Saber que preciso de escrever mas que não consigo só aumenta o meu estado de estranheza. Nos últimos dias estou bem mas não estou. Precisava de me sentar e deixar os pensamentos correrem no papel, na página, no rascunho do telemóvel, mas já percebi que nem isso me ajudaria porque a página ia ficar branca. Não sei o que pensar. Não sei o que sentir. Ou talvez saiba e não queira. Dor. Eu sinto dor. Um leve aperto. Uma tristeza que não deveria fazer parte de mim. Não entendo porquê, não consigo. Só estou, o mais tranquila possível, à espera que chegue segunda. Sinto-me demasiado sozinha. E não vou estar, ali não vou estar. Então estou à espera e em vez de escrever vou falar.
sábado, 26 de novembro de 2016
terça-feira, 22 de novembro de 2016
Fiquei zangada, fiquei mesmo zangada com a semana passada, não sei se foi com o que disse, com o ter sido verdade, com o me ter atingido, com o não saber resolver. Mas fiquei zangada pela primeira vez, senti-me frustrada e num caminho sem saída. E não estava à espera de verbalizar isso até porque não o tinha compreendido totalmente. Ter dito que não fazia mal que eu tivesse sentido esta "zanga" e que isso era bom apanhou-me de surpresa, ter dito que conseguia lidar com isso... É como se me tivesse dito "eu aguento tudo, manda vir" e ainda agora começou... A questão é que sabe disso tão bem como eu. Já começo a deixar que me leia.
[Preciso de voltar porque amanhã é amanhã e não falamos sobre isso porque eu estava bem mas desde ontem à noite que não estou, que os meus níveis de stress estão no máximo e que só me apetece esconder-me e ficar quieta num canto para ninguém me ver. E eu não sei o que é que me diria, portanto sim, preciso de voltar.]
«Às vezes pode não parecer mas eu também tenho muito medo das próximas etapas da nossa relação, das batalhas que se avizinham mesmo que ainda não saiba daqui a quanto tempo as vamos enfrentar. Mas é curiosa uma coisa, é que no meio do medo todo eu nunca penso no "se vamos ainda estar juntas nessa altura" porque eu assumo que vamos. Porque eu quero continuar contigo, ao teu lado, que estejas ao meu lado. Quero que ultrapassemos as dificuldades juntas. Porque juntas vencer as batalhas e o medo é mais fácil. Mesmo que o estarmos juntas seja uma grande complicação. Mas é a nossa complicação, somos nós. E juntas nós somos mais fortes.»
Sem palavras. Acordar assim vale a pena, mesmo que o dia esteja a ser muito difícil, acordar assim vale completamente a pena.
sexta-feira, 18 de novembro de 2016
Quando ouço o teu nome ainda fico paralisada por dentro. No tempo da Leonor não era nada assim... E eu engulo em seco e tento perceber o que é que querem dizer com o que disseram mas, em vez disso, a minha mente navega para o que não sei de ti. Nunca mais te vi, a andar pela faculdade, é como se tivesses simplesmente desaparecido. Mas não, não porque falam de ti... E isso afeta-me. Afeta-me mesmo. Preferia que fosse mesmo um desaparecimento total, o não o ser é que me afeta.
quinta-feira, 17 de novembro de 2016
É inevitável, quando estou sozinha e para passar o tempo, quando estou mais angustiada ou quando olho para dentro e percebo que o aperto se instalou... eu sei que frases precisava de ouvir, que coisas precisava de ler. E corro até isso, acalmo-me, acalma-me. Vai fazê-lo sempre e não posso considerá-lo, de todo, um vício. Quando isso acontecer tenho que dar alguns passos atrás e perceber que não posso viver dessa forma, que já tenho questões que cheguem em mim, não posso juntar vícios.
Sozinha dentro deste quarto - mas não escondida - voltei a fazê-lo e voltei a sentir a mesma sensação de final, como senti em julho quando o acabei a primeira vez. Voltei a sentir aquele aperto apertadinho que não deixa que respire, aquele sufoco e aquele pedido de ar para os meus pulmões. Porque falta tanto, porque tenho tanto que fazer, porque há dias em que a fraqueza me assalta o espírito e eu não sei estar sozinha com isto, comigo. Porque é que compreender o que há de mais profundo em nós nos dói tanto? Porque é que consegue ser tão doloroso ser?
