, porque é que temos sempre que passar por isto? Porque é que sempre que eu quero fazer qualquer coisa eu faço isto a mim própria? 

Mas eu tento sempre. Demoro é sempre muito a tentar. Tenho que fazer uma lavagem cerebral para tentar. E só o passo de tentar já me esgota.


Estou completamente esgotada com isto. Sinto que não estou a ir a lado nenhum, que só tenho medo, medo e medo. Sinto que não sou capaz de fazer nada, estou tão cansada, tão frustrada. Tenho um aperto enorme na garganta e uma dor no peito que não passa e as horas continuam a passar e eu continuo sem fazer aquilo que quero. E sinto que já desististe... E mesmo que eu te queira provar que eu consigo eu estou bloqueada, completamente paralisada pelo medo. Não mereço mesmo ter convites e coisas para fazer...

[Preciso t-a-n-t-o de voltar a ouvi-la. Só isso.]

terça-feira, 22 de agosto de 2017

She: (...) Segunda quero-te aqui. Ou domingo e ficas com a Joana até eu chegar. 
I: Está bem, Inês. Prometo que vou conseguir. 
She: Eu sei, não perguntei se ias conseguir. Só estava a acertar as datas porque já sei que vens. 
I: És a maior, sabias? 
She: Por acaso sim.

domingo, 20 de agosto de 2017

A verdade é que não me vou esquecer disto... E sei que também não vais. Sei que na próxima oportunidade vou levar com isto em cima novamente, e que me vais magoar tal como me magoaste agora. A antiga Rosa encolhia-se num canto e ficava em casa, sozinha, cagava completamente no convite que teve e fugia simplesmente, dando uma desculpa esfarrapada. A nova Rosa, a Rosa de hoje, vai arranjar uma solução para isto. Primeiro e sempre a tese.

Estou só mesmo despedaçada.

sábado, 19 de agosto de 2017

Calma, esta é a recta final.


Não está a resultar. Mas eu continuo a tentar.
A verdade é que estejas aqui ao meu lado, no Porto, ou no outro lado do mundo (exagerando, mas posso), vais sempre dizer-me a coisa certa no momento em que dela necessito. Fazes-me muita falta. Dava tudo para te ter sentada ao meu lado nesta próxima semana. Penso que já percebeste, mesmo à distância, que a ansiedade está a matar-me.
O que mais me custa é a solidão e as dúvidas que não quero partilhar com ninguém porque eu sei bem com quem precisava de partilhar. Acho que até aqui consigo ver o meu crescimento. Sei quem preciso e espero, pacientemente (mesmo que, às vezes, não), que isso aconteça. 

Enquanto isso não acontece sei que a escrita não me deixa sozinha. 

sábado, 12 de agosto de 2017

She: Ontem descobri que o pai é homofóbico.

I: Só descobriste isso ontem?

She: E racista.

Mom: E os avós também.

Exato, como é que esperam algum dia... exato... E tu, será que estás a mudar? Em relação ao que eras? Será que cresceste? Tenho a cabeça às voltas.
Acho que o meu novo mantra, para repetir quando estiver a perder o controlo, vai ser mesmo isto «Calma, esta é a recta final...», é normal eu achar que está tudo a correr mal só porque estou na recta final ou só porque eu acho sempre que está tudo a correr mal. Vamos ter que discutir isto algures...

Devia dizer-lhe que desde que escrevi que comecei a trabalhar com mais força, que até já comecei o capítulo que mais queria adiar, que até já abri um word para iniciar a conclusão mesmo que ainda só tenha lá duas frases... mas acho que não consigo responder-lhe, por estar demasiado envergonhada por ter falhado. Mas estou a trabalhar, eu estou. E vou trabalhar com o máximo esforço a partir de agora. Isto vai ficar feito. Eu prometo. E eu vou voltar a dormir em paz. [Coisa que tenho a certeza que não vou mas pronto, posso tentar acreditar nisso.]

«A capacidade de aguentar estar perdida sem arrumar as dúvidas demasiado depressa é muito importante no processo de descoberta.», já não po[sso]demos esconder todas as minhas dúvidas debaixo do tapete, não é?



