domingo, 31 de dezembro de 2017

Os três objetivos de 2017 e o meu (pequeno) balanço de cada um.

No final do ano passado prometi poucos objetivos a mim mesma. Queria ver o que conseguia fazer ao longo dos doze meses que tinha em frente. Tinha três objetivos principais (a tese, a carta e sentir-me bem comigo própria) e nunca pensei que fossem tão duros de cumprir - cada um à sua maneira retirou o melhor e o pior de mim. 

Tirar a carta e conduzir um carro foi uma verdadeira batalha contra mim própria que nunca conseguiria sozinha - ter o apoio da minha mãe e ter o apoio semanal que nunca me faltou foram duas peças essenciais para que se cumprisse. Saber que estavam todos a torcer por mim mesmo quando eu não torcia. Houve momentos em que estive muito em baixo e em que quis desistir. E mesmo depois de ter a carta na mão nunca houve um só momento em que eu me parabenizasse por isso, por ter conseguido. Porque sei que o problema continua dentro de mim. Eu tenho que perder o medo de conduzir por ser surda e descoordenada, pela minha falta de equilíbrio e pouca rapidez na resposta.  Perder a insegurança de me ver numa estrada e sentir que não conseguiria responder rapidamente a nenhuma situação. Desde que consegui ter a carta na mão que foram poucas as alturas em que me permiti entrar dentro de um carro e, às vezes, isso torna-se motivo de gozo e chacota mas não posso deixar que me influencie. Prometi a mim mesma que assim que terminasse o desespero da tese que voltava a puxar por mim própria para conduzir, voltava a minha luta de perder o medo do carro. E, pouco a pouco, estou a ir lá, já começo a pedir para pegar no carro e dar duas voltinhas. Ainda é curto, ainda é pouco. Portanto eu quero continuar este crescimento para o ano - quero ganhar capacidade para conduzir um carro. É um objetivo terminado no sentido de ter a carta na mão mas ainda não seguro. Será para continuar para o ano.

A tese e todos os seus desafios trouxeram ao de cima o pior e o melhor de mim. Descobrir que não estava a trabalhar com a pessoa certa ao meu lado, o caminho para a ter comigo, os avanços e recuos de todo o projeto, as tardes e manhãs infinitas sozinha a trabalhar e as tardes e as manhãs com uma companhia das boas. Ter tido a possibilidade de escrever muitos capítulos da tese na companhia da Mariana e da Joana foi tão bom. A última semana com a Rita e com a Ana, ter vivido os momentos mais stressantes, na companhia delas, acabou por ainda nos tornar mais próximas. Todo o trabalho, todas as dúvidas, incertezas e frustrações... passei por muito sozinha mas ter tido sempre o apoio da minha mãe, da minha família, da minha orientadora, dos meus... Esta tese e todo o processo, que terminou de uma forma muito recompensadora para todo o trabalho e todas as noites mal dormidas que passei, trouxeram-me, também, um presente inesperado: a certeza de que sei o que buscar no futuro. No início do ano, quando me propus a um objetivo de uma tese realmente boa nunca imaginei sequer que chegaria ao final com uma certeza tão grande de que quero fazer disto vida. Com planos na minha cabeça para transformar todas as incertezas de uma investigação e todo o prazer que isso me dá num constante. Porque a verdade é que, mesmo com maus momentos, foi a coisa que mais me deu prazer fazer e a coisa onde coloquei tudo o que tinha e não tinha. Dei demais, por vezes, foquei-me demais, chorei demais. Mas também fui a mais feliz - e dê lá por onde der, estou em busca do sonho. Escrever e investigar, publicar posteriormente. Fazer de mim um nome, mesmo que pequenino. O próximo ano será o primeiro com esta certeza e 2017 é impagável pela força com que me mostrou que o trabalho e o esforço ganham sempre. Que eu sou capaz!