Eu sei que não devia de esperar, que já tive mais que a minha cota-parte e que já fiz mais do que deveria ter feito, depois dos dois impulsos a que acedi, mas eu continuo à espera de algumas palavras de resposta que venham renovar a luz dentro de mim. É o modelo de pessoa forte e convicta que eu sonho alcançar em mim, e que eu faço por alcançar, passinho a passinho, todos os dias.
Hoje estou triste, hoje estou mesmo triste. O silêncio impõe-se e eu só quero que permaneça.
segunda-feira, 14 de novembro de 2016
Estou tão em baixo hoje que nem consigo explodir nada. Não consigo falar sobre o assunto, não consigo pensar sobre o assunto, não consigo escrever sobre o assunto Estou tão em baixo hoje que nem consigo nada. Simplesmente nada. Só fiz tudo o que fiz e mantive uma rotina normal porque me obriguei a isso. Estou cansada, estou francamente cansada e só queria dormir todo o tempo que restasse até acordar. E quando acordasse eu já estava boa da cabeça. Isso era um sonho. E estou cansada. Estou m-e-s-m-o cansada (de mim).
quarta-feira, 9 de novembro de 2016
«Vai ficar tudo bem.»
Normalmente aqui não há títulos. Normalmente aqui há um despejar de tudo o que me passa pela cabeça quando tenho oportunidade para isso. Este sítio é o sítio que melhor me conhece, depois de mim própria - o que melhor conhece a maior parte do que trago dentro de mim. Porque o resto está comigo, só em mim. Nós vamos dando de nós aos outros e recebendo na mesma medida mas nunca nos despejamos de tudo, há muito nosso que apenas fica dentro de nós. E este refúgio faz com que eu despeje algumas coisas das que guardo comigo e dentro de mim. Das que me fazem eu ser eu. E sobretudo das trocas - e espero sinceramente que escrever isto não faça com que a magia - que existe no que vou referir a seguir - se perca porque eu escrevo isto para mim, eu escrevo para ler daqui a um mês, daqui a dois, daqui a três e recordar o que senti hoje, enquanto me leio.
Posto isto, hoje é diferente. Hoje há títulos. Há e há mais. Há uma certeza de que tu trazes contigo aquilo que eu preciso de ouvir. É como se eu procurasse por palavras - aquelas que supostamente são certas, mesmo que não haja palavras certas, nunca as há! - e precisasse de alguém que mas dissesse. E eu sabia quem queria ouvir e quem procurava, normalmente há um nome que me percorre a memória - e que não devia, não podia... Mas, sem querer, uma e outra vez acabas por ser tu a desarmar-me. Acabas por ser tu a dizer-me as palavras certas - aquelas que eu acredito que, no fundo, não existam - e acabas por ser tu a mostrar-me que não preciso de procurar ou querer. Que eventualmente vai aparecer. Como tu apareces. Obrigada por tudo e por nada. Obrigada e que continuemos hoje como estamos há vários meses. És das melhores coisas que me aconteceu este ano, as nossas conversas e a nossa troca tão profunda tocam-me especialmente. És especial, és mesmo. E eu estou cá para ti tal como tu estás para mim. Estamos as duas sozinhas mas obrigada por não estarmos realmente. Vamos ficar bem, no final. Eu sei que vamos.
«(...) Nada toca realmente nada e a partir daí quero que estejas sóbria sobre o facto de apenas tu te conseguires alcançar. Por mais portas que abras, por mais conversas que tenhas, por mais confissões que faças. O teu maior segredo será sempre de ti para ti. Mas vai ficar tudo bem. Com dor, com medo, contigo a olhar-te ao espelho em dias que o sofrimento te molda a cara, mas se lutas, vai ficar tudo bem. Cada vez mais dias vão ser melhores, acredita. E continua. Embrenha-te no teu processo. Toma a tua vida por tua de uma vez por todas. Rosa, (...).
Gosto muito de ti. Porque me fazes escrever e nem escrevo agora. E gosto muito de ti porque me fazes olhar para mim, como tu quando vais ser humana na casa-de-banho, eu sou mais humana depois de ler-te e escrever isto. Estás sozinha. Eu estou sozinha. Mas ainda bem que nos temos uma a outra, obrigada.