[Não sei se resultou. Senti-me completamente perdida, senti que não sabia fazer isto... Senti que não tinha para onde me virar e as lágrimas simplesmente caíram...]

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Todas as semanas me lembro que passou mais uma. Não me esqueço, Chester. E ainda dói. Why is everthing so heavy?
01.39h

«(...) E, na verdade, sinto-me a falhar por causa disso, mas agora já está, estou apenas a deixar fluir e a escrever o que sinto... (...)»


[Saiu-me um peso de cima com isto. Até acho que dormi melhor e que hoje trabalhei o triplo de todos os dias antes deste. Só por este falhanço brutal já me senti melhor hoje do que nos dias todos antes deste. Tirando uma ou outra excepção dado que as horas em que estou acordada não podem correr sempre 100% bem...]

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Eu, tantas e tantas vezes, mesmo eu. 

«I want to be alone and I want people to notice me - both at the same time.»
Houve várias pessoas que me desiludiram e me magoaram no dia em que é suposto sentir-me especial. Não paro de pensar que aquela velha máxima do só faz falta quem está, tem que se adequar a tudo na nossa vida. As coisas boas têm que superar, sempre, as más. E agora nos primeiros dias vai custar porque me vou lembrar disto muitas vezes mas depois vai passar. Vai acabar por passar, tal como tudo na vida.

domingo, 30 de julho de 2017

One week.

«Goddamit, Chester. Why did you have to do this? Your words saved me, why couldn't they save you? We all whis they had. We'll always wish they had.»
Os problemas empilham-se como caixas na minha cabeça e têm morada fixa no meu cérebro. Quando penso que abro uma das caixas, que vasculho bem e que encontrei a solução para me livrar dela... Olho em volta e ainda tenho outras mil caixas a precisar da minha atenção. Nascem mais fontes de problemas do que eu gostaria porque não tenho capacidade de os resolver. Era tão mais fácil simplesmente não viver assim... Deve ser por isso que ouço, vezes a mais do que gostaria, que não sou verdadeira. Porque escondo partes de mim. Ou melhor, porque não as mostro tão claramente como devia. 

[«Eu sei que está farta de viver assim e que os segredos estão a consumi-la», a falta que me faz... A falta profunda que me faz.] 

Tenho um aperto no peito que não sai. Só consigo pensar em tudo o que vai dar errado porque sei que há uma enorme probabilidade de dar tudo muito errado. Desta vez é completamente real. Estou completamente a entrar em pânico profundo e só me apetece fechar-me algures e assumir que deixei de existir. Não está a dar.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Tenho a cabeça completamente a explodir. E só penso se deveria escrever tudo o que estou a sentir e... Se isso me ajudaria. Se ficaria pior. Se devia deixar simplesmente tudo a navegar na minha cabeça tal como está. Só sei que estou a explodir de dor. 
Quando pensas demasiado numa coisa é porque não podes passar sem a fazer - e acho que foi isso que pensei quando fiz o que fiz. Mais uma tentativa de falar contigo. Mais uma tentativa. Só queria deixar(-te) claro que quero compreender o que não tive oportunidade. Eu só quero compreender porque é que fui tão má amiga. Se o que fiz foi motivo tão forte para te quereres afastar e estares tão melhor assim. É só isso que preciso que me expliques. Porque sei que não conseguirei avançar enquanto continuar a pensar que te falhei de uma forma tão forte como deste a entender que o fiz. Eu só espero que me respondas, quando quiseres, se quiseres.  

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Talvez as lágrimas quase a cair pela minha cara abaixo tenham sido apenas reflexo dos nervos que eu estava a sentir por me estares a obrigar a fazer uma coisa que eu sentia que não conseguia fazer... É tudo culpa da minha cabeça e sou eu que crio os meus problemas, eu sei. Custa-me só muito mais quando és tu a dizê-lo porque a tua voz quando o fazes... simplesmente dá cabo de mim. Mas obrigada por me teres obrigado a enfrentar a situação... Se não o tivesses feito eu não tinha saído dali. «Só tens que ficar orgulhosa porque conseguiste».

