Há uma razão pela qual eu estou a escrever isto hoje. Estou a escrever isto hoje porque quero que fique marcado como uma coisa especial. Foi importante para mim ter chegado até aqui. Estar como estou hoje. E ontem. Depois do que aconteceu na terça feira. Sentir orgulho pelo que consegui alcançar, mesmo que as coisas não corram exatamente bem, no final.
Terça feira tive a pior aula de condução de sempre. Eu não sabia fazer nada. E, à noite, quando fui treinar ouvi um comentário que me deixou, ainda mais, enervada. «Mas porque é que estás assim? É mesmo preciso estares assim? Acalma-te. Acalma-te porque já nem consegues falar direito. Estás quase sem oxigénio. Ainda vou ter que ir contigo para o hospital.» E ter ouvido isto - e uns segundo antes ter gritado que me sentia uma autêntica merda... Fez curto-circuito no meu cérebro. Acho que foi a explosão que eu precisava para que conseguisse entrar nos eixos. Ter sentido aquele apoio, que não foi diferente de todas as outras vezes, modificou alguma coisa dentro de mim... Ter estado uma hora acordada durante a noite, a chorar, por achar que não seria capaz de enfrentar isto e a sentir que era uma inútil, fez-me abrir os olhos. E ter falado nas coisas durante o resto do tempo que faltava para entrar, novamente, no carro, também.
Na quarta eu sei que surpreendi o instrutor. Eu própria fiquei surpreendida. E senti que os meus níveis de ansiedade diminuíram exponencialmente. E senti que era capaz de dar a volta a isto. Que queria dar a volta a isto. Que ia dar a volta a isto. A aula de hoje de manhã era só a minha nova oportunidade de mostrar que sou melhor que o meu cérebro. E mostrei. Mostrei e vou continuar esse caminho.
No fundo, encontrei o busílis da questão. Isto da condução só faz parte da minha luta constante contra mim própria... E, por isso, o meu grande objetivo é acalmar-me. E incentivar-me a ser melhor do que já fui antes. E a fazer melhor. E a condução é só uma constante oportunidade disso. Foi isto que eu pensei.
[E quando pensei nisto veio-me à cabeça uma coisa que me diz várias vezes. «Isto apareceu aqui mas podia ter aparecido noutra coisa qualquer porque estás preparada, tens os olhos abertos, vês coisas e sentes coisas que antes não sentias». Quase que aposto que na próxima segunda - vai ficar tudo bem, não precisas já dela esta segunda que vem - quando lhe disser isto que vai ser isso que me vai dizer e vou rir-me e dizer-lhe que pensei nisto e vai responder-me «Afinal sempre fala comigo». Também já a conheço um bocadinho.]