Vai ficar tudo bem.»
terça-feira, 8 de novembro de 2016
Antes de chegar há um tremor nervoso dentro de mim que se vai instalar na minha barriga. Às vezes é tão forte que começo a sentir os pés pesados. Andar é como puxar um conjunto de pesos. O meu corpo parece chumbo. Os nervos que me assolam não começam aqui, quando me aproximo da estação de comboio em que tenho que sair. Bem antes disso há uma dificuldade extrema em adormecer, na noite anterior, ou muitas vezes, nas noites anteriores. O sono não chega, os pensamentos confundem-se, velozes. É por isso que a noite nunca é sinónimo de paz e dormir bem não é uma tarefa fácil. Não sei o que é cair na cama, cansada, e simplesmente acordar no dia a seguir. As horas que antecedem a entrada pela porta que me vai levar de volta à luta interior passam lentas. Ou passam rápidas. Não me sei decidir quanto ao teor do tempo. É como se não fosse como naturalmente, como todos os outros dias da semana. E a minha luta nunca cessa, claro que não, apenas se torna muito mais real ali dentro. Entretanto, forço-me a caminhar. Forço-me a colocar um pé à frente do outro. Ouço música enquanto caminho e sei que demoro mais dez minutos a alcançar a rampa que me leva à porta que tenho que abrir. Passo pela casa de banho porque isso me acalma, sentir-me realmente uma pessoa, permitir-me a lavar a cara ou olhar-me ao espelho. Permitir-me uns momentos de repouso interior antes de iniciar a batalha. Isto é tudo ridículo porque racionalmente eu sei que vai correr tudo bem, sei que vou sentir-me inteira, completa no querer avançar e que não estarei sozinha. E, sobretudo, eu sei que vou ser sempre bem recebida. Há um sorriso que me espera por detrás daquela porta. É só ter a coragem para a abrir e vou sentir-me segura por dentro, lá dentro. Uma segurança misturada com o doce sabor do medo. O medo já me sabe a doce, já é quase como a dose quase diária de chocolate ou bolachas que acabo por comer porque não consigo abandonar. Talvez o medo se tenha tornado uma espécie de vício que não consigo largar porque me faz sentir. Tem sido a minha companhia durante tanto tempo que já não sei viver sem ele. Há medo, há um sentimento de cair permanente porque não sei para onde as palavras nos levam. Não há um guião, há uma conversa de onde não posso achar que sei as respostas. Só conheço as minhas perguntas, só conheço aquilo que está dentro da minha cabeça. Tudo o que me é dado, eu não sei se era o que queria. O que acreditava. O que imaginava. Chega até mim, como névoas, e quando pousa finalmente, tenho de fazer o exercício de perceber se o aceito como parte da minha realidade. Daquela que não percepciono normalmente mas sei que existe. É por isso que é tão difícil. É por isso que cada semana passa de uma forma tão pesada, como um ciclo interminável, começa pesada e vai diminuindo levemente até chegar aos dias em que volta a pesar. Nunca estou realmente bem, não estou tranquila, sem ser quando me sento na cadeira e afirmo, com um pequeno sorriso, e ainda a medo, "cheguei". Talvez exista um pequeno prazer em não estar sozinha e ouvir a minha voz. Talvez tenha razão. Talvez me leia de uma forma que me assusta e me arrepia. E talvez eu tenha que deixar de ter medo que me leia os pensamentos porque só assim vou conseguir ser realmente ajudada. Talvez escrever sobre o assunto também seja um passo importante a dar. Só talvez. E talvez eu consiga recuperar a minha sanidade mental de forma a que consiga ser mais eu, mais forte e segura de mim. Pelo menos, sei que estou na luta, sei que estou a fazer por isso.
[Escrever sobre isto e não ter medo das palavras e de abordar sentimentos confusos é, sem dúvida, um passo. Muito orgulho do que alcancei com este conjunto de linhas.]
segunda-feira, 7 de novembro de 2016
O maior arrepio de sempre aconteceu lá dentro. Foi tão estranho que vai ficar-me marcado, bem forte. Sem eu nunca ter dito nada sobre isso, é isso que me espanta mais. Mas não devia, não devia porque é essa a coisa que melhor sabe fazer. Então não devia espantar-me. Ler as pessoas para as ajudar faz parte do trabalho que tem que fazer. Obrigada por me ler a mim. Obrigada por estar. Obrigada por me ter deixado totalmente arrepiada. Uma é o grito e a outra é a confusão. E são as que mais me marcaram... E eu nunca tinha dito isso, só disse a seguir de as ter juntado sem eu ter dito nada até aí. Mas será que disse ou será que foi um sonho? E eu apenas achei que disse?