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Eu não esperava acordar com uma resposta tua a uma coisa que eu disse há quase um mês num momento de pura fraqueza. E não te deveria ter respondido logo quando ainda estava a dormir porque sinto que errei comigo própria ao fazê-lo. Pedi-te para reconsiderares a tua decisão, se não havia uma forma de nos reerguermos. Era, esse, pelo menos, o meu objetivo no que te disse. Mas, na verdade, não deveria tê-lo feito. Foi errado, foi errado porque eu não fui a única a cometer erros e os meus erros nem foram assim tão grandes para provocar o teu afastamento - para ti podem ter sido mas nunca sequer conversamos sobre eles de forma concreta, devíamos tê-lo feito para eu te entender. Para me ouvires e me entenderes também. Tu também erraste comigo e quando falo contigo esqueço-me disso, tenho tendência a colocar toda e qualquer culpa em cima de mim... Talvez porque aquilo que me disseste me apanhou tão de surpresa... nunca sequer o tinhas referido, nunca te tinhas queixado de nada... Caiu completamente de paraquedas numa altura em que eu nem sequer pensava... Eu sabia que estávamos mal. Não imaginei que fosse tão mal assim. 

Gostava tanto de saber que estás bem, que estás feliz, que está tudo bem na tua vida. Quero tanto que sejas feliz. Espero, sinceramente, que os últimos meses estejam a ser aquilo que precisavas e que sorrias todos os dias. Torço por isso. 

terça-feira, 25 de julho de 2017

She: Adoro-te!
I: Adoro-te também! Desde a primeira vez que te vi!
Achei que ainda estava a dormir e que estava a sonhar porque quando acordei li um "miss you" e foi mesmo estranho... Primeiro achei que te tinhas enganado no número, que a mensagem não era para mim. O destinatário só podia ser outro, não fazia sentido absolutamente nenhum... Como voltei a dormir só respondi depois. Dei-te a entender que deverias reenviar a mensagem para a pessoa devida e disseste-me que eu era essa pessoa. Ter tentado retirar de ti o porquê dessa mensagem foi ainda pior, foi ainda mais estranho, não insisti mais e continuei sem perceber... Tens saudades minhas como assim? Nós mal nos falamos. Falamo-nos quase de ano a ano... Vá-se lá entender. Vá-se mesmo lá entender esta mensagem! Definitivamente tu és muito estranha, Ana Filipa.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

«We’re trying to remind ourselves that the demons who took you away from us were always part of the deal. After all, it was the way you sang about those demons that made everyone fall in love with you in the first place. You fearlessly put them on display, and in doing so, brought us together and taught us to be more human. You had the biggest heart, and managed to wear it on your sleeve.
Our love for making and performing music is inextinguishable. While we don’t know what path our future may take, we know that each of our lives was made better by you. Thank you for that gift. We love you, and miss you so much.»

domingo, 23 de julho de 2017

Vou dar-me mais uma semana... se continuar a sentir-me assim, tão perdida, diminuída e cansada como me tenho sentido até aqui, eu prometo(-me) que peço ajuda, que [lhe] escrevo. Eu prometo que escrevo, como conseguir, tudo aquilo que estou a sentir. Eu sei que vai estar lá do outro lado para me ouvir, só não queria ser a fraca que precisa já, mas a ideia está na minha cabeça. E está há muitos dias instalada - desde quinta, para falar a verdade. Só tenho lutado contra ela o máximo que posso. Quando me deito na cama penso que consigo lidar perfeitamente com tudo isto, que sei que está a doer mas a dor é passageira. «Let it go»


Like always; 
«Do you feel cold and lost in desperation
You build up hope but failure's all you've known
Remember all the sadness and frustration
And let it go
Let it go»
Anda a custar-me muito dormir. Parece que todas as noites acordo com uma qualquer música na minha cabeça. Com a cabeça a latejar. E a dor acompanha-me durante o resto do dia. Está a ser mesmo muito difícil de superar isto tudo. Estou a esforçar-me, juro que estou. Não consigo processar tudo isto mais rápido que está a acontecer... E, sinceramente, deixa-me frustrada, irritada comigo própria.

