Sonhei que estava num género de refeitório. Estava numa mesa com mais pessoas. E vi-te. Para chegar à minha mesa tinha que passar obrigatoriamente pela tua. Disse à São que eras tu; tu observaste-a a olhar para ti. Viste-me. Eu não te olhei. Fui comer a rir e a brincar. Entretanto fui à casa de banho com a São e fiquei à espera dela cá fora. Estava a dizer-lhe que se aparecesses e me dissesses olá que, desta vez, te mandava foder. E, do nada, apareces ao pé de mim. "Olá, podemos falar?" e eu fiquei sem saber o que pensar. Disse-te apenas "Agora não posso, estou à espera de uma amiga."; "Mas eu insisto, eu espero por ti, quero mesmo falar contigo." Fiquei novamente sem saber o que te responder. Demasiado surreal para ser verdade. Avisei a São que ele queria falar comigo e dirigi-me à saída. Tinha-te ao meu lado. Chegámos lá fora, os dois sozinhos. "Quero que me desculpes, quero ser teu amigo. Quero apagar tudo o que aconteceu e começar de novo.". Não consegui evitar, mandei cá para fora tudo o que tenho guardado aqui e dentro do peito sobre o que já me fizeste. Tu sentaste-te a ouvir-me e no meio das minhas palavras, do nada, puxaste-me para ti como se fosses beijar-me. Afastei-te. "Não tens qualquer direito de fazer o que queres fazer, tu sabes perfeitamente que estou com alguém, alguém que, por sinal, é muito melhor que tu. Se queres ter a minha amizade, tudo bem, terás que lutar por ela. Não quero que digas que sim e depois não faças nada, como já aconteceu, quero que sejas verdadeiro. Sim ou não.". Passaste o dedo pelos meus lábios e novamente te afastei; "a decisão é tua". E acordei.
Agora ... Explica-me. Ou alguém me explique que eu não entendo. Porque é que me apareces em sonhos? Digamos que foi a primeira vez que me lembro tão claramente de ter sonhado contigo. Mas não queria sonhar. Não queria que me aparecesses na mente mais vezes que as claramente necessárias quando me apareces à frente. O que é certo é que, talvez, em mim, sinta que temos coisas mal resolvidas. Que havia coisas que eu te queria dizer e que não disse. Que havia coisas das quais te queria acusar e não acusei. Será que pensas o mesmo? Será que alguma vez pensas em mim? Será que pensas que agiste mal comigo? Ou, pelo contrário, que agiste como devias? Será que queres a minha amizade ou que não precisas dela? Bem, o que é certo é que as tuas atitudes me fazem ver que não precisas de mim; se precisasses já tinhas tido tempo mais que suficiente para vir ter comigo, para me demonstrar isso. Para deixar actos falar. Na vez das palavras que começaste por dizer tão bem. Embrulhaste-me bem, admito. Admito que me deixei ir por ti até certo ponto, talvez fosse dos olhos azuis terem um efeito estranho em mim, mas não vou mais. Por muita vontade que tenha de te falar, não o farei. Eu estou primeiro. Há vários meses que estou antes de ti.