O último objetivo é - foi - o mais difícil de cumprir e ainda hoje, no último dia do ano, não consigo dizer que estou bem. Há demasiado na minha cabeça por resolver. Há demasiado medo, receio, dúvidas, inseguranças e falta de confiança em quem sou. O aperto que se instalou no verão dentro do meu peito veio para ficar. Há dias bons, há momentos bons. Mas ter tornado os dias maus numa normalidade continua a assustar-me e se, por vezes, faço de conta que não existe, há vezes em que não consigo evitar e me isolo completamente do mundo, sou eu dentro da minha cabeça. Dentro de mim. A tentar lutar contra isto sozinha. Porque a verdade é que sou a única que sabe o que vai aqui dentro e que o sente. Que 2018 seja o ano em que eu, finalmente, consigo compreender certas reações da minha parte e consigo mudanças significativas. Portanto, mais uma vez, este objetivo foi apenas pouco cumprido e será para manter no novo ano.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

O dia de natal começou com uma noite muito mal dormida e com um peso enorme dentro do peito que quase fazia com que achasse que não ia respirar mais. As cinco horas seguidas que consegui dormir nessa noite - em comparação com as que dormi na noite passada - não me retiraram o peso de cima. E o peso que sinto a mais; com as duas coisas que aconteceram neste dia... o que consigo dizer é que já escrevi o que senti para que o peso diminuísse. Só que não aconteceu. Mas tentei; por mim. 

sábado, 23 de dezembro de 2017

É incrível como transformar o que sinto em palavras faz com que o peso que mora no meu peito desapareça. É mesmo incrível. 

«Estarmos a falar mais uma vez ou não falarmos sobre as coisas é exatamente o mesmo porque quando chega à altura tu fazes exatamente o que tu queres fazer e isso deixa-me SEMPRE para trás. Sempre.»

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Precisar de sentir que sentes a minha falta, como eu sinto a tua quando não estás, não é, nem nunca foi, ciúmes. Precisar do aconchego que só chega contigo, não é, nem nunca foi, ciúmes. Precisar de sentir que estás ali, quando realmente tens aquele bocadinho para conversarmos, não é, nem nunca foi, ciúmes. 

O pior disto tudo é explicar-me vezes sem conta. Ter que repetir exaustivamente a mesma coisa em situações semelhantes. Falar no mesmo vezes sem conta. Para as coisas continuarem a acontecer iguais à vez anterior e eu continuar a ser intitulada de a ciumenta quando eu apenas preciso de sentir que estás ali e que queres estar ali, que tinhas saudades de conversar comigo e que tens coisas para me contar. Porque trocar quatro mensagens numa hora - mais as duas em que avisas que estás em hora de almoço ou que regressas ao trabalho - é o contrário de estar presente quando podes. Completamente o contrário. 

Estou para lá de cansada que estas coisas continuem a acontecer, para lá de cansada de me explicar e sobretudo, para lá de cansada de ser constantemente mal interpretada. Como se quisesse sempre que fosses a má da fita quando tu continuas a fazer as mesmas merdas. Como é que queres que eu acredite numa mudança se és capaz de continuar a fazer as mesmas coisas e nem vês que as fazes? É como eu digo sempre: uns dias bem para voltares a partir-me o coração aos bocadinhos. E depois lá volto eu a confiar para me destroçares novamente. E é assim. Estou tão cansada disto.
Não consigo deixar de me sentir a pior pessoa e de pensar e repensar o que é que fiz de mal e onde é que errei para estar continuadamente a ouvir as mesmas coisas. Ela é que é uma sonsa de merda, toda a gente acha que ela é boa mas ela é assim. Estou tão mas tão farta de sentir que nunca vou ser uma pessoa decente aos vossos olhos. Porque se ninguém me defende é porque acham o mesmo que ela. Dói, tenho um aperto na garganta e só me apetece ficar sozinha, longe de tudo. Dói.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Explodir frases soltas começou por ser uma forma de lidar, uma forma de não ficar cá dentro a remoer e fazer com que doesse menos. Agora há tanta coisa que quero explodir e simplesmente não sai. Há tanta coisa que dava tudo para colocar no papel mas não assoma ao cérebro e só faz doer muito no peito. Há tanta coisa que eu dava tudo para não bloquear, que só queria vomitar aqui. Começo pelo final que foi também o início. Dou voltas no meio e acabo cansada só com este conjunto de frases e a querer t-a-n-t-o vomitar mais para aqui... mas não saí. 