Estava a precisar tanto de voltar e demorei tanto até me acalmar depois de me sentar. E o sorriso esperou, porque o sorriso que faz espera sempre. Espera até eu me acalmar e começar a desenrolar pequenas palavras num quase sussurro porque não quero acreditar que voltei... Espera até eu me sentir com capacidade de chegar a coisas piores. Espera sempre.
A tranquilidade que sinto sempre lá dentro, com a sua presença, contrasta muito fortemente com a avalanche de sentimentos que me assolam sempre que acaba, sempre que abro a porta e enfrento o mundo de novo sem a calmaria que se sente ali dentro.
Sinto que já não é preciso escrever pequenos tópicos para me lembrar do que quero abordar, sinto que agora sou mais genuína, todos os meus silêncios existem, todas as minhas pausas e todas as partes em que apenas ouço. Sou só eu, não preciso de escrever antes para expulsar depois, o que tiver que dizer, direi. Porque tenho tempo e não estou sozinha, é uma troca. É uma conversa. É uma ligação.
sábado, 5 de novembro de 2016
She: Confia em mim. São 23 anos.
I: E são dois meses.
She: São, eu sei. Mas serão mais. E quando vivermos juntas tu já vais estar habituada e não me vais arrastar até ao hospital.
I: Ai vou vou. Pelos cabelos, Joana Maria.
She: Então temos de morar perto. Se não ainda vais partir a cena das mudanças com os nervos, na viagem 😂
I: ES-TÚ-PI-DA- Odeio-te.
Adoro-nos. Juro que sim. Adoro que consigamos ser assim, com tudo. Adoro que todas as declarações de amor e todas as conversas sérias sejam mas não sejam. Adoro-te e adoro isto que temos.
Tentei não me passar, tentei mesmo mas não consegui. Foi muito difícil acalmar-me e adormecer. Só não parava de pensar que te podia acontecer alguma coisa e eu não podia fazer nada. Estando a 300km de ti não posso mesmo fazer nada. Há um monte de coisas que nos separam e assusta-me, assusta-me muito sentir-me impotente. Não conseguia parar de chorar. Não conseguia acalmar-me e adormecer. Não conseguia e doeu.
Tentei muito estar bem e não parecer estranha mas não consegui. Ter olhado para ti tantas vezes e ter apenas sentido carinho, um carinho muito forte, foi estranho, porque, em comparação, um ano antes, estávamos naquele ambiente como um casal. Ter estado contigo e só ter sentido que eras uma pessoa muito importante para mim... Mexeu comigo perante o quanto o tempo e as circunstâncias nos mudam.
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
Deixou de ser uma coisa da minha cabeça há dois meses. Deixou de ser uma coisa que eu imaginava, que pensava que podia dar certo, que queria - ainda mais (mentira, acho que quero mais agora) - por nunca ter tido. Faz hoje dois meses que somos mais reais. Faz hoje dois meses que deixamos de ser uma coisa da minha cabeça - e da tua - para passarmos a ser uma coisa bem real. E estes últimos dois meses disseram-me que tu aguentas o que tenho de pior e que estou segura contigo. Só tenho um monte de saudades tuas. Faz hoje dois meses que adormecemos depois de uma conversa muito longa que me fez ter a certeza de que venha o que vier não muda nada. Os teus olhos vão continuar a ser os teus olhos, tu vais ser sempre tu. E eu tenho que parar de panicar por coisas mínimas porque vai tudo dar certo, um dia de cada vez. Continuo a ter muitas saudades tuas. Obrigada por me aguentares e desculpa por ser (muitas vezes) tão irritadiça, resmungona e antipática e que os dias passem rápido porque preciso de te ver. Estou a melhorar nas declarações de amor? Acho-me cada vez mais engraçada.
terça-feira, 1 de novembro de 2016
Tu sabes como cuidar de mim. Tu sabes e é por isso que me queixo quando não o fazes, porque sei que sabes e porque me irrita quando achas que não e por isso não fazes. Sou uma pessoa de ficar irritada quando as tuas atitudes não combinam com o que fazes naturalmente. Porque é isso, tu sabes quando estar, quando ficar, quando te afastar, quando me injetar uma dose de adrenalina e quando preciso de palavras mimosas. E ter acordado hoje com aquela mensagem enorme fez-me ter (ainda mais) certeza de que posso ficar irritada mais vezes - porque tu sabes, tu é que achas que não! - e que me posso queixar muito mais quando decidires que não sabes o que dizer. Porque é mentira, tu sabes sempre. Obrigada por me teres feito acordar de coração cheio, és a melhor.
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