domingo, 30 de julho de 2017

One week.

«Goddamit, Chester. Why did you have to do this? Your words saved me, why couldn't they save you? We all whis they had. We'll always wish they had.»
Os problemas empilham-se como caixas na minha cabeça e têm morada fixa no meu cérebro. Quando penso que abro uma das caixas, que vasculho bem e que encontrei a solução para me livrar dela... Olho em volta e ainda tenho outras mil caixas a precisar da minha atenção. Nascem mais fontes de problemas do que eu gostaria porque não tenho capacidade de os resolver. Era tão mais fácil simplesmente não viver assim... Deve ser por isso que ouço, vezes a mais do que gostaria, que não sou verdadeira. Porque escondo partes de mim. Ou melhor, porque não as mostro tão claramente como devia. 

[«Eu sei que está farta de viver assim e que os segredos estão a consumi-la», a falta que me faz... A falta profunda que me faz.] 

Tenho um aperto no peito que não sai. Só consigo pensar em tudo o que vai dar errado porque sei que há uma enorme probabilidade de dar tudo muito errado. Desta vez é completamente real. Estou completamente a entrar em pânico profundo e só me apetece fechar-me algures e assumir que deixei de existir. Não está a dar.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Tenho a cabeça completamente a explodir. E só penso se deveria escrever tudo o que estou a sentir e... Se isso me ajudaria. Se ficaria pior. Se devia deixar simplesmente tudo a navegar na minha cabeça tal como está. Só sei que estou a explodir de dor. 
Quando pensas demasiado numa coisa é porque não podes passar sem a fazer - e acho que foi isso que pensei quando fiz o que fiz. Mais uma tentativa de falar contigo. Mais uma tentativa. Só queria deixar(-te) claro que quero compreender o que não tive oportunidade. Eu só quero compreender porque é que fui tão má amiga. Se o que fiz foi motivo tão forte para te quereres afastar e estares tão melhor assim. É só isso que preciso que me expliques. Porque sei que não conseguirei avançar enquanto continuar a pensar que te falhei de uma forma tão forte como deste a entender que o fiz. Eu só espero que me respondas, quando quiseres, se quiseres.  

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Talvez as lágrimas quase a cair pela minha cara abaixo tenham sido apenas reflexo dos nervos que eu estava a sentir por me estares a obrigar a fazer uma coisa que eu sentia que não conseguia fazer... É tudo culpa da minha cabeça e sou eu que crio os meus problemas, eu sei. Custa-me só muito mais quando és tu a dizê-lo porque a tua voz quando o fazes... simplesmente dá cabo de mim. Mas obrigada por me teres obrigado a enfrentar a situação... Se não o tivesses feito eu não tinha saído dali. «Só tens que ficar orgulhosa porque conseguiste».

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Eu não esperava acordar com uma resposta tua a uma coisa que eu disse há quase um mês num momento de pura fraqueza. E não te deveria ter respondido logo quando ainda estava a dormir porque sinto que errei comigo própria ao fazê-lo. Pedi-te para reconsiderares a tua decisão, se não havia uma forma de nos reerguermos. Era, esse, pelo menos, o meu objetivo no que te disse. Mas, na verdade, não deveria tê-lo feito. Foi errado, foi errado porque eu não fui a única a cometer erros e os meus erros nem foram assim tão grandes para provocar o teu afastamento - para ti podem ter sido mas nunca sequer conversamos sobre eles de forma concreta, devíamos tê-lo feito para eu te entender. Para me ouvires e me entenderes também. Tu também erraste comigo e quando falo contigo esqueço-me disso, tenho tendência a colocar toda e qualquer culpa em cima de mim... Talvez porque aquilo que me disseste me apanhou tão de surpresa... nunca sequer o tinhas referido, nunca te tinhas queixado de nada... Caiu completamente de paraquedas numa altura em que eu nem sequer pensava... Eu sabia que estávamos mal. Não imaginei que fosse tão mal assim. 