«Começar a semana com uma prenda assim é mesmo bom. Veio aqui dar-me uma prenda. É, vim? Ainda bem! Sim, porque batalhamos tanto também aqui dentro. E eu não sei porque é que não estou aqui aos saltos, eu deveria estar aos saltos. Eu não sei porque é que não consigo sentir que estou feliz e que acabou. Eu ainda não senti que acabou. Porque está assustada. Porque estou assustada. Eu tenho medo do desconhecido, eu tenho medo do que aí vem. Vá lá, Rosa, não me venha com tretas, claro que está a sentir qualquer coisa. Eu sei que vou ter que dar a mão à minha mãe, porque o meu pai não entende nem nunca vai entender que ela faz tudo o que pode e o que não pode. É uma coisa que temos falado muito aqui e que falamos muito em relação à tese "o bom é inimigo do óptimo". Eu só vejo problemas, nunca vejo soluções. Eu não sei resolver isto. Eu sei que custa ver tudo o que está a acontecer dentro de casa, e quer sair mas depois também sabe que se sair eles vão ficar sem o pilar que é. Porque parecendo que não, é um pilar.»

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Ontem à tarde, quando estávamos a caminho de casa, eu ouvi o quanto vos enjoavam os homossexuais. Eu ouvi que, na vossa altura, não era como agora, que já são assumidos e ouvir comentários semelhantes a este... tem sido a minha vida nos últimos anos. E é por isso que eu não posso ser sincera: porque ouço isto quase diariamente, em momentos que não estou à espera, sou surpreendida com comentários destes que me colocam no chão, sem me conseguir levantar. E eu ainda não percebi se olham assim para todos os seres humanos ou se o que vos repugna são mesmo os homens porque são homens. Não consigo perceber se com as mulheres não faz mal. Ou se acham, como já ouvi algumas vezes, que é um desperdício porque as mulheres bonitas devem estar com homens. Eu não consigo compreender o que pensam, o que sentem... e vou adiando porque estou no meio desta tensão toda - aqui em casa - e destes comentários todos, sempre que nos vemos como família. Eu não sei lidar com a desilusão e com a certeza quase absoluta que não sou quem vocês desejam que eu seja. Eu não consigo lidar com o facto de vos perder. E, por isso, quando me deitei na cama ontem à tarde, morta de cansaço e a pensar que ia dormir, acabei por desabafar realmente sobre isto tudo [obrigada, Ana, por tudo o que conversámos mas por não me teres abandonado quando o assunto se tornou este] e chorar. Esta é uma dor constante dentro de mim. É um peso que não diminui de intensidade. É, sobretudo, uma certeza de que não posso ser, para vocês e ao vosso lado, a pessoa que sou normalmente. Porque é que vos importa com quem é que os outros dormem? Qual é o problema, se não é convosco? E é por isto que sou falsa... dissimulada, sonsa, mentirosa. É essa a única explicação que encontro para os mais variados ataques verbais que me lançam aqui em casa em tantos momentos.  
Na terça à tarde, antes de fecharmos a sala, disse-me que quando eu ficasse absolutamente frustrada por causa da nota da tese, não queria, de maneira nenhuma, dizer-me o célebre "eu bem avisei" para acalmar as minhas expectativas. E eu disse-lhe, muito claramente, que ia depositar toda e qualquer frustração em cima dela porque tinha que ser assim, era a única pessoa que me compreendia e que compreendia tudo o que aquela tese tinha passado. 

Quero marcar aqui, para que possa ler mais tarde, que me disse que foi maravilhoso trabalhar comigo, que eu era a pessoa mais dedicada, persistente e perseverante. Que nunca tinha virado as costas a um desafio e que nunca tinha recuado quando tudo era tão difícil e quando parecia que não haviam caminhos. Disse que esperava que daqui a cinco anos estivéssemos ali outra vez, na defesa da minha tese de doutoramento - vamos estar, pode é não ser daqui a cinco anos. Quero marcar aqui, para me lembrar sempre, de todas as vezes que me acenou para relaxar, os sorrisos que me lançava enquanto eu estava a falar ou o piscar de olhos quando eu terminei. [Aí senti que talvez pudesse ter um 17!]

E depois saímos todos cá para fora à espera da deliberação da nota. E aí eu nem conseguia estar parada no mesmo sítio. Estava tão ansiosa que não consegui estar dois minutos no mesmo sítio, cirandava da casa de banho para a entrada da sala, para o pátio e para o café. Não conseguia estar parada. 

Quando entrei lá dentro e ouvi que a nota era um 18... Eu ainda não processei completamente. Sabia que o merecia mas nunca acreditei que fosse realmente recebê-lo. Já me calava se me dessem 17, a sério que sim. Acho que esbocei um «têm a certeza?» quase inaudível porque nem queria acreditar, porque fui completamente surpreendida. Graças ao belíssimo trabalho que fizeram comigo, não me canso de pensar que se não fossem as mais variadas conversas que tivemos... 

