sexta-feira, 31 de agosto de 2018

"Porque tu és mais importante para mim que uma tristeza que me causes.", disse-te isto hoje e disseste que era bonito mas antes de o ser é muito verdadeiro. É o porquê da minha preocupação constante contigo e é por isso que eu vou abandonar os meus amuos e as minhas mágoas (mesmo que causadas por ti) se tu precisares de alguma coisa minha. E foi por isto que eu interrompi o meu afastamento em relação a ti, há quatro dias, e te disse que estaria presente nas datas que me dissesses que seriam as tuas idas ao hospital. A verdade é que não sabia na altura que iríamos continuar uma conversa, o meu objetivo era e apenas só dar-te a entender que eu estaria para ti porque tu és importante para mim, mesmo acima dos meus sentimentos de mágoa. E, se no primeiro dia, me custou mesmo muito conversar contigo e sentir a tua agressividade em relação a mim e o teu apego a uma razão que dizes que tens sem olhares para o meu lado... A verdade é que tudo o que me apontaste nesse primeiro dia existe e eu nunca, em momento algum, neguei a existência desses problemas. A grande diferença entre nós as duas é que eu, desde o início, te disse exatamente quais seriam os meus pontos fracos nesta relação e a forma como poderia não os resolver no tempo que considerarias o ideal. As coisas na vida não são no tempo em que gostaríamos, são no tempo em que estamos preparados para que aconteçam, ou no tempo em que têm que acontecer porque alguma coisa sai do nosso controlo. E em relação às minhas decisões e à forma como vivo - perante tudo o que já me aconteceu - quero estar no controlo na medida do que possa. Custou-me realmente compreender a tua agressividade em relação a mim mas, também, não te ouvir abordar claramente os teus erros enquanto sublinhavas os meus... Estou na disposição de dar o meu melhor para que tudo se tranquilize entre nós - é certo - mas não farei nada no teu tempo e sim no meu. Como sempre. Se gostares verdadeiramente de mim, vais esperar. Tal como eu continuo aqui à espera que vejas todos os erros que cometeste no passado e que fizeram com que esta relação fosse uma autêntica bola de neve. 
Há dois dias perguntaste-me, acredito que a medo, o que éramos uma para a outra. E eu disse-te, o mais sinceramente possível, que nem eu sabia mas que não me parecia que fôssemos o que éramos até aqui. E espero que não voltemos a ser tão cedo porque precisamos de pegar nisto com todo o cuidado do mundo e ir reconstruindo devagarinho. Nós somos duas pessoas que gostam uma da outra e que fizeram e disseram muita porcaria mas que, neste momento, estão, as duas, a tentar não fazer porcaria. Penso que, pela primeira vez, estamos as duas exatamente na mesma página e na mesma linha de raciocínio. A cabeça fria e a racionalidade têm que nos fazer chegar a algum lado. As pequenas regras que vamos impondo, em situações que antes eram motivos de discussão e mau estar, vão contribuir para alguma coisa... E a minha experiência da melhor versão de mim própria mantém-se ativa. Desta vez com um bichinho qualquer que me diz que te vais esforçar por fazer o mesmo, ao mesmo nível que eu, ainda que admitas que podes cometer erros. E é bom que o faças porque é a realidade, eles vão acontecer. Só temos que arranjar uma forma de lidar com eles nessa altura. Sinto-me muito mais tranquila do que estava há muitos meses. E isso é a maior dádiva que eu posso retirar deste período de tempo todo onde os erros se acumularam e o mau estar foi diário.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Carrego com toda a força que tenho no peito para parar de sentir esta dor profunda que me invade desde que comecei a treinar esta manhã - foi tão doloroso que tive que parar de correr. E não consigo deixar de a sentir. Às vezes vem acompanhada com uma dificuldade em sentir que estou a respirar e outras vezes com uma guinada forte na cabeça. 

[Uma semana depois da consulta no centro de saúde e a medicação já me deitou abaixo uma vez e demorou a fazer efeito - mas fez um efeito puro. E, por isso, volto a ela. Não sei o que quer dizer utilizar em caso de SOS, eu só quero simplesmente que a dor passe e não se instale dentro de mim. Não consigo lidar com dores brutais e pânico. As duas coisas, misturadas, deitam-me sempre abaixo.]

Aguento até dia 10, eu aguento até dia 10.
«Além disso.. para que queres alguém que só luta por ti quando tu viras as costas? Essas pessoas não têm interesse. Interesse tem quem luta antes de chegar a esse ponto de rutura.»