Gostava tanto de saber que estás bem, que estás feliz, que está tudo bem na tua vida. Quero tanto que sejas feliz. Espero, sinceramente, que os últimos meses estejam a ser aquilo que precisavas e que sorrias todos os dias. Torço por isso. 

terça-feira, 25 de julho de 2017

She: Adoro-te!
I: Adoro-te também! Desde a primeira vez que te vi!
Achei que ainda estava a dormir e que estava a sonhar porque quando acordei li um "miss you" e foi mesmo estranho... Primeiro achei que te tinhas enganado no número, que a mensagem não era para mim. O destinatário só podia ser outro, não fazia sentido absolutamente nenhum... Como voltei a dormir só respondi depois. Dei-te a entender que deverias reenviar a mensagem para a pessoa devida e disseste-me que eu era essa pessoa. Ter tentado retirar de ti o porquê dessa mensagem foi ainda pior, foi ainda mais estranho, não insisti mais e continuei sem perceber... Tens saudades minhas como assim? Nós mal nos falamos. Falamo-nos quase de ano a ano... Vá-se lá entender. Vá-se mesmo lá entender esta mensagem! Definitivamente tu és muito estranha, Ana Filipa.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

«We’re trying to remind ourselves that the demons who took you away from us were always part of the deal. After all, it was the way you sang about those demons that made everyone fall in love with you in the first place. You fearlessly put them on display, and in doing so, brought us together and taught us to be more human. You had the biggest heart, and managed to wear it on your sleeve.
Our love for making and performing music is inextinguishable. While we don’t know what path our future may take, we know that each of our lives was made better by you. Thank you for that gift. We love you, and miss you so much.»

domingo, 23 de julho de 2017

Vou dar-me mais uma semana... se continuar a sentir-me assim, tão perdida, diminuída e cansada como me tenho sentido até aqui, eu prometo(-me) que peço ajuda, que [lhe] escrevo. Eu prometo que escrevo, como conseguir, tudo aquilo que estou a sentir. Eu sei que vai estar lá do outro lado para me ouvir, só não queria ser a fraca que precisa já, mas a ideia está na minha cabeça. E está há muitos dias instalada - desde quinta, para falar a verdade. Só tenho lutado contra ela o máximo que posso. Quando me deito na cama penso que consigo lidar perfeitamente com tudo isto, que sei que está a doer mas a dor é passageira. «Let it go»


Like always; 
«Do you feel cold and lost in desperation
You build up hope but failure's all you've known
Remember all the sadness and frustration
And let it go
Let it go»
Anda a custar-me muito dormir. Parece que todas as noites acordo com uma qualquer música na minha cabeça. Com a cabeça a latejar. E a dor acompanha-me durante o resto do dia. Está a ser mesmo muito difícil de superar isto tudo. Estou a esforçar-me, juro que estou. Não consigo processar tudo isto mais rápido que está a acontecer... E, sinceramente, deixa-me frustrada, irritada comigo própria.

sábado, 22 de julho de 2017

A partir do minuto 9 disto e até ao minuto 14... Eu nem consigo expressar a dor que é ouvir esta entrevista. É saber tudo o que eu já sabia até aqui... Mas o que me dói mais é saber que compreendo exatamente o que ele está a dizer ali. Há coisas que doem mesmo muito. E juro que o teu desaparecimento deste mundo está a ser uma delas.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Sinceramente, a última coisa que eu precisava hoje era ouvir comentários sobre o quão parva era e sobre as minhas atitudes parvas nos últimos dois dias... E eu tive isso, quando não precisava. Não tinhas sequer que tecer nenhum tipo de comentários. O que eu faço só a mim diz respeito. O que eu coloco nas redes sociais sou eu que coloco. [E foi por isto que deixei de colocar tanta coisa e que tenho medo de tanta outra...] Não tem nada a ver contigo. Não pode ter. É da minha responsabilidade e da minha "autoria". Acho que consegui - mais ou menos - lidar com a situação, fazer valer o meu ponto de vista. Sobre o que continuaste a achar não posso ficar a pensar nisso. Não posso. Se o fizer só vou ficar mais e mais deprimida. E é a última coisa que eu preciso; entrar no poço agora.

