Sobrevivi às recordações do dia de ontem. Da madrugada, sobretudo. Sobrevivi. É só isso que tenho que pensar. Ontem fez um ano, ontem fez um ano que afirmo como o princípio do fim. Na altura não o percebi. Contei só com um enorme erro que pensei que conseguiria ultrapassar. Mas comecei a perceber que não conseguia, nos meses seguintes. E, por isso, demorei dois meses, a tomar a decisão que tomei. 13 de Abril de 2016. Nunca mais me vou esquecer dessa data. Foi a data em que percebi, ainda sem perceber nada, que não estava bem e que não podia continuar a trilhar um caminho que não era benéfico. Mas o dia 28 de Fevereiro de 2016 é muito mais importante que esse 13 de Abril. Porque o dia 28 foi o início, foi o maior abre-olhos que me podia ter acontecido. Não posso estar com alguém que me faz ter ataques de pânico a meio da noite, que me obriga a fazer o que eu não quero. Não vou fazer isso a mim própria, nunca mais n-u-n-c-a.
No fundo, o que te queria dizer ontem é que eu entendia se não me quisesses falar, que as recordações estivessem a dar cabo de ti. Afinal de contas faríamos dois anos juntos, desde que recomeçamos a sério a nossa relação...
Ainda pensei em escrever-te, várias vezes, uma mensagem enorme onde dizia que sabia que estavas a sofrer (poderias estar, não sei) e que estava aqui, como tua amiga, embora soubesse que não deverias querer falar comigo... Mas deixei para lá. Não te deveria ser benéfico remexer numa ferida. Fiz de conta que era um dia igual aos outros. Mas não foi, não para mim. Presumo que não para ti. Nunca saberei.