Ler para não esquecer.
"Para chegar ao amor precisas primeiro de sofrer, o problema é só esse; para receberes amor precisas primeiro de te perdoar, a pior parte é essa, para dares amor precisas de ser mais do que o perdão, mas implica a vida", gostava tanto de ter tempo para te voltar a ver com tempo e nos sentarmos com tempo em algum sítio em frente a um rio qualquer só para conversarmos sobre a vida. 

domingo, 26 de agosto de 2018

«Parece que o tempo todo
A gente nem percebeu
Que aqui não dava pé não
Que tua amarra no meu peito não se deu»

AnaVitória
Cada dia que passo sem escrever tudo o que me apetece dizer-lhe é mais um dia ganho ou mais um dia perdido? Preciso tanto de voltar. Estar sozinha está a dar cabo de mim. Estou cansada de me pegar sozinha. Não consigo aguentar. E vou aguentando.
Estou há dez dias à espera que te surja alguma coisa para me dizer e há dez dias que compreendo que não valho assim tanto para ti porque não vens. Há dez dias que a minha cabeça se revolta de um lado para o outro entre certezas de que fiz o que deveria por mim própria e dúvidas de que deveria ter-nos dado mais algum tempo. E não compreendo porque é que não vens. Não compreendo porque é que não mereço que lutes por mim. Não compreendo mesmo. Gostava tanto de saber o que te vai na cabeça e de saber porquê, de saber, afinal, o que valho para ti. Dizes que não posso saber que importância tenho em ti mas as tuas atitudes vazias mostram-me perfeitamente que posso.

Quanto tempo é que demoras? Não coloquei esta música para mais nada sem ser para ter a certeza de que não vinhas e não fiz isso sem ser para provar um ponto a mim própria; o esperar que venhas não faz com que ganhes vontade de vir - porque na verdade não tens vontade. Se tivesses tinhas vindo no dia em que sabias que tinha uma consulta e quererias saber o que me tinha acontecido. Se tivesses essa vontade tinhas falado comigo no dia em que fazia mais um mês da morte do meu avô, nem que fosse para que eu soubesse que estavas ali. 

Há dias em que não espero que venhas, só só queria que viesses. E nesses dias apetece-me arrancar-te de mim porque não correspondes, em nada, ao que eu preciso de ti. A verdade é que os erros que cometes deveriam ser colmatados só e só por atitudes tuas. E não são - nunca foram. As tuas atitudes foram iguais, sempre. Mesmo quando eu fiz o último esforço por um nós muito deteriorado. Nunca fui valorizada como deveria. Palavras vazias e poucas atitudes concretas e consistentes mataram lentamente todo o meu progresso. Dei-nos um último mês muito em paz, e tenho tanto orgulho em mim por esse esforço. Só pensei que fosses seguir-me... E, mesmo quando te disse que não conseguia mais, pensei que fosses pegar e dizer-me que agora remavas tu um bocadinho porque eu merecia isso. Porque a nossa relação merecia mais de ti, mais do que estavas a dar. Não tive nada disso e essa é uma dor que transporto comigo todos os dias por muito que não fale nisso. Aprendi que falar não muda nada e não apaga o aperto no peito com que vivo. Porque não valho para ti aquilo que tu vales para mim. Só que não faz mal; valho para mim própria o suficiente para me afastar sempre que me retiras mais um pouco de oxigénio - resta saber se estes dias são apenas para ganhar forças novamente ou se vou levar a minha avante. Se vou realmente deixar-te ir porque tu não sabes cuidar de ninguém. Nem de ti própria.

Eu não consigo compreender o cansaço que dizes sentir, não consigo compreender os ciúmes estúpidos que te atropelaram, não consigo compreender porque é que não dás importância ao que eu digo e não consigo compreender como é que não consegues pedir desculpa pelas más atitudes que tomas. E é disso que tenho que me recordar sempre que as dúvidas me atropelam. Tem que haver uma forma de te arrancar de mim, só tenho que dar tempo ao tempo para me fazer compreender o que realmente quero, de vez.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Faz exatamente uma semana hoje que terminaria o prazo da minha experiência no seu primeiro mês e, faz, também, uma semana que te deixei uma resposta pendurada - principalmente porque não vale a pena. Porque antes disso já havia uma lista infindável de coisas onde erraste e me partiste completamente o coração. Se, nesta semana, há uma parte de mim com montes de dúvidas da decisão que tomou - mesmo que eu ainda não tenha a certeza completa de que a tomei -  há outra que acha que fez o melhor. Que afastar-me de ti é sempre melhor que me fazeres sofrer.