E depois, eu queria abraços de toda a gente. Abracei toda a gente com a alegria imensa de "está feito e não acredito que acabou" mas foi realmente importante que a primeira pessoa a vir ter comigo tivesse sido a Ana. Saber que ela se emocionou por saber de vários momentos de frustração, por saber que eu merecia isto, deixa-me realmente com a certeza de que viemos para permanecer na vida uma da outra. Sei que vamos fazer por isso. Abraços sentidos, Rita, Bárbara, Daniela, Cláudia. E eu só queria abraçar uma pessoa. E ela não se mostrava... Escondia a cara. Até que a vi e estava a limpar os olhos. Senti-me mesmo surpreendida, tenho a imagem guardada no meu cérebro e já a revisitei vezes sem conta... Quando - e depois de abraçar toda a minha família, o meu pai de lágrimas nos olhos é uma das imagens mais bonitas, o sorriso radiante da minha mãe e a insistência da minha tia para uma fotografia do momento - finalmente cheguei ao pé de si, soprou-me ao ouvido "ainda quer que eu ouça todas as suas frustrações?" enquanto eu dizia, em tom que apenas ouvisse, "obrigada por tudo!", seguido de um "quero sim!". Porque quero. Quero que não desapareça da minha vida como se não me tivesse marcado em absoluto. Quero que seja mais do que uma professora da faculdade. Somos demasiado iguais e temos demasiado para conversar para nos perdermos de vista.  
Escrevi aqui, antes de me deitar na terça à noite, que quando me caísse a ficha, seria pior. Estava a referir-me ao brutal trabalho mental que tinha feito nas últimas semanas para aparentar não morrer quando me dissessem que a nota seria mais baixa do que aquilo que esperava. Coisa que não aconteceu. Fui completamente surpreendida com uma nota que espelha tudo o que passei ao escrever aquela tese. Eu sabia que me ia defender com unhas e dentes - eu sabia que não poderia ter melhor pessoa ao meu lado. 
E estava, sobretudo, a referir-me aos dois dias a correr que não me fizeram processar de forma nenhuma - mas também não queria porque dói muito, continuo sem querer e talvez seja por isso que tenho um peso enorme no meu peito em certas alturas do dia - o que aconteceu na segunda de manhã. Eu sabia que quando parasse e quando deixasse de ter o peso da defesa da tese nos ombros eu não ia estar bem na mesma. Sinto-me estranha. Sinto-me realmente estranha. Tenho a cabeça a explodir de dor. Eu deveria estar feliz mas estou preocupada. Preocupada com tudo o que me rodeia. Preocupada com o meu futuro. Com o sentimento tão desesperante e que me assola há semanas do "e agora sem a tese para me agarrar sou o quê?". Sou só uma pessoa perdida. Uma pessoa com montes de problemas para resolver e sem quase nada para se agarrar. Estou só francamente perdida a sentir que quero alcançar alguma coisa que não está ao meu alcance. Precisamos de falar... preciso de um abanão? Porque é que nunca me permito sentir as minhas vitórias? 
Estava com uma sensação de medo puro dentro de mim na quarta durante a madrugada. Senti, principalmente, na segunda feira, que podia não ter a nota que merecia - e apesar de nunca ter avançado completamente com números, eu sabia que 17 me calava e que 16 e abaixo era derrota. Ao ver uma defesa de tese que, para mim, merecia um 16, acabar com um 15, levei com um balde de água fria em cima. 

