segunda-feira, 27 de março de 2017

Sinto que estou no meio de uma guerra. Sinto que para onde quer que eu me vire que tenho um monte de problemas para resolver. E sinto que não consigo resolver nenhum. Que só crio mais e mais. E mais. Estou cansada, estou realmente cansada de fazer isto comigo própria. Só queria mesmo desaparecer. 

[Eu só sei que vou estar aqui seja qual for a decisão que tomar. Eu estou aqui. Não está sozinha. Obrigada.]
She: Quando ontem disseste que sentias que se eu estivesse estado no sábado que as coisas tinham sido diferentes. Caiu-me mesmo muito mal. E não foi por teres dito isso. Foi o sentir que é verdade.
I: Eu pensei nisso no sábado. Que se tu estivesses aqui me tinhas acalmado e eu não tinha dito o que disse. Tal como fizeste ontem. Em pelo menos duas vezes. (...) Tudo porque me mostraste o "outro lado". Eu sei que quando estou magoada fico cega. Eu sei que não vejo mais nada se não a minha dor. E tu "obrigas-me" a abrir os olhos e parar de ser egoísta e olhar só para o meu umbigo.

sábado, 25 de março de 2017

«I hate you I love you
I hate that I love you
Don't want to, but I can't
Put nobody else above you

(...)

You wouldn't bet that shit
I type a text but then I
Never mind that shit
I got these feelings but
You never mind that shit

(...)  


And if I were you, I would never let me go»
Odeio-te. A cada minuto que passa eu odeio-te mais.
Odeio a mudança que me tenho apercebido que está a acontecer dentro de mim. Odeio-a. Odeio-me a mim sem nenhum tipo de armadura que me proteja da dor, da desilusão e do sofrimento e continue a fazer com que eu tenha expetativas sobre as pessoas que me rodeiam. Odeio isto. Odeio sentir-me dependente de alguém. Odeio precisar do outro para conseguir sentir alguma coisa para além de vazio. Odeio compreender que não estou a conseguir suportar-me. Odeio o vazio que está dentro de mim. Odeio a dificuldade em fazer alguma coisa. Odeio sentir que a minha gargalhada acontece mas é uma coisa do momento e, por isso, falsa. Odeio não sentir prazer em nada do que faço, querer sorrir e não conseguir e só me apetecer dormir. Odeio viver com um aperto constante no meu peito e, tantas vezes, ensaiar pequenas golfadas de ar porque sinto que não vou conseguir respirar mais. Não consigo lidar com a desilusão que (me) causei e é por isso que não tenho conseguido sentir nada para além de vazio ou um ocasional ódio em que me apetece mandar tudo à merda e simplesmente desistir. Por isso ou por ainda estar em choque porque não esperava... Na verdade não sei.
Quando se misturam com os meus pensamentos. 

quarta-feira, 22 de março de 2017

Sinto-me completamente diferente. Eu não era assim... Eu não dizia o que sentia de forma tão gratuita. Não era tão desequilibrada, tão carente, tão vulnerável. Não me sentia tão frágil, tão sensível. Os muros estão a cair, mesmo que mais devagar em algumas frentes, mas estão a cair todos. E eu nunca mas nunca imaginei que isto pudesse acontecer. E sei que só há uma causa para isso e chama-se psicoterapia e só me apetece fugir. Já posso fugir? Ignorar o último ano? 
Ponderei mesmo muito antes de fazer isto mas sei que preciso de escrever porque quando escrevo estou perto de encerrar o assunto. 

A última coisa que eu estava à espera ontem quando te mandei mensagem para falarmos sobre nós era que me falasses sobre a Leonor e que me contasses o que me contaste. Quer dizer, uma pessoa está na praxe três anos e nesses três anos nunca fazem nada com o curso dela. Uma pessoa saí da praxe e têm um jantar de curso. A vida parou de ser boa quando? Não me apercebi. Ainda por cima convidam-na e convidam a Rita. E a Rita não me disse nada na segunda, podia ter referido de passagem o assunto... [O que até é bom, é sinal que não se lembra.]

