Dentro do que é possível, ontem, eu estava a ter um bom dia. Estava a conseguir lidar com as coisas todas, a sentir que estava a chegar a algum lado. Até tudo ter mudado numa questão de segundos. "Chester morreu", repetido, pelo menos, três vezes por três pessoas diferentes. E não, eu não acreditei. Comecei a tremer. Arrepiei-me, um arrepio contínuo que não passava por nada. Não era frio apesar de me ter apressado a vestir um casaco. Depois tirei o casaco e voltei a vesti-lo numa questão de segundos. Talvez para ganhar tempo. Porque não sabia o que dizer apesar de saber que gritei logo um "não". Sei que a minha voz saiu estridente quando respondi a todos que estavam a gozar, que não tinha morrido nada, que era mais uma fake new que anda por aí que tantas vezes repete que ele morreu e passado um bocado ele vem a público mostrar que está bem vivo... Rapidamente os meios de comunicação em Portugal começaram a difundir a notícia. E eu não acreditava, eu repetia que não havia uma confirmação oficial e que, por isso, era mentira. Continuava a repetir que não estava morto. Lembro-me de me dizerem "mas estás em negação?" [obrigada, Leandro, não fazia sentido passar a noite de ontem a conversar com mais ninguém, obrigada por teres ficado comigo], e agora... olhando para trás, estava. Sim, só podia estar. Quando o Mike escreveu aquele tweet o meu coração ficou completamente partido. Fiquei completamente em choque.
Já te estava a ouvir antes, já tinha em repeat no youtube porque precisava mesmo de te ouvir a voz para me agarrar a uma esperança qualquer de que isto era só mais uma daquelas notícias sem fundamento nenhum. Só que não era. Soube, a partir do momento em que o Mike veio a público, que não era. Não podia ser. O Mike, de coração mais partido do que o nosso - que o meu, que o de todos nós, os fãs - não podia mentir sobre isto. Fiquei com uma dor de cabeça muito forte que não passou nem com uma noite de sono. Chorei cada vez que te ouvi ontem, Chester. E apressava-me a limpar as lágrimas. Mas não conseguia não chorar. E depois à noite, antes de conseguir adormecer, chorei a ler todas as notícias que apanhava na esperança de que alguma conseguisse explicar mais alguma coisa. E esta noite não foi uma boa noite de sono. Foi uma noite em que eu acordei várias vezes com a tua voz na minha cabeça, com a Crawling no meu cérebro. Quando a Crawling nem é uma das minhas músicas de eleição. Acordei mais cansada do que quando me deitei. Adormeci a chorar e acordei com um peso enorme no meu coração e sei que não vai passar só porque escrevi sobre ele. Porque ainda sinto que estou a viver um pesadelo. Porquê, Chester? Tu, que eras a voz mais forte que os meus pensamentos negativos todos? Tu, que me acompanhavas em todas as noites de insónias? Em todas as manhãs geladas? Em todos os pensamentos ansiosos, negativos? Tu sucumbiste aos teus próprios demónios quando não me deixavas sucumbir aos meus? Tu, a minha companhia absoluta nos dias piores? Na verdade, e eu sei isto muito bem... A dor não se vê, a dor é facilmente mascarada. O ser humano consegue, muito facilmente, esconder a sua própria dor dos outros. E é por isso que eu compreendo que ninguém tenha percebido que tu estavas prestes a eclipsar. O que mais me custa... é que eu não acredito que nunca mais vou ouvir a tua voz. Eu não acredito que nunca mais te vou ouvir. Eu não acredito que nunca mais vou ter oportunidade de te vou ouvir ao vivo. E guardo com muito carinho aquele dia em que consegui comprar o bilhete do concerto e que soube que ia ver uma das minhas bandas de eleição. Assim que ouvi os primeiros acordes, no Parque da Bela Vista, em 2014, eu chorei. As lágrimas caíram-me pela cara abaixo e eu soube que estava a concretizar um sonho. E depois... Saber, agora, que nunca mais vou ter essa oportunidade... As letras que tu cantavas, desde ontem, que ganham um significado diferente, muito mais macabro, doloroso. Tenho o coração completamente partido. O último álbum está recheado de letras que me doem muito mais hoje do que em todos os outros dias que o meu cérebro precisou da tua voz para aguentar mais um dia mau. Não te digo que estou zangada contigo, não estou. Estou em choque, ainda. Dói-me muito que tudo isto esteja a acontecer. Não sei quando é que vou recuperar desta notícia. Não consigo deixar de te ouvir. E de te ver. E de sentir que isto só pode ser um pesadelo. Descansa em paz, Chester. Espero que aí encontres a paz que procuravas aqui. Obrigada por tudo! Obrigada por tudo, m-e-s-m-o. Mantenho-te na minha memória, acredita. Sempre.