sábado, 22 de julho de 2017

A partir do minuto 9 disto e até ao minuto 14... Eu nem consigo expressar a dor que é ouvir esta entrevista. É saber tudo o que eu já sabia até aqui... Mas o que me dói mais é saber que compreendo exatamente o que ele está a dizer ali. Há coisas que doem mesmo muito. E juro que o teu desaparecimento deste mundo está a ser uma delas.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Sinceramente, a última coisa que eu precisava hoje era ouvir comentários sobre o quão parva era e sobre as minhas atitudes parvas nos últimos dois dias... E eu tive isso, quando não precisava. Não tinhas sequer que tecer nenhum tipo de comentários. O que eu faço só a mim diz respeito. O que eu coloco nas redes sociais sou eu que coloco. [E foi por isto que deixei de colocar tanta coisa e que tenho medo de tanta outra...] Não tem nada a ver contigo. Não pode ter. É da minha responsabilidade e da minha "autoria". Acho que consegui - mais ou menos - lidar com a situação, fazer valer o meu ponto de vista. Sobre o que continuaste a achar não posso ficar a pensar nisso. Não posso. Se o fizer só vou ficar mais e mais deprimida. E é a última coisa que eu preciso; entrar no poço agora.

[Precisava mesmo de si. A sério. Saber que não vou ter a conversa que mais precisava... A semana começou mal e acabou mal precisamente pelo mesmo motivo - pela mesma pessoa. E eu continuei a sentir-me uma miúda estúpida e eu não sei se vou conseguir sentir isso nas próximas semanas sozinha, sem si para me ouvir...]