O que mais me doeu foi saber que ela te disse que não estava bem... que estava a passar por algo mau na vida e que o teu abraço lhe fez bem porque ela não é a pessoa fria que pintam... Isso fez-me ficar triste. Não consigo parar de pensar no que será. Será que tem alguma coisa a ver com o que eu sonhei há duas semanas? Enfim, nunca vou conseguir perceber... Só espero que fique tudo bem muito rápido. E que eu volte à fase em que não me passavas pela cabeça [quase] em altura nenhuma. Eras um pensamento pontual por alguma razão pontual e eu vivia muito mas muito bem com isso. 

sexta-feira, 17 de março de 2017

«(...) Acha que seria mais violento do que a vida que tem agora? Acordar todos os dias a viver uma vida que não é a sua, numa pele que não é a sua, numa vida que não quer ter? Diga-me, sinceramente, acha que pode haver coisa mais violenta do que uma pessoa negar-se a si própria?»
«Uma merda é confrontares-te com as tuas limitações todos os dias. Teres os olhos abertos de uma forma que não julgavas possível. Tão abertos que só querias mesmo que se voltassem a fechar porque doía de forma diferente. Uma merda é sentires que desiludes toda a gente. Sentires que não há ninguém que te entenda completamente e que quem o faz não te pode ajudar na plenitude da forma que precisas. Uma merda é acordares todas as madrugadas com ataques de pânico, viveres numa ansiedade constante que parece que a cabeça te vai saltar do pescoço e o coração te vai sair do peito. Uma merda é não conseguires descansar quando deves descansar. Uma merda é sentires que desistem de ti e que, por isso, tu só queres desistir também. Uma merda é sentires que tudo o que fazes não é suficiente para estar tudo bem. (...)»

quinta-feira, 16 de março de 2017

Não esperava mesmo que me ligasses e quando o fizeste e disseste que o tinhas feito porque precisavas de acalmar para (e dissemos ao mesmo tempo) seres a melhor versão de ti própria para ela... E saber que me escolheste a mim... É tão mas tão bom sentir que sou válida, que sou importante e que sou necessária. Gosto muito de ti e é uma bênção que tenhas voltado à minha vida com a força com que voltaste. Hoje somos muito melhores, muito mais nós e viver sem ti não tem piada nenhuma.
«Acredita em ti. Tu sabes conduzir. Só és trapalhona. E precisas que te ensinem.» É este género de frases que me tens dito, todos os dias. Repetidas mil milhões de vezes. Foi isso que voltaste a dizer-me ontem durante todo o dia. E que estavas farta das merdas que eu dizia em voz alta sobre mim própria. E sabes o que é que eu pensei quando disseste isso? "Nem sabes metade.", e ainda bem. Por enquanto, ainda bem. Porque não quero que saibas que estive(/estou) tão destruída assim... que a minha auto-estima começa a estar abaixo de zero e que começo a não ver saída para isto - e isto pode bem significar uma paragem na evolução que quero ter como pessoa...
Ontem disseste que não podia deixar que me minimizassem, humilhassem, espezinhassem, e que não podia voltar a entrar em casa da forma como tinha entrado. E enquanto dizias isto eu pensava "Já passei por muito pior, só que nunca se notou - e ainda bem!"... Disseste que tenho que me valorizar como pessoa. Que tenho que ter auto-estima. E eu só sentia que a máscara está a cair e não tinha onde me agarrar... Está a ser muito mau passar por tudo isto porque não estou habituada. Eu [agora] mostro - mesmo que ainda pouca coisa do que sinto - e não sofro para dentro... E é a primeira vez que isto me está a acontecer em vários anos. E foi exatamente o que eu disse na segunda... posso não estar a sofrer mais mas a dor dói mais. 