Cada vez tenho mais a certeza de que não nos conseguimos entender e que não somos compatíveis nos feitios, principalmente desde que tomo mais atenção ao que preciso e ao que não me dás. E ser atacada constantemente em vez de compreendida acaba por desaguar numa falta de respeito que me deixa completamente sem chão. Já há muito tempo que me fazes mais mal que bem. Não entendo as tuas atitudes, não entendo as tuas desculpas, não entendo o cansaço que dizes sentir e não entendo porque é que não és capaz de lutar por mim. E isto continua a arrastar-se. 

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

São quatro meses à espera de uma resposta que teima em não chegar e essa resposta ia fazer com que tudo ficasse diferente. Digo diferente porque pode não ser melhor. Pode ser pior. E não sei. São quatro meses a entrar na vivenda à espera de te ver. A percorrer todos os cantos daquela casa à espera de te ouvir. São quatro meses a meter menos um prato na mesa e quase a rebentar de dor. Quatro meses a chorar às vezes quando ninguém vê e outras vezes quando vêem. São quatro meses absolutamente insuportáveis. Estar sem ti é dos maiores suplícios que temos que aprender a viver, tu eras a alegria daquela casa e isso perdeu-se. Por muito que repetisses as mesmas histórias que sempre contavas e por muito que, às vezes, já ninguém tivesse paciência.
O que me custa mais no meio destes quatro meses, para além da tua ausência, é saber que há coisas que não soubeste. Saber que podes não gostar de mim, agora que me vês como sou, estando onde estiveres. Não sei exatamente no que acredito mas sei que o meu peito me dói muito mais desde que foste embora, desde que és cinzas naquele pote que ninguém abre. O que me custa aceitar é que tu desencadeaste uma mudança dentro de mim que se está a ver para fora e que começo a mostrar uma vulnerabilidade e uma fragilidade tão grandes que não sei onde é que vão parar. Desde que morreste que eu perdi a máscara. Queria que estivesses aqui. Queria tanto que estivesses aqui porque não merecias ir. 

domingo, 19 de agosto de 2018

Senti, quando vi fotos tuas em Lisboa no final de junho, que a dor em relação a ti e a tudo o que nos tinha ligado e tínhamos dito uma à outra não tinha passado, embora já conseguisse estar mais tranquila e os meus pensamentos já não me doessem tanto quando tinha um vislumbre da tua existência. Senti isso de uma forma muito forte e senti uma tristeza muito grande - muito maior do que sempre que piso o Porto e sinto que poderia estar ao teu lado, poderia ver-te em algum lugar, poderíamos esbarrar uma contra a outra, ou poderia ligar-te até nos sentarmos a conversar - porque poderia ter passado uma parte desse dia ao teu lado se não tivesse feito tanto mal.

Ao longo do tempo fui assumindo para mim própria a minha parte da culpa no que nos aconteceu. Ao início revoltei-me quando percebi que assumi a culpa sozinha e que, carregando-a, talvez te tenha mostrado que ainda não estava pronta para te ter de volta para termos uma conversa a sério. O que aconteceu ontem durante o dia, sem ambas o termos planeado, foi uma conversa que serviu para fechar um ciclo muito doloroso para mim. Saber que tens noção de que não estiveste nas alturas em que precisava, saber que tens noção de que não disseste as coisas da melhor forma e saber que te preocupaste comigo ao longo do tempo e que nunca me desejaste qualquer mal, foram tudo pequenas coisas riscadas da minha lista de dores intensas sempre que via o teu nome. Tudo o que te disse ontem foi de coração aberto e de uma verdade mesmo pura. Ao longo do último ano fui fazendo uma auto-análise e adequando tudo o que me disseste, que me aparecia em pensamentos sem eu contar nas mais variadas alturas do dia, e percebendo que não poderia aproximar-me das pessoas da forma que me aproximei de ti para não lhes fazer mal como te fiz a ti, e, também, para nunca mais ouvir aquilo que me disseste. Quase que se tornou num dos meus maiores pesadelos, esta obsessão em me manter longe o suficiente para não me causar problemas a mim nem a ninguém à minha volta. Aprendi a lidar sozinha com os meus problemas e a conversar comigo própria, para dentro, em vez de para os outros. Talvez isso me tenha tornado uma pessoa completamente diferente daquela que era mas nunca me escondi que aquilo que se tinha passado entre nós tinha ficado guardado em mim de uma forma muito profunda e traumática. Aprendi contigo que temos que ouvir os outros e aceitar a existência de conversas mais difíceis para que tudo fique claro dos dois lados, antes mesmo de a bomba explodir. Fazer perguntas e vê-las respondidas é muito mais simples do que deixar tudo fechado dentro de nós. Tu ensinaste-me muito e a forma como tudo aconteceu entre nós ensinou-me mais ainda. Sei que tudo o que disseste, tinhas razão em dizê-lo, apesar de me continuar a custar a forma como o disseste. Mas até isso falaste e até isso senti que poderia ser ultrapassado. A conversa que tivemos fez-me um bem incrível e foi aliviando um peso que trazia dentro de mim e percebi que a mágoa que guardava cá dentro podia, finalmente, tornar-se num sentimento bonito de experiência e não ser uma carga pesada para continuar a carregar. 

