"Porque tu és mais importante para mim que uma tristeza que me causes.", disse-te isto hoje e disseste que era bonito mas antes de o ser é muito verdadeiro. É o porquê da minha preocupação constante contigo e é por isso que eu vou abandonar os meus amuos e as minhas mágoas (mesmo que causadas por ti) se tu precisares de alguma coisa minha. E foi por isto que eu interrompi o meu afastamento em relação a ti, há quatro dias, e te disse que estaria presente nas datas que me dissesses que seriam as tuas idas ao hospital. A verdade é que não sabia na altura que iríamos continuar uma conversa, o meu objetivo era e apenas só dar-te a entender que eu estaria para ti porque tu és importante para mim, mesmo acima dos meus sentimentos de mágoa. E, se no primeiro dia, me custou mesmo muito conversar contigo e sentir a tua agressividade em relação a mim e o teu apego a uma razão que dizes que tens sem olhares para o meu lado... A verdade é que tudo o que me apontaste nesse primeiro dia existe e eu nunca, em momento algum, neguei a existência desses problemas. A grande diferença entre nós as duas é que eu, desde o início, te disse exatamente quais seriam os meus pontos fracos nesta relação e a forma como poderia não os resolver no tempo que considerarias o ideal. As coisas na vida não são no tempo em que gostaríamos, são no tempo em que estamos preparados para que aconteçam, ou no tempo em que têm que acontecer porque alguma coisa sai do nosso controlo. E em relação às minhas decisões e à forma como vivo - perante tudo o que já me aconteceu - quero estar no controlo na medida do que possa. Custou-me realmente compreender a tua agressividade em relação a mim mas, também, não te ouvir abordar claramente os teus erros enquanto sublinhavas os meus... Estou na disposição de dar o meu melhor para que tudo se tranquilize entre nós - é certo - mas não farei nada no teu tempo e sim no meu. Como sempre. Se gostares verdadeiramente de mim, vais esperar. Tal como eu continuo aqui à espera que vejas todos os erros que cometeste no passado e que fizeram com que esta relação fosse uma autêntica bola de neve.
Há dois dias perguntaste-me, acredito que a medo, o que éramos uma para a outra. E eu disse-te, o mais sinceramente possível, que nem eu sabia mas que não me parecia que fôssemos o que éramos até aqui. E espero que não voltemos a ser tão cedo porque precisamos de pegar nisto com todo o cuidado do mundo e ir reconstruindo devagarinho. Nós somos duas pessoas que gostam uma da outra e que fizeram e disseram muita porcaria mas que, neste momento, estão, as duas, a tentar não fazer porcaria. Penso que, pela primeira vez, estamos as duas exatamente na mesma página e na mesma linha de raciocínio. A cabeça fria e a racionalidade têm que nos fazer chegar a algum lado. As pequenas regras que vamos impondo, em situações que antes eram motivos de discussão e mau estar, vão contribuir para alguma coisa... E a minha experiência da melhor versão de mim própria mantém-se ativa. Desta vez com um bichinho qualquer que me diz que te vais esforçar por fazer o mesmo, ao mesmo nível que eu, ainda que admitas que podes cometer erros. E é bom que o faças porque é a realidade, eles vão acontecer. Só temos que arranjar uma forma de lidar com eles nessa altura. Sinto-me muito mais tranquila do que estava há muitos meses. E isso é a maior dádiva que eu posso retirar deste período de tempo todo onde os erros se acumularam e o mau estar foi diário.