[Desde ontem à noite que sinto que vai haver alguém a rejubilar de alegria na próxima vez que entrar por aquela porta. Vamos festejar esta evolução de dentro de mim, não vamos? Aposto que me vai brindar com um daqueles sorrisos rasgados e que me vai dizer que estou a chegar lá e que isto é uma vitória, por muito que eu esteja à sua frente a dizer que não, e que até sinto prazer em estar assim. Mas chegar aqui dói porque não sei viver isto... Preciso de si. E ando a tornar-me muito repetitiva naquilo que preciso. E sim, também já a conheço.]

quarta-feira, 15 de março de 2017

A última coisa que eu precisava ontem foi o que me aconteceu e, a seguir a isso, o meu silêncio era só a certeza de que não queria discutir e ficar pior do que estava. Mas levaste-me a isso e não sei se aconteceu o que deveria ter acontecido. Estamos melhores agora, apesar de não conseguirmos falar... Mas estamos melhores. Ou eu sinto que estou melhor contigo. Só preciso muito de ti, cada vez mais, de uma forma que não sei explicar ou sequer controlar. Estou diferente e não consigo (ainda) encontrar o equilíbrio entre o que era e o que estou, principalmente na última semana...

«Quando eu não te falo na tua cabeça têm que estar duas coisas "ela está na lama, ela precisa de mim" ou "eu fiz merda, ela precisa de mim". Ou as duas juntas. E sabes qual é a p*ta da coisa constante nisto? É que eu preciso de ti. Mesmo quando te odeio.»


Sinto o meu espírito a arrastar-se pela lama e só preciso mesmo de voltar ao meu sítio seguro onde posso dizer o que sinto em voz alta e sentir que é compreendido de uma forma que, cá fora, não está a ser. Eu sei que estão a tentar... Mas eu estou a perceber que não está a dar, que não me estão a compreender como eu preciso que me compreendam, que não dou desculpas, só vejo mais à frente, para lá do que vêem... A condução reflete todas as minhas fragilidades motoras, físicas, coordenativas, psicológicas... E eu estou quase quase quase a sentir que não há mais nada a fazer comigo e que se todos desistem que eu também posso fazer o mesmo... Preciso de si.

terça-feira, 14 de março de 2017

Nem tenho palavras para a dor (a desilusão, o desespero e sinónimos que tais) que se instalou cá dentro cá dentro. Não tenho mesmo. Só consigo sentir... E é o que eu disse na segunda... Agora sinto muito mais a dor, posso não estar a sentir mais dor, mas quando a sinto, sinto-a muito mais. E não estou habituada a isto, não sei lidar com isto.
Ter ido comigo ao arquivo deixou-me completamente (ainda mais) satisfeita de a ter como parte desta equipa. Ter-me escrito, algures e entre outras coisas, num e-mail "Eu não a deixo fazer um mau trabalho!" enquanto eu me estava a passar por saber que estava a ir abaixo... E eu sei que não, que não deixa. E eu sei que estamos cada vez mais perto do que era suposto estarmos... Sei que este trabalho é muito solitário mas não me sinto sozinha. Não quando vai comigo ao arquivo e remexe em documentos ao meu lado e tem o sorriso no rosto que eu tenho sempre que pego em documentos... Somos mesmo parecidas.
Vai sempre existir em mim uma tensão acumulada durante vários dias quando entro lá dentro. E só depois de dez minutos é que a tensão começa a desvanecer do meu corpo. Eu chego, sento-me, senta-se à minha frente. Olha para mim enquanto me ajeito na cadeira, enquanto prendo o cabelo, enquanto olho para a janela ao fundo, enquanto suspiro, mil vezes, até sentir a cadência do meu corpo a acalmar brevemente. E enquanto isso sorri-me. Sorri-me sempre enquanto espera. E sim, é muito difícil começar e é ridículo passarmos por isto todas as semanas. Conhece-me, é a pessoa que melhor me conhece. Respeita-me. Compreende-me. Não entendo porque é que temos que passar por isto, como se me fosse uma completa desconhecida e como se o que acontece ali o fosse... quando está quase a fazer um ano...