Actualizando... Quando dás a prenda à minha irmã e eu comento que também já tinha dito que queria uma coisa igual... a única coisa que devias responder foi o que disseste no final: que ela também te tinha dito o mesmo. Não era dizeres alto e bom som a toda a gente que eu fazia sempre isto, que ficava sempre assim todos os anos. Respondi-te que estares a dizer isso era ridículo porque não fazia sentido, que eu não fazia sempre isso. E tu disseste-lhes que esta era a verdadeira versão da Rosa, que não era a Rosa calada, era a que respondia assim. E não, não é. Essa não é a minha versão. Eu não respondo muitas vezes, eu calo tanto. Não imaginas tu o quanto eu calo. 
Dentro do que é possível, ontem, eu estava a ter um bom dia. Estava a conseguir lidar com as coisas todas, a sentir que estava a chegar a algum lado. Até tudo ter mudado numa questão de segundos. "Chester morreu", repetido, pelo menos, três vezes por três pessoas diferentes. E não, eu não acreditei. Comecei a tremer. Arrepiei-me, um arrepio contínuo que não passava por nada. Não era frio apesar de me ter apressado a vestir um casaco. Depois tirei o casaco e voltei a vesti-lo numa questão de segundos. Talvez para ganhar tempo. Porque não sabia o que dizer apesar de saber que gritei logo um "não". Sei que a minha voz saiu estridente quando respondi a todos que estavam a gozar, que não tinha morrido nada, que era mais uma fake new que anda por aí que tantas vezes repete que ele morreu e passado um bocado ele vem a público mostrar que está bem vivo... Rapidamente os meios de comunicação em Portugal começaram a difundir a notícia. E eu não acreditava, eu repetia que não havia uma confirmação oficial e que, por isso, era mentira. Continuava a repetir que não estava morto. Lembro-me de me dizerem "mas estás em negação?" [obrigada, Leandro, não fazia sentido passar a noite de ontem a conversar com mais ninguém, obrigada por teres ficado comigo], e agora... olhando para trás, estava. Sim, só podia estar. Quando o Mike escreveu aquele tweet o meu coração ficou completamente partido. Fiquei completamente em choque. 
Já te estava a ouvir antes, já tinha em repeat no youtube porque precisava mesmo de te ouvir a voz para me agarrar a uma esperança qualquer de que isto era só mais uma daquelas notícias sem fundamento nenhum. Só que não era. Soube, a partir do momento em que o Mike veio a público, que não era. Não podia ser. O Mike, de coração mais partido do que o nosso - que o meu, que o de todos nós, os fãs - não podia mentir sobre isto. Fiquei com uma dor de cabeça muito forte que não passou nem com uma noite de sono. Chorei cada vez que te ouvi ontem, Chester. E apressava-me a limpar as lágrimas. Mas não conseguia não chorar. E depois à noite, antes de conseguir adormecer, chorei a ler todas as notícias que apanhava na esperança de que alguma conseguisse explicar mais alguma coisa. E esta noite não foi uma boa noite de sono. Foi uma noite em que eu acordei várias vezes com a tua voz na minha cabeça, com a Crawling no meu cérebro. Quando a Crawling nem é uma das minhas músicas de eleição. Acordei mais cansada do que quando me deitei. Adormeci a chorar e acordei com um peso enorme no meu coração e sei que não vai passar só porque escrevi sobre ele. Porque ainda sinto que estou a viver um pesadelo. Porquê, Chester? Tu, que eras a voz mais forte que os meus pensamentos negativos todos? Tu, que me acompanhavas em todas as noites de insónias? Em todas as manhãs geladas? Em todos os pensamentos ansiosos, negativos? Tu sucumbiste aos teus próprios demónios quando não me deixavas sucumbir aos meus? Tu, a minha companhia absoluta nos dias piores? Na verdade, e eu sei isto muito bem... A dor não se vê, a dor é facilmente mascarada. O ser humano consegue, muito facilmente, esconder a sua própria dor dos outros. E é por isso que eu compreendo que ninguém tenha percebido que tu estavas prestes a eclipsar. O que mais me custa... é que eu não acredito que nunca mais vou ouvir a tua voz. Eu não acredito que nunca mais te vou ouvir. Eu não acredito que nunca mais vou ter oportunidade de te vou ouvir ao vivo. E guardo com muito carinho aquele dia em que consegui comprar o bilhete do concerto e que soube que ia ver uma das minhas bandas de eleição. Assim que ouvi os primeiros acordes, no Parque da Bela Vista, em 2014, eu chorei. As lágrimas caíram-me pela cara abaixo e eu soube que estava a concretizar um sonho. E depois... Saber, agora, que nunca mais vou ter essa oportunidade... As letras que tu cantavas, desde ontem, que ganham um significado diferente, muito mais macabro, doloroso. Tenho o coração completamente partido. O último álbum está recheado de letras que me doem muito mais hoje do que em todos os outros dias que o meu cérebro precisou da tua voz para aguentar mais um dia mau. Não te digo que estou zangada contigo, não estou. Estou em choque, ainda. Dói-me muito que tudo isto esteja a acontecer. Não sei quando é que vou recuperar desta notícia. Não consigo deixar de te ouvir. E de te ver. E de sentir que isto só pode ser um pesadelo. Descansa em paz, Chester. Espero que aí encontres a paz que procuravas aqui. Obrigada por tudo! Obrigada por tudo, m-e-s-m-o. Mantenho-te na minha memória, acredita. Sempre.

terça-feira, 18 de julho de 2017

«Não é motivo para celebrarmos, pelo menos aqui?», foram seis meses de desespero, frustração e desilusão. Foram seis meses a compreender todas as repercussões e ligações nisto tudo, como uma só coisa me trouxe tantas. Trouxe tantas à tona. E falamos nelas todas. Discuti-mo-las exaustivamente. Estávamos cansadas, não estávamos? Ontem sorriu quando eu disse que podíamos admitir que estávamos, as duas, fartas disto. Porque estávamos. E acho que depois de tudo o que me disse ontem - e quando finalmente eu interiorizar tudo o que conversamos - acalmei levemente a minha frustração comigo própria. A minha desilusão comigo própria. Só queria saber que tenho capacidade de o fazer sozinha. Sei que se não tiver que posso recorrer à escrita e rapidamente me responde... mas não é a mesma coisa - escrever-lhe ou falar-lhe; nunca é.
Eu preciso que tudo comece a correr bem mas sinto que perdi todo e qualquer entusiasmo para enfrentar isto... E não sei onde é que vou voltar a ir buscá-lo para me levantar. Porque a única coisa que eu quero é levantar-me para fazer com que comece a correr tudo como devia. Estou cansada por sentir que quanto mais faço, menos vejo feito...