Quero que compreendas agora, que as minhas atitudes correspondem às palavras e que, apesar de só querer continuar a conversar contigo, te sei dar espaço. E que o que acontecer entre nós ficará apenas e só ao teu critério. Deixei bem claro aquilo que sinto e que gostaria de tentar que voltássemos à vida uma da outra. Está em absoluto nas tuas mãos sem qualquer tipo de compromisso. És muito importante para mim e só quero que estejas feliz.   

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Ontem faltava precisamente uma semana para fazer um mês desta minha experiência e na semana que tinha iniciado já dava sinais de muito cansaço e de uma quebra brutal na confiança que tinha vindo a construir nas tuas atitudes - que, na realidade, não eram em nada diferentes de tantas outras vezes em que dizias que estavas a tentar, os erros continuavam a acumular-se enquanto eu continuava a fazer por confiar em ti e entregar-te bocadinhos da minha vida. O que mais me custou nisto tudo foi ter levado os dias a mostrar-te que estavas a errar - de uma forma tão constante que até me dá vontade de chorar - e me dizeres, a dada altura, que estavas furiosa contigo própria e que não percebias as tuas atitudes. 

Sei que não posso levar-me muito a sério quando já várias vezes te disse antes que não conseguia mais e que desistia, que estava cansada e farta de remar sozinha... Sei que tenho que viver uma hora de cada vez e que há horas em que vai custar-me mais perceber que não vais realmente mexer uma palha a caminhar na minha direção e o quão injusto isso é depois de todo o esforço que fiz por um nós. Mas, ainda assim, penso que esta vez é diferente porque esta era, realmente, a minha última cartada. Custou-me sentir a alteração no meu estado psicológico e não ter conseguido manter-me calma ou afastar-me simplesmente da conversa para não gerar uma discussão. Já estava há quase um mês a portar-me de uma forma substancialmente diferente e já tinha percebido que as discussões só eram geradas por mim porque o mau-estar desta relação era meu. Os erros eram, maioritariamente, desse lado... 


Sinto-me sozinha, muito sozinha mesmo, sinto-me absurdamente desrespeitada, sinto que me humilhaste e que me mandaste abaixo de uma forma que eu não merecia porque nada do que te disse ontem, quando já estava muito menos calma, foi uma novidade. Já te tinha dito várias vezes que o que fazias não era suficiente e que qualquer dia ia mesmo desistir. E nunca ouviste. Acho que o facto de ter tentado falar contigo sobre o meu avô e de não teres ligado a isso de forma nenhuma, humilhando completamente o que te estava a dizer, e focando a conversa num tema acessório, foi mesmo a gota de água nesta relação mais que deteriorada.

[Vou mesmo fazer uma lista de tudo o que precisei e não tive e olhar para isso sempre que achar que cometi um erro. Vou arrancar este íman que parece que tenho que cola sempre a ti, destruas tu a parte de mim que destruíres. O meu amor próprio tem que ser maior que a merda que me fazes.]