[Precisava mesmo de si. A sério. Saber que não vou ter a conversa que mais precisava... A semana começou mal e acabou mal precisamente pelo mesmo motivo - pela mesma pessoa. E eu continuei a sentir-me uma miúda estúpida e eu não sei se vou conseguir sentir isso nas próximas semanas sozinha, sem si para me ouvir...]


Actualizando... Quando dás a prenda à minha irmã e eu comento que também já tinha dito que queria uma coisa igual... a única coisa que devias responder foi o que disseste no final: que ela também te tinha dito o mesmo. Não era dizeres alto e bom som a toda a gente que eu fazia sempre isto, que ficava sempre assim todos os anos. Respondi-te que estares a dizer isso era ridículo porque não fazia sentido, que eu não fazia sempre isso. E tu disseste-lhes que esta era a verdadeira versão da Rosa, que não era a Rosa calada, era a que respondia assim. E não, não é. Essa não é a minha versão. Eu não respondo muitas vezes, eu calo tanto. Não imaginas tu o quanto eu calo. 
Dentro do que é possível, ontem, eu estava a ter um bom dia. Estava a conseguir lidar com as coisas todas, a sentir que estava a chegar a algum lado. Até tudo ter mudado numa questão de segundos. "Chester morreu", repetido, pelo menos, três vezes por três pessoas diferentes. E não, eu não acreditei. Comecei a tremer. Arrepiei-me, um arrepio contínuo que não passava por nada. Não era frio apesar de me ter apressado a vestir um casaco. Depois tirei o casaco e voltei a vesti-lo numa questão de segundos. Talvez para ganhar tempo. Porque não sabia o que dizer apesar de saber que gritei logo um "não". Sei que a minha voz saiu estridente quando respondi a todos que estavam a gozar, que não tinha morrido nada, que era mais uma fake new que anda por aí que tantas vezes repete que ele morreu e passado um bocado ele vem a público mostrar que está bem vivo... Rapidamente os meios de comunicação em Portugal começaram a difundir a notícia. E eu não acreditava, eu repetia que não havia uma confirmação oficial e que, por isso, era mentira. Continuava a repetir que não estava morto. Lembro-me de me dizerem "mas estás em negação?" [obrigada, Leandro, não fazia sentido passar a noite de ontem a conversar com mais ninguém, obrigada por teres ficado comigo], e agora... olhando para trás, estava. Sim, só podia estar. Quando o Mike escreveu aquele tweet o meu coração ficou completamente partido. Fiquei completamente em choque. 
Já te estava a ouvir antes, já tinha em repeat no youtube porque precisava mesmo de te ouvir a voz para me agarrar a uma esperança qualquer de que isto era só mais uma daquelas notícias sem fundamento nenhum. Só que não era. Soube, a partir do momento em que o Mike veio a público, que não era. Não podia ser. O Mike, de coração mais partido do que o nosso - que o meu, que o de todos nós, os fãs - não podia mentir sobre isto. Fiquei com uma dor de cabeça muito forte que não passou nem com uma noite de sono. Chorei cada vez que te ouvi ontem, Chester. E apressava-me a limpar as lágrimas. Mas não conseguia não chorar. E depois à noite, antes de conseguir adormecer, chorei a ler todas as notícias que apanhava na esperança de que alguma conseguisse explicar mais alguma coisa. E esta noite não foi uma boa noite de sono. Foi uma noite em que eu acordei várias vezes com a tua voz na minha cabeça, com a Crawling no meu cérebro. Quando a Crawling nem é uma das minhas músicas de eleição. Acordei mais cansada do que quando me deitei. Adormeci a chorar e acordei com um peso enorme no meu coração e sei que não vai passar só porque escrevi sobre ele. Porque ainda sinto que estou a viver um pesadelo. Porquê, Chester? Tu, que eras a voz mais forte que os meus pensamentos negativos todos? Tu, que me acompanhavas em todas as noites de insónias? Em todas as manhãs geladas? Em todos os pensamentos ansiosos, negativos? Tu sucumbiste aos teus próprios demónios quando não me deixavas sucumbir aos meus? Tu, a minha companhia absoluta nos dias piores? Na verdade, e eu sei isto muito bem... A dor não se vê, a dor é facilmente mascarada. O ser humano consegue, muito facilmente, esconder a sua própria dor dos outros. E é por isso que eu compreendo que ninguém tenha percebido que tu estavas prestes a eclipsar. O que mais me custa... é que eu não acredito que nunca mais vou ouvir a tua voz. Eu não acredito que nunca mais te vou ouvir. Eu não acredito que nunca mais vou ter oportunidade de te vou ouvir ao vivo. E guardo com muito carinho aquele dia em que consegui comprar o bilhete do concerto e que soube que ia ver uma das minhas bandas de eleição. Assim que ouvi os primeiros acordes, no Parque da Bela Vista, em 2014, eu chorei. As lágrimas caíram-me pela cara abaixo e eu soube que estava a concretizar um sonho. E depois... Saber, agora, que nunca mais vou ter essa oportunidade... As letras que tu cantavas, desde ontem, que ganham um significado diferente, muito mais macabro, doloroso. Tenho o coração completamente partido. O último álbum está recheado de letras que me doem muito mais hoje do que em todos os outros dias que o meu cérebro precisou da tua voz para aguentar mais um dia mau. Não te digo que estou zangada contigo, não estou. Estou em choque, ainda. Dói-me muito que tudo isto esteja a acontecer. Não sei quando é que vou recuperar desta notícia. Não consigo deixar de te ouvir. E de te ver. E de sentir que isto só pode ser um pesadelo. Descansa em paz, Chester. Espero que aí encontres a paz que procuravas aqui. Obrigada por tudo! Obrigada por tudo, m-e-s-m-o. Mantenho-te na minha memória, acredita. Sempre.