O melhor aconteceu cá fora, umas duas horas depois de ter saído de lá de dentro. Encaramos as duas uma com a outra num corredor desabitado de almas e a forma como me sorriu, como se houvesse um segredo bonito entre nós... O sorriso tão mas tão grande... deixou-me completamente de coração cheio. Obrigada. Mesmo.

terça-feira, 7 de março de 2017

Gosto muito quando dizes que gostas de mim e eu não estou à espera que digas então disfarço com aquelas brincadeiras do tipo que não é normal que o faças. Mas gosto muito.
Estou cada vez mais apaixonada por ti. 
Quando não me canso de dizer que tenho a melhor pessoa do mundo a orientar-me. Quando tudo faz sentido e os elogios são sinceros. Quando me dá o foco e a força que eu não sentia; nos últimos dias sentia-me a ir abaixo, sentia que nada no meu trabalho fazia sentido, que tinha feito pouco, que estava a fazer mal... Mas não posso ser assim comigo. E é precisamente aí que está, simplesmente para me dizer e me fazer ver que fiz muito mais do que eu pensava.
Eu sei - vai sair daqui uma coisa do caraças. Não a vou desiludir nem me vou desiludir a mim. Estou tão a dar o meu melhor por isto.
Eu sabia que estava a precisar de voltar, sabia que ia dar palavras ao que eu estava a sentir, que ia ser ouvida e que ia ter oportunidade de dizer algumas coisas em voz alta que até aqui não tinha dito. E, sobretudo, eu sabia que assim que falasse que tudo ia tranquilizar-se. E foi precisamente isso que aconteceu. Acalmou-me totalmente. 

quarta-feira, 1 de março de 2017

Sobrevivi às recordações do dia de ontem. Da madrugada, sobretudo. Sobrevivi. É só isso que tenho que pensar. Ontem fez um ano, ontem fez um ano que afirmo como o princípio do fim. Na altura não o percebi. Contei só com um enorme erro que pensei que conseguiria ultrapassar. Mas comecei a perceber que não conseguia, nos meses seguintes. E, por isso, demorei dois meses, a tomar a decisão que tomei. 13 de Abril de 2016. Nunca mais me vou esquecer dessa data. Foi a data em que percebi, ainda sem perceber nada, que não estava bem e que não podia continuar a trilhar um caminho que não era benéfico. Mas o dia 28 de Fevereiro de 2016 é muito mais importante que esse 13 de Abril. Porque o dia 28 foi o início, foi o maior abre-olhos que me podia ter acontecido. Não posso estar com alguém que me faz ter ataques de pânico a meio da noite, que me obriga a fazer o que eu não quero. Não vou fazer isso a mim própria, nunca mais n-u-n-c-a.  


No fundo, o que te queria dizer ontem é que eu entendia se não me quisesses falar, que as recordações estivessem a dar cabo de ti. Afinal de contas faríamos dois anos juntos, desde que recomeçamos a sério a nossa relação...
Ainda pensei em escrever-te, várias vezes, uma mensagem enorme onde dizia que sabia que estavas a sofrer (poderias estar, não sei) e que estava aqui, como tua amiga, embora soubesse que não deverias querer falar comigo... Mas deixei para lá. Não te deveria ser benéfico remexer numa ferida. Fiz de conta que era um dia igual aos outros. Mas não foi, não para mim. Presumo que não para ti. Nunca saberei. 
Não ando nada bem. Não me sinto bem. Não me sinto, mesmo. E preciso de alguma coisa que não sei bem o que é. Preciso de sentir. Acho que preciso de sentir. Preciso que me agarrem, que me puxem, que me apertem. Que me façam sentir que sou uma boa pessoa. Portanto, preciso de sentir qualquer coisa bem contrária ao que tenho sentido nos últimos dias. Os últimos dias não têm sido fáceis e sinto que estou a regredir completamente. Sinto que estou a caminhar para trás. Acho que o facto de não ter tido a consulta esta semana também não ajudou. O facto de esta semana ser tão estranha... O facto de ter começado com uma viagem e um funeral... O facto de estar a sentir que não estou a fazer nada quando ainda tenho tanto que fazer... O facto de ter a tese parada, desde a segunda feira da semana passada, e de só ter pegado nela aos bocadinhos... Sinto-me realmente triste porque não estou a chegar a lado nenhum. Não me sinto a dar passos. E é muito o meu desabafo esta tarde "eu nem sei como é que me aguento a mim, quanto mais à tese...".