Na terça feira, quando nos reunimos pela última vez, para que eu falasse sobre a minha apresentação e fizesse esse exercício ao seu lado, senti que me estava, mais uma vez, a acalmar, por um lado, e a fazer-me ver a realidade bruscamente, por outro. Acalmo-me sempre que a vejo. Acalmou-me, levemente apenas, quando me disse que estava tudo pronto. Entrei em pânico quando me disse que não podia mexer mais e que não deveria olhar mais para nada. Eu, que percebi durante a escrita desta tese, que quando me enervo (muitooooo) consigo ser a pessoa mais obsessiva e perfeccionista... Tantas vezes, enquanto escrevia, ouvia a voz da minha psicóloga na minha cabeça - porque já me tinha dito montes de vezes a viva voz - a dizer-me que tinha que parar, que já estava bom e que não podia mexer mais se não, não iria sair do mesmo sítio... que tinha que parar de ser obsessiva com esta dissertação, que não ia ter nada em absoluto controlo, que teria que refazer muita coisa no final. Que tinha que aceitar que não era perfeita. À tarde, quando me disse que agora só me deveria preocupar em descansar e em dormir bem, porque ia tudo correr bem, assustou-me. Primeiro: assusta-me sempre quando me conhece, dormir bem não é o meu forte. Segundo: a minha veia obsessiva pensou que não estava tudo bem, que teria que olhar e ver mais uma vez, dali  a umas horas. E depois, a forma como me faz ver a realidade mesmo antes de nos separarmos, só fez com que me enervasse mais... o começar a frase com "e quanto à nota" assustou-me. Parecia que me estava a dizer, muito claramente, que tinha que reduzir as minhas expetativas - cortei-lhe rapidamente o raciocínio porque tive que lhe explicar que o discurso mau que tinha proferido na semana anterior tinha resultado. Picar-me tão duramente como fez, resultou. Parei de pensar no que poderia ter. Comecei, ainda mais, a focar-me no que podia controlar. Trabalho contínuo mental todas as semanas na terapia e todas as vezes que nos vimos para que eu me focasse apenas no que estava ao meu alcance. Tudo o que é do meu controlo, estava controlado. Era só isso que eu podia controlar. O que os outros fazem não estava ao meu alcance. E eu tentei - muito - durante a madrugada de quarta em que apenas dormi duas horas seguidas pensar que o que era meu, estava preparado. Eu nem sei se tinha pensamentos com nexo nas horas em que dava voltas na cama, era só uma sensação de pânico incontrolável.

Na quarta de manhã, se não fossem os comprimidos, eu garanto que tinha vomitado tudo o que conseguia e não conseguia. Ou a determinada altura, saído do carro e começado a correr porque já não aguentava estar ali dentro. Ter chegado à faculdade e ter visto as duas pessoas que disseram que iam estar lá mais cedo, ajudou a acalmar. O que ajudou, também, a que os níveis de nervosismo diminuíssem foi o abraço mal me viu. Ter os meus lá, - faltavam algumas pessoas importantes, e senti isso -, (mais ou menos) a horas, ajudou a que tudo aparentasse estar tranquilo em mim. Lembrei-me do pedido da Ana, aparentar força. Lembrei-me do "vai ter a sua claque ali a apoiar", que me disse na segunda de manhã. Lembrei-me da falta que me fazia não ver ali algumas caras. Os sinais que me fez a pedir-me para me acalmar fez-me perceber que podia começar a falar. E a partir daí, já não estava nas minhas mãos.
Quero tanto escrever sobre tudo o que senti durante os últimos dias mas sinto-me tão cansada e tão assoberbada com todas as memórias ao mesmo tempo a assaltarem-me o subconsciente e o próprio consciente... que não consigo parar e escrever em condições.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Quando me cair a ficha vai ser muito pior.

sábado, 9 de dezembro de 2017

«I think I lost my mind
Don’t worry about me
Happens all the time
In the morning I’ll be better»

Better, OneRepublic
"I can’t explain my anxiety. I can try, but I would fail. Not because I don’t know every little detail about it, but because the details never come together to form a full picture. I can list all of my triggers. I can tell you how my panic attacks feel. I can even discuss in depth how hard it is to worry about everything all the time. But, you still wouldn’t get it. Not because you weren’t trying to get it, but because my anxiety isn’t something you can talk about for five minutes and then suddenly become an expert on. However, knowing the small details about my anxiety will help me. So, even though I know you will never truly be able to understand what it feels like to be trapped in a bathroom stall, trying to will yourself out of an anxiety attack, or know how it feels to wake up exhausted after a full night of worrying, I will still try my best to explain what my anxiety feels like.

1. You know when you take a sip of a drink and then someone makes you laugh, and now you are left with a mouthful of liquid you are trying not to spit out at everyone in front of you? That’s how I feel all the time. I refuse to burden anyone with the task of cleaning themselves up after I spit out all of my anxieties and worries at them. It may make me feel like I’m going to choke on all of my pent-up emotions, but better that than shamefully having to help them wipe up the mess I’ve caused.

2. Yes, I think my anxiety is a burden to other people. No, I am not ashamed of the fact I have anxiety. There is a difference between refusing to put the weight of the world on someone else’s shoulder and not wanting anyone to know you are strong enough to carry the world on yours.