terça-feira, 18 de julho de 2017

«Não é motivo para celebrarmos, pelo menos aqui?», foram seis meses de desespero, frustração e desilusão. Foram seis meses a compreender todas as repercussões e ligações nisto tudo, como uma só coisa me trouxe tantas. Trouxe tantas à tona. E falamos nelas todas. Discuti-mo-las exaustivamente. Estávamos cansadas, não estávamos? Ontem sorriu quando eu disse que podíamos admitir que estávamos, as duas, fartas disto. Porque estávamos. E acho que depois de tudo o que me disse ontem - e quando finalmente eu interiorizar tudo o que conversamos - acalmei levemente a minha frustração comigo própria. A minha desilusão comigo própria. Só queria saber que tenho capacidade de o fazer sozinha. Sei que se não tiver que posso recorrer à escrita e rapidamente me responde... mas não é a mesma coisa - escrever-lhe ou falar-lhe; nunca é.
Eu preciso que tudo comece a correr bem mas sinto que perdi todo e qualquer entusiasmo para enfrentar isto... E não sei onde é que vou voltar a ir buscá-lo para me levantar. Porque a única coisa que eu quero é levantar-me para fazer com que comece a correr tudo como devia. Estou cansada por sentir que quanto mais faço, menos vejo feito... 
«Eu procurei palavras para te contar tudo mas não encontro e é isto. Tu ajudaste-me a dar o primeiro passo e o caminho está a ser penoso sinceramente mas é agora ou mais tarde seria tarde demais. (...) Eu terei eventualmente que escrever - deixei de o fazer - e gostava de te escrever o que se tem passado. (...) Tu deste um grande primeiro passo ao mandar-me procurar ajuda.»

É nestas alturas que sinto que não sou assim tão má pessoa.

De antes de adormecer.

«Não sei como é que vou aguentar o próximo mês e meio. Quando todos os dias entro em pânico por alguma coisa. Quando todos os dias me lembro de coisas que são importantes de refletir. Com ela. Ela diz que eu consigo fazer isso sozinha. E que não faz mal ceder aos pequenos momentos de pânico. Mas eu preciso tanto dela. Eu deixei de conseguir falar fora dali... E sempre que tento acabo por me arrepender porque não recebo a resposta que julgava que merecia. Estou cansada. Estou tão cansada de estar constantemente a pressionar-me e a pressionar a minha própria cabeça com expetativas em relação aos outros. Não é que os queira refazer, que sejam totalmente diferentes do que são agora... Não é isso. São pequenos apontamentos. (...) Estou só incrivelmente isolada dentro da minha cabeça porque "perdi" a pessoa que me faz ligar os pontos. E só estou assim porque hoje aconteceram duas coisas que considero que tocam na ferida. Para além da coisa habitual. E não vou poder discutir essas duas coisas com ela como seria suposto. Não serão graves. Uma boa noite de sono vai ajudar-me a relativizar as coisas, tenho a certeza. Eu só preciso de aprender a respirar fundo.»