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

14 dias passaram desde o início da minha "experiência" e queria deixar aqui marcadas as primeiras impressões destes últimos dias e daquilo que a minha mudança de comportamento tem demonstrado e quero olhar para as partes boas e escrever, depois, as partes más, porque elas continuam a existir.
O balanço - que tenho feito por semanas mas que me abstive de escrever - é, no geral, positivo. Sinto-me melhor no final do dia, já não me sinto tão esgotada e tão sem forças. O que me desgastava eram as discussões, as coisas más que dizia e a raiva e o ressentimento que carregava constantemente comigo. A forma como perdia a paciência a explicar um monte de vezes, um monte de coisas. A forma como sentia que já me devias conhecer e conhecer aquilo de que eu precisava, mas, mesmo assim, continuava o meu rol de explicações - a teu pedido. Isso parou. As minhas respostas passaram a ser que tu sabias bem o que já tínhamos falado e que não iria repetir-me porque não ajudava ninguém. Não sei se desta parte te apercebeste mas penso que até isso diminuiu o teor das nossas discussões. Essas são praticamente inexistentes. Sinto que consegui arranjar forma de dizer as coisas sem ser agressiva, embora ainda ache que me vês dessa forma. Consigo demover-te de que estou a criar uma discussão, acho que é esse o meu maior ganho.  
Sinto que desde que comecei isto que o medo não me abandonou, que tenho uma dor imensa comigo, que me obrigo a dizer todas as coisas que digo - e, às vezes, fico redondamente arrependida -, sempre com receio de não ser ouvida da forma que preciso - e já aconteceram tantas situações em que engoli e deixei passar, continuando simplesmente a conversa e dando o melhor de mim, sempre pensando que um dia ias lá chegar. Ainda há muitas vezes em que me quero afastar e que sinto que não vou aguentar isto durante muito mais tempo porque o esforço acaba por ser todo da minha parte. Sinto que estás praticamente na mesma, sinto que não se alterou nada em ti de forma significativa, uns dias e umas alturas consegues corresponder a tudo o que tenho andado a dizer que preciso, em termos de preocupação, apoio, atitude. E noutros... parece que não queres saber. E eu não entendo mesmo porquê. 

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Se eu já não durmo bem, não vou dormir bem nos próximos cinco dias. Pensava que seria no início do próximo mês mas eles dizem que afinal é no início deste mês e aí podem estar todas as respostas do meu futuro. Sei que não tinha qualquer tipo de expetativas até agora e que estava simplesmente a ir com a corrente mas agora só tenho um medo enorme de que corra tudo mal. Se sentir que eu falhei... Porque é que sinto sempre antes de acontecer que já vou falhar? Tenho tanto medo de falhar. Preciso que corra tudo bem. Preciso tanto. De energias positivas de dentro de mim.
Sei que não ultrapassei a morte do meu avô quando o telefone de casa toca a estas horas e me sobe a comida à garganta, fico seca, completamente paralisada e com vontade de vomitar, e o meu pai se levanta a correr. Acho que disse baixinho "mãe" como se ela me pudesse poupar de mais algum sofrimento que pensei que viesse... Sei que está tudo bem presente quando já passaram vários minutos e continuo a querer chorar e não parar mais. Alguém que me acalme, se faz favor. 
É estranho, quando estou muitos dias longe, sinto essa ausência e uma vontade imensa de nos sentarmos simplesmente e deixarmos a conversa fluir. Sinto mesmo essa necessidade e penso nisso muito mais vezes do que aquilo que admito. Podem já ter passado vários dias desde a última vez que nos sentamos frente a frente mas custou-me muito deixar a nossa conversa assentar. Ouvir tudo o que ouvi, sobre o quanto se via que o meu avô estava orgulhoso de mim e me amava, foi demasiado difícil. Contar-lhe - e muito por alto - tudo o que tem sido a minha vida nos últimos meses e a forma como tento desesperadamente agarrar-me a alguma coisa como se fosse uma porcaria de uma tábua de salvação mas não estou a sentir nada... Transmite-me uma tranquilidade e uma energia incríveis e sempre senti isso mas, desta vez, senti mais. Saber que o primeiro comentário que fez mal me viu foi na direção do assunto da morte do meu avô mostra uma preocupação para comigo que eu já sabia que tinha mas nem sei como não desatei a chorar naquele momento. Perguntar-me para quê? e não porquê?, disse-me para fazer esse exercício... Disse-me que compreendia o traumatizante e o doloroso que os últimos meses tinham sido e que eu poderia utilizar o trabalho para sair de casa, que poderia escudar-me com a frase de que me tinha mandado fazer muita coisa... Mas eu não consigo, assim que nos despedimos, a energia que me transmite quase que se evapora... Depois, no dia a seguir, volta. Mas depois vai embora novamente. Não estou dependente desta presença mas, às vezes, sinto-lhe falta. Quando crescer, quero ser como ela..., disse eu estas férias falando sobre tudo o que faz e é verdade. Quero muito.
A metáfora mais forte que me tem vindo à cabeça nos últimos dias é a da esponja, é quase como se eu fosse uma esponja que absorve toda e qualquer sujidade... Só que eu sugo simplesmente todos os problemas e ambientes tensos e situações estranhas... em vez de tudo o que é bom. Eu apanho todo o mal. E depois fica cá dentro em vez de fluir e ir saindo. E os apertos no peito, na garganta, as constantes dores de cabeça, os afastamentos, a dificuldade em dizer o que sinto ou a certeza de que não vou mesmo dizê-lo, são tudo sintomas desta esponja em que me tornei. Guardar todas estas coisas não está a ajudar-me mas não sei (ainda) viver de outra forma.