3. My anxiety is different than someone else’s. No two minds think alike, so why would anyone expect two mental illnesses to be the same? What works for some people may not work for me. Please don’t get offended if I stray away from the hug you are trying to give me or block out your words of advice. I’m not trying to be rude, that is just not how I cope.

4. I get quiet when I am facing a trigger, not because I don’t want to talk about it, but because I am afraid that with each breath I lose trying to explain how I am feeling, I will become weaker, and being weak doesn’t help fight the monsters I am facing.

6. Being afraid is a part of my life. I fear so much that, sometimes, I even fear not being afraid.

(...)

9. My anxiety and depression is like that gift you hate, but end up using. Like, I wish I didn’t get this stupid back scratcher, but now it’s two in the morning and I have an itch at the bottom of my back and now I feel myself thanking whoever was ridiculous enough to buy me it. The same goes for my anxiety. I mean, sometimes when I am struggling so much I can barely breathe, I loathe whoever thought it would be funny to give me the gift of anxiety. But, then, after I am done having a panic attack or finishing up a horrendously bad day, I realize just how strong I am, and my anxiety has helped me figure that out. I can hold my head up high knowing that even though I have anxiety and depression, I am strong enough to fight and keep going every single day.

Like I said, my anxiety isn’t something you can become an expert on in the span of five minutes or one article. However, that’s not what this is meant to do. You understanding what makes me or anyone who lives with anxiety tick can help you and them. You don’t need to be a professional to lend a hand to someone who needs it. So, don’t feel the need to know everything about someone’s anxiety, because even if you just know a little of the small details, you will still find a way to help them. Even if it’s just standing with them as they fight alone."

Tão isto que dói. Texto daqui

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

«E essas lágrimas, são porquê?» 

Sempre que me deito, regresso àquela cadeira e estou no estado mais frágil da minha existência diária. É por isso que choro todas as noites, porque as memórias me abalam. Dentro de mim é como se me pontapeassem e abanassem... E eu - ainda - não tenho capacidade para lidar com elas sozinha. Porque aqui deitada, só eu e as minhas memórias do que se passou nesta e noutras semanas, tudo misturada, não tenho a voz que me guia. Que vê o que não vejo. Que diz o que eu não digo. Que me obriga, docemente, a olhar a realidade crua em vez de pintar um quadro bonito e agradável à vista. É por isso que não durmo bem. É por isso que a minha cabeça explode e o meu peito arde. É por isso que as lágrimas caem. Por muito que durante o dia eu consiga esconder o quão partida me sinto e consiga momentos em que me sinto bem... chego ao escuro, eu sozinha comigo, e não sei lidar com nada disto...

[1.30h]

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

São sempre - ou quase sempre - pontos onde tocamos nas nossas sessões. E sempre - mas mesmo sempre - parece que está dentro da minha cabeça a ver coisas que não consigo compreender sozinha. Ou a dizer-me coisas que nunca percebi e que depois ficam dentro de mim durante vários e vários dias...

Durante o tempo em que aqui estivemos nunca experimentou ser alguma coisa que não era, só precisava de força para ser quem era. Pois não, já tinha experimentado antes e tinha visto que não resultava. 

Eu acho que está cada vez mais preparada para essa conversa. 

É curioso como os homens aparecem quase como seres descartáveis e como se fossem fracos. Não é como as mulheres, que têm sempre aquele lado de mistério e uma força associada. Mas também é curioso como as mulheres são motivo tanto de fascínio como de inquietação. Sim, é verdade, considero as mulheres à minha volta muito fortes. Mas eu não acho os homens fracos... Ai acha sim.
Preciso que o aperto desapareça, preciso de parar de o sentir. Preciso de sentir que consigo controlar alguma coisa - e acho que me está a custar mais agora saber que não sei quando será o fim, apesar de saber que ainda não estou pronta para que o seja. Saber que vamos ver-nos, algures, depois da pausa do natal, ajuda a manter o aperto controlado. E a forma como me diz sempre que sabe que ajudou termos mudado a data, como se fosse menos um motivo de ansiedade extrema para mim. Mas será que é isto que é a ansiedade? Sinto que não sei definir todas as sensações de que sou feita, sinto que não me sei ainda, como deveria. E preciso de sentir que vou sair com muito mais capacidades do que aquelas que tinha quando entrei... 