sábado, 15 de julho de 2017

Acho que vou continuar aqui a depositar as minhas lágrimas da falta que me fazes quando, sem querer, me passa uma foto tua à frente dos olhos. Acho que vou continuar a ir reler as nossas últimas conversas para tentar perceber que aconteceu mesmo. Acho que vou continuar a sentir a mesma mágoa, o mesmo desconforto que me fizeste sentir quando começamos a ficar mesmo mal. A sentir que nunca percebi que te fazia mal até o dizeres, naquele dia fatídico em que tudo acabou sem aviso prévio. A sentir que perdi uma das pessoas em quem mais confiava e que me tinha custado tanto a recuperar. A não entender como é que é possível que tudo isto tenha acontecido... E como é que é possível que eu tenha tentado que ficasses, que ficássemos, que acreditasses comigo que eu podia mudar para que não te sentisses mal... como é que me disseste que não... Só tinhas que ouvir as minhas desculpas e saber que eram sinceras, porque eram. Continuam a ser. Lamento tanto ter-te feito sentir que era tudo um só sentido porque, em mim, não era, de todo. Eu só queria, em troca, que soubesses que esperava que também me ouvisses e aos meus desconfortos. Porque é o que uma amizade faz, caramba! Nunca pedi demasiado... Pelo menos, penso que não. E agora... cada vez que vir uma foto tua, isto tudo vai voltar à minha mente e eu vou sofrer um bocadinho... até ao dia em que vai deixar de doer. Porque tem que deixar de doer. A ti (já) não te dói. 

quinta-feira, 13 de julho de 2017

«Agora não vale a pena estares desiludida por uma cena que não controlas... aquilo que sentes. (...) É o que te está a acontecer e não podes fazer nada sobre isso. Caga nisso. (...) Há coisas que são normais demais, que nos devemos orgulhar delas mas que também não é preciso ser logo.»


Hold that thought until monday, keep calm. Everthing will be okay.
«Tu assumes as respostas antes de fazer as perguntas.» E eu faço isto porque há um desejo qualquer em mim de me castigar ou de me impedir de ser feliz ou sei lá... Acho que tenho um medo enorme de ser feliz, de me sentir livre e plena... De não ter aquele travão que me pára. 

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Acho que, no fundo, esperava qualquer coisa da tua parte quando coloquei aquela foto... esperava um "parabéns por teres conseguido" ou isso... tal como eu te dei, quando fizeste a última frequência, quando saíram as notas, quando te perguntei várias vezes se já a tinhas feito... não sei porquê mas pensei que pudesses estar preocupada comigo. Só que não. Depois de tudo o que soubeste, depois de todas as minhas falhas em exames enquanto estavas comigo... Não. E é triste, é muito triste. 

terça-feira, 11 de julho de 2017

Já pode parar de utilizar a condução como um veículo para se aproximar da sua família porque já gastou muito dinheiro com isto e tenho a certeza que já sabe conduzir.

Era suposto eu mandar-lhe um e-mail, qualquer que fosse a notícia, combinamos que seria isso que eu faria - mas isto foi antes de eu perceber que ainda me espera para a semana... Mas decidi entretanto que não o vou fazer. Espero, sinceramente, que não esteja à espera dele... Esteve lá em todas as derrotas nisto. Soube-as a olhar para a minha cara. Refletimos sobre cada uma delas, com todo o cuidado e o tacto que era necessário. Deixou-me emocionar-me. Chorar. Limpar as lágrimas. Sofrer. Dizer que estava cansada. Que queria desistir. Que queria virar costas. Que nunca ia conseguir. Deixou-me desabafar toda e qualquer pequena coisa sobre isto. Até termos percebido que já não era da surdez, já não era dos pés, já não era um descontrolo motor mas sim um pequeno (grande) interroptor na minha cabeça que utilizava a condução como forma de unir algumas linhas há muito tempo desunidas... Chegou uma altura em que posso dizer que estávamos, as duas, completamente cansadas de ouvir a palavra "condução". Até ter começado a fazer esta piada que tanto nos fez rir; não sei se de nervos, se de outra coisa qualquer. Mas sei que sabia, que tinha uma confiança inabalável em mim - aquela que me mostrou ontem quando eu disse que isto ia acontecer hoje e que eu estava preparada e calma e só me disse que sabia que sim. 
Portanto, e retomando o início; na minha (nossa) vitória, faz sentido (ainda mais!), que seja partilhada da mesma forma. E quando terminei o exame e percebi que tinha passado das primeiras coisas que me passou pela cabeça foi isto. Este conjunto de frases atabalhoado que eu reproduzi em cima é o conjunto de muitos dos nossos pensamentos e conversas nos últimos cinco, seis meses... Está mal reproduzido, com toda a certeza, mas foi dos meus primeiros pensamentos. E sim, agora vou colocar a condução noutro sítio qualquer. Porque posso espernear muito e dizer que desisto mas acabo por não desistir. E também já sei que não vai (nem eu, talvez) permitir que eu me feche novamente. O-b-r-i-g-a-d-a por tudo. E consegui!
«Parabéns, meu amor! A pima tem muito orgulho em ti! Sempre tive, és uma força da natureza, desde que nasceste. Obrigada por teres contrariado as estatísticas e teres crescido para brincares comigo! Tornas a minha vida muito melhor! Eu sabia que ias conseguir! Beijinhos dos primos 😍😘»

Já recebi muitos parabéns por ter ultrapassado esta etapa de muita gente que acompanhou - mais ou menos - a dor que foi chegar até aqui e que me tocaram no coração; mas este foi diferente de todos (por ter sido completamente inesperado e por teres tocado em pontos extremamente sensíveis) - e, por falar em coração: talvez o meu coração ainda não acredite bem que esta saga terminou, sinto que ainda não explodi de alegria. Sinto que estou estática e não sei se era suposto estar assim... Só consigo pensar que finalmente parei de gastar dinheiro com isto e que tenho uma imensa dívida para pagar à minha conta da faculdade. Mas com tempo e sabedoria vou lá. Só me está a faltar o que achava que iria sentir. 

Os meus, todos eles, estão completamente radiantes por mim e só isso chega para me fazer sentir bem. 