Sempre o tempo, sempre o tempo. Estou sempre a chegar atrasada às coisas. Estou sempre nelas como se não fosse o tempo certo para mim. Sempre as bombas do verbalizar que está tudo bem e depois perceber que vivo numa paz aparente e tensa e que sou eu a desejar que essa paz exista - e daí a verbalizar - sem ela realmente existir. Não fui só eu a defender-me dos ataques exteriores da última semana. Senti melhorias na minha defesa própria. Senti que não calava e metia no fundo de mim a arder. Senti que as palavras que eu quis dizer saíram da minha boca. E isso foram pequeninas vitórias. Senti, algumas vezes, que não estava sozinha na forma como me defendia. Mas, mesmo assim, continuo a sentir que não vêem a mudança em mim - que eu vejo e que precisava que vissem. Continuo a sentir que não vêem a minha luta - e depois quando sinto que vêem, acabo por querer que seja invisível. Só gostava que não fosse ela a comentar alguma coisa tão forte como o que disse porque sinto que o que ela sabe pode, algures, ser utilizado contra mim e é a última coisa que eu preciso. Afinal quem é que fecha a porta? Eu acho que somos as duas. Sim, é certo, mas há alturas em que não. E eu sei que é muito doloroso perceber que é ela que lhe fecha a porta, é muito doloroso perceber isso. E o que é que lhe queria ter respondido? Eu não estive a chorar mas e se estivesse estado e se não te tivesse dito? Porque é que achas que não te disse? Sempre que te digo dizes que são fitas e que quero estar mal de propósito. Respondeu aqui dentro, não fui eu que trouxe, foi a Rosa, não fui eu que disse, não fui eu que lhe pus as palavras. Mas eu não posso fazer a minha vida a responder às coisas aqui dentro. Eu tenho que responder lá fora. Eu não posso esperar para chegar aqui dentro e dizer o que quero dizer. Eu sei, mas aqui tem liberdade e segurança para fazer isso quando lá fora não o sente... 

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Eu estava com muito medo que tudo isto existisse apenas na minha cabeça e que o apoio que sinto sempre que nos vemos fosse apenas o apoio normal que um orientador fornece. E ontem senti que não seria assim. Perguntei, muito a medo, se não íamos desaparecer da vida uma da outra e recebi a melhor resposta possível "eu não vou desaparecer, eu vou estar aqui para o que for preciso" e o meu coração aqueceu um bocadinho. Eu sei que entrei na reunião com cara de quem não queria estar ali e com todos os bocadinhos de mim descolados. E eu disse-lhe que assim que começássemos a falar de coisas normais que eu ia esquecer-me que me estava a sentir assim... E esqueci, ajuda sempre. O truque é sempre ter alguma coisa para fazer que faça com que eu não leve com o embate profundo logo que saio dali. Eu não deixo que ninguém lhe faça mal, e eu já sabia isso mas soube bem ouvir.
Saber que querias vir à minha defesa e que gostavas - mesmo - de acompanhar esse processo como acompanhaste sempre a escrita da minha tese... vale como se estivesses lá. E sei que só não estarás presente porque eu te disse logo que não queria misturar-te ali. Mesmo que agora tenha sabido que só regressas dia 20... E o abraço que te quero dar desde que partiste está aqui, à espera de quando voltarmos a ver-nos. Saber que compreendes o porquê claro de não te querer ali, naquela situação em específico, deixa-me a sentir-me mesmo segura. E é disso que eu preciso: segurança e estabilidade. Quando tomo as minhas decisões e as explico, preciso de sentir que me compreendem. 

A verdade é que me sinto mal. Sinto-me mal por não te abrir a porta de entrada da minha vida, total e completamente escancarada, por te fazer ser uma espécie de fantasma que vive e não se mostra... Sinto-me mal por ter essa atitude com tanta gente que me quer bem e me faz bem. Mas sei que caminho para um lugar melhor, bocadinho a bocadinho. Quero acreditar nisso, pelo menos. 

sábado, 2 de dezembro de 2017

Aquela lição de vida que eu aprendo aos bocadinhos, todos os dias. Passinho a passinho.

«Nada me deteve porque eu tinha uma crença profunda naquilo que sentia e sabia que aquilo que sentia era certo, portanto não havia nada para me deter. Eu sabia que não estava a fazer mal a ninguém, que não estava a prejudicar ninguém e que só me poderia fazer mal a mim própria se eu negasse ser a pessoa que era.»