domingo, 9 de julho de 2017

Eu não sei se isto é bom ou não mas desde que nos aconteceu o que aconteceu que eu estou diferente. Eu estou mais comigo, mais para dentro. Não falo muito sobre mim. Se já antes, quando estavas, o fazia pouco, agora que foste embora, faço-o muito menos. Sou mesmo muito pontual no que digo, na forma que o digo e a quem o digo. E eu sei... durante os meses todos em que voltamos a ser quem éramos antes... eu dediquei-me fortemente a reconstruir os alicerces da nossa amizade. Acho que te ajudei a reconstruíres-te, depois do que te tinha acontecido... E senti, com todo o meu coração, que poderia depositar todos os meus medos, inseguranças e dúvidas no que trocávamos porque seria impossível de desfazer este laço. E estava tão habituada a fazer tudo isto contigo que achava, sobretudo, que nada iria correr mal. Fizeste-me sentir segura. Nunca compreendi que pudesse correr mal, apesar de todas as vezes que não compreendia completamente quem eras ou as tuas atitudes. Achei que com tempo que te iria saber de cor. Que estava a chegar lá. E quando tudo desabou e percebi que não estava tudo bem entre nós - sobretudo que tu não estavas bem comigo e que nunca me tinhas dito nada até aquela conversa - alguma coisa mudou em mim. Foste tu que provocaste essa mudança com as tuas palavras que me acertaram que nem balas. E é por isso que me dói tanto, muitas vezes, muita coisa. Porque me relembro do que senti quando percebi o que me tinhas dito. Porque me lembro de ter tentado que voltasses, de ter assumido uma culpa de uma coisa que tu sentias, apesar de não a compreender totalmente, e não ter a resposta que pensava que teria. Porque sei que fui ter com a única pessoa que me podia ajudar e que estava à espera que o fizesse à séria, e não fez. Acho que deu o que podia dar, perante as circunstâncias, mas dói-me que não tenha continuado... E eu queria falar-lhe; dar-lhe os parabéns por ter terminado uma coisa que sei o que custa fazer, dizer-lhe que o futuro será brilhante... mas fiquei sem coragem. Senti-me totalmente sem coragem depois de perceber que fiquei sem resposta. Ficar sem resposta... também é uma resposta. Ficar sem uma resposta da parte dela também é uma resposta; é uma resposta porque me faz perceber que algures tu falaste sobre mim na altura. Pediste que ela não falasse comigo, não sei... Não sei o que me passa pela cabeça, na verdade. Só sei que esperava que eu te fizesse mais falta. E não faço. Não faço como tu me fazes a mim. E eu juro que tento que não me faças falta. Faz dez dias da última vez que tentei contactar-te. Faz dez dias que te disse que me fazias falta - e são dez dias de silêncio da tua parte - e que tento recuperar a minha sanidade mental quanto a tudo isto. Que tento que não faças falta, na realidade. E que espero que não me respondas, que nem vejas o que eu disse - como continuas a fazer. Talvez seja melhor continuarmos este silêncio que tanto me dói.

Acho que era isto que te queria dizer e como sei que ainda tenho uma réstia de amor próprio consegui escrever tudo aqui em vez de te enviar. Não me posso humilhar continuando atrás de ti quando tu, claramente, não queres saber de mim.  

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Estou a tremer. Dói-me tudo por dentro. Tenho um aperto na garganta e uma pedra no peito. Mas disse o que sentia. E as palavras doem e têm consequências. E as minhas foram muito graves e finais. Só que não consigo mais lidar com isto assim. Não dá mais.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

«(...) Se tiver atenção... provavelmente nas últimas semanas sou só eu a saber a 100% o que se passa comigo. E a psi, um pouco, uns 75%, para aí. Já que não está comigo "a toda a hora". Mas, provavelmente, pela relação que tenho com ela... chegou a um ponto que é quase como se eu soubesse que só preciso que ela ouça para me ajudar a pensar. Como se quisesse "beber" o máximo agora. Como se o tempo estivesse a esgotar e eu tivesse ânsia de reunir todas as ferramentas para me sentir pronta a estar sozinha. E eu ainda preciso tanto dela. Ainda falta tanto. E está quase no fim. (...)»

Sobre as boas madrugadas...

He: Comigo podes ser tu mesma, despida de qualquer máscara, eu não julgo nem critico, tento sempre compreender. Posso concordar ou não, mas tento por-me no teu lugar acima de tudo. Tem sido muito difícil tudo isto para ti, qualquer coisa, dispõe eu estou aqui, nem que seja só para estares calada e receberes um abraço.
I: Eu sei. Gosto muito de ti, puto. Obrigada por teres ficado.
He: E eu de ti, miúda,vice-versa nesse agradecimento :)
I: Não precisavas assim tanto de mim.
He: Continuas a ser a primeira pessoa a quem recorro quando estou mal e isso diz muito! E para contar coisas boas também.
I: A sério? Não fazia ideia.
He: Tu és a minha melhor amiga e isso é imenso, acredita! Pelo menos significa imenso para mim.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Ontem voltei a (re)lembrar-me porque é que opto por "esconder" certos lados meus, porque é que opto por não os mostrar, por os guardar para mim... é mais isso. Ontem, quando estava a chorar e me ligaste e afirmaste que eu estava rouca, com uma voz muito estranha, saiu-me que tinha começado a chorar, que estava com medo de ter perdido todo o trabalho que tinha feito durante a tarde. E a tua reação foi aquela de sempre; que não deveria chorar por causa disto, que simplesmente me tinha apetecido chorar, que era muito dada ao drama e ao negativismo, como todos os outros da minha família. "Se te apetece chorar, chora", ou alguma coisa assim semelhante. O que sei é que me fez recordar do porquê de não ser absolutamente concreta aqui dentro. E fez-me perceber que tentar mostrar-me, novamente, não é o caminho. Vou voltar a guardar para mim e vou saber, ainda mais, lidar com os meus dramas sozinha. Acho, no fundo, que é isso que é ser adulta. Aprender a organizar os sentimentos cá dentro, não os partilhando quando não é preciso. E não era preciso. Foi apenas uma experiência, uma tentativa, mesmo que não tenha pensado que a ia fazer antes de a ter feito.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Só sei que estava a tentar segurar o desespero. A pensar que não era assim tão mau. Que tinha tudo controlado. Quando mandaste mensagem, do nada, quando passaste a estar lá, eu senti que ia desabar, que o meu controlo se ia eclipsar. E chorei. Chorei sozinha, sentada no sofá. Chorei porque senti que estava a perder o controlo outra vez. A perder o controlo sobre a minha pequena coisa que eu podia controlar. E quando percebi que não, quando comecei a falar nisso, as lágrimas caíram-me. Não as segurei porque não podia. Lembrei-me apenas que tinha que me deixar sentir. E depois de me garantires que eu não tinha perdido nada... perguntaste-me se podias fazer alguma coisa por mim e eu só cliquei no "a chamar". Quando atendeste percebeste rapidamente que eu estava a chorar e tentaste acalmar-me. E isso ajudou-me, ajudou a que me ligasse de novo à realidade. Que percebesse que realmente podia não ter perdido nada e que estava só sob um imenso stress. Obrigada, eu já agradeci mil vezes mas volto a fazê-lo: obrigada por hoje. 

domingo, 2 de julho de 2017

Era para fazer alguma coisa por vontade própria, pensei em várias coisas, vieram-me à ideia em várias alturas do dia... mas sinto que se o fizesse que era fingido. Esperei por mais alguma coisa da tua parte, sei que se o tivesse que era capaz de amolecer e que podia mostrar-te o meu lado mais doce... ele está sempre à espera de aparecer...  e o que tive durante estas últimas horas foi um monte de ausências. E, por isso, estou magoada. Por isso estou ainda mais magoada. E, por isso, não tenho mais nada a dizer. Três minutos para a meia noite. Tinhas, agora, dois minutos para me surpreender. E vou voltar a esperar sem ter... como sempre. É o que mais dói, ficar sempre à espera. Acabou o dia.
«Sabes que o João estava ao meu lado quando mandaste mensagem e eu abri e ele leu. E a reação dele foi "olha uma amiga tua que realmente quer saber como estou e se preocupa comigo". OBRIGADA 💓»

Eu preocupo-me muito contigo e fiquei mesmo muito preocupada com ele, tem a minha solidariedade e a minha preocupação, sem dúvida nenhuma. E fiquei mesmo muito feliz com isso que me disseste porque é sinal que se vê que sou preocupada, boa amiga e que não me centro apenas nos meus problemas... E o quanto eu preciso de sentir isso, o quanto. 
A minha necessidade estranha de voltar a escrever tem muito a ver com o facto de sentir que vou voltar a ficar sem o que me tem mantido à tona... (E, quando não o tenho refugio-me na escrita. Porque a escrita faz-me pensar É isso.) Tenho que me lembrar de lho dizer. Temos que falar sobre isto. Sobre isto e sobre tanto. Faz-me tanta falta quando não está. Eu não devia de sentir tudo isto mas hoje estou a deixar-me sentir tudo isto. Só quando o sinto é que o compreendo. Só quando o sinto é que posso saber lidar com o que estou a sentir. Não negar nada. Não ignorar nada.
«Se o vento empurrar
Nossas velas de algodão
Deixemo-nos levar 
Acertando a direção
E se o medo nos ferir
Bem para longe da razão
Aprendemos a seguir 
Acertando a direção»