sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Não escrevi quando nos vimos mas guardo com carinho a memória de que eu sabia que serias tu a desbloquear a dor que a segunda feira passada causou em mim... e foste mesmo. És realmente espetacular. 
Acho que tanto tu como eu temos noção que esta semana foi um autêntico filme surreal. Mas um filme surreal bom. Certo? Certo. 

Estamos melhores que nunca e todos os dias eu me pergunto porque é que estivemos tanto tempo separadas se ter a tua amizade é tão melhor. Nós sabemos que agora é para sempre, um dia a seguir ao outro. E que vamos ultrapassar o que quer que venha, sem irmos embora. 
Esta semana em que tudo deu errado tive a certeza que fiz a escolha mais que certa. Todos os dias em que me estava a passar estava lá. Disse-me concretamente que eu podia chatear as vezes que fossem necessárias ou apenas pedir umas palavras de incentivo. Deu-mas sem eu as pedir. Respondeu-me o mais rápido que conseguiu. E num resumo disto tudo apenas deixo escrito o que lhe disse na última vez que nos vimos "é um alívio ver que pensamos da mesma maneira" e acrescento que trabalhamos da mesma maneira, que está tão entusiasmada como eu e que tem montes de ideias para que a minha tese resulte numa coisa espetacular. Porque eu juro que é o que mais quero. Olho para trás - e quero olhar, quando a terminar - e vejo que estou a dar o meu máximo. Que não podia dar mais e fazer melhor. E a orientação perfeita tenho-a comigo. Que arrependida estaria a esta hora se não tivesse mudado...
She: «tu és o meu arco-íris em dias como o de hoje, de sol e chuva💕💕»
I: «estás a marcar pontos, continua a elogiar-me que vamos ficar bem num instante 😄😄💕💕»
Acho que tens razão quando dizes que precisamos de nos ver o mais rápido possível porque acho que as saudades estão a começar a ser difíceis de suportar e a distância está a trazer problemas, discussões, chatices... Acho que precisamos de nos ver e sei que era a minha vez de ir aí... Só que com tudo o que está a acontecer aqui sinto-me impossibilitada de me mexer para o fazer. Não quero ter que lidar com mais uma coisa, ainda por cima uma tão grande como essa e que me causa tanto mau-estar antes de poder ser alguma coisa boa... É disso que tenho medo quando me lembro que eu deveria de ir aí e que me fazia tão bem voltar ao Porto. O Porto é sinónimo de paz, liberdade e um encontro comigo mesma que necessito todos os dias. E, sobretudo, um encontro contigo.
Sei que mesmo que não tenha aparecido esta semana a oportunidade de nos vermos que fomos falando uma com a outra, nem que fosse apenas para combinar isso. E tenho que me agarrar a isso porque é tão mais do que foi nos últimos anos. Estamos a construir uma ligação mesmo bonita. Sinto que sabes que estou aqui para ti e isso é suficiente. Sinto que me queres conhecer e isso chega-me. És natureza e paz. És liberdade.
Penso que uma das coisas que mais tenho pensado durante as últimas duas semanas, esta e a anterior, é se estou a fazer tudo o que devo fazer para te ajudar. É sentir que não falho contigo. Sentir que todos os dias tu podes sentir que eu estou para ti. Eu não te quero falhar. Quero estar lá sempre que precisares de mim. Basta dizeres que precisas de um abraço que, na medida do que me for possível, eu vou a correr. Sabes isso. 
Vai ser sempre bom estar contigo. E garantir, de todas as vezes que nos virmos durante este mês, que não é a última vez que nos vemos porque ainda não vais voltar para o Porto. E porque ainda vais encontrar uma hora ou outra no meio de tudo para me veres, nem que seja para estudarmos lado a lado.
Prefiro estar mesmo mal a uma segunda para que no resto da semana tudo pareça correr bem... do que estar bem na segunda, lidar super bem com as coisas, garantir que estou bem na terça... e a partir daí ter uns dias de cão. A partir daí tudo cair numa espiral em que não sei lidar com nada e só me sinto a desesperar.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Tu estiveste lá ontem. Estiveste mais do que eu pensei que fosses estar. Tinha entrado em piloto automático e só esperava que falássemos à noite. E no caminho, logo de manhã, tu ligaste-me. De manhã, no teu intervalo, assim que pudeste, voltaste a ligar-me. Podem ser cinco minutos mas mostra que estás lá quando eu mais preciso. Voltaste a ligar-me na hora de almoço. E foi aí que eu desabei. E foi aí que tu não estavas lá como devias. À noite, esclarecemos isso - e eu senti-me meio louca, para além de ter o cérebro queimado ainda ouço coisas - mas essa parte não invalida tudo o que fizeste durante a manhã, o estares sempre que podias. E fizeste bem; eu precisava de sentir isso, a tua presença ajuda a suportar tudo isto. 

Custa-me é o não perceberes como estou, quando me ouves. Custa-me estar a falar contigo a chorar e não perceberes. Sei que já falamos nisto mas custa-me porque hoje voltei a sentir a mesma dor. Custa-me estar completamente em baixo porque há feridas em mim e nem sequer ter um como estás? para me agarrar. É isso que me custa. Quando sinto que merecia só um como estás?, que demora dois segundos a escrever, para suportar o resto. Porque eu nunca falho um como estás?, nunca falho. Mas eu engulo, engulo na altura. Porque não mereces uma discussão quando estás a trabalhar. Não mereces uma discussão quando te vais divertir. E eu quero tanto que o faças. Mereces tanto divertir-te. Mesmo que eu tenha conseguido - finalmente - explodir sobre o dia de ontem e esteja a precisar de ti, mesmo que eu me tenha esquecido completamente que hoje à noite te ias divertir porque já só estava à espera das tuas palavras de apoio por ter explodido... Não tens culpa, não tens mesmo. Não tens culpa que eu tenha apenas explodido hoje, num dia em que não podes oferecer-me logo o teu apoio. Então eu escrevo aqui para não deixar que a bolha aumente de proporção, para que não fique com raiva, desiludida... E mais tarde vamos falar. E eu já sei como é que a conversa vai acabar. E sim, tenho paciência para a tua distração. Não faz mal. Eu aguento. Amo-te, mesmo que sejas a pessoa mais distraída do mundo. És a minha pessoa preferida (mais distraída) do mundo.

[Custa-me ter que atualizar dores; custa-me receber um "espero que estejas bem" quase uma hora depois de veres o que eu disse e depois de várias horas sem me dizeres nada. São estes géneros de coisas que me custam mesmo muito e que me fazem quase vomitar de nervos. Sentir que não mereço nada. É isto que me custa.]
«estás melhor do que estavas», «isso é o que tu achas», «ao menos consegues tolerar a minha presença», pois, mas isso não quer dizer que me sinta humana, de todo, só que nem mereceu uma explicação, não a consegui formular, deixei que o silêncio se instalasse. Só te mostrei que estou cá para ti, partilho as tuas vitórias (mereces isso, estou muito feliz pelo que estás a conquistar), mostrei que estou feliz por ti, que quero saber. Mas não quer dizer que esteja melhor. Não quer. Devias de saber isso.

[À tarde estava diferente, já tinha desaparecido parte do aperto doloroso, e recebi a tua presença de forma diferente. Soube-me bem estarmos sentados ao lado um do outro a dizermos o que quer que nos passasse pela cabeça - ou melhor, eu sei que fiz isso. Soube-me bem conseguir dizer algumas coisas, mesmo que delas não tenhas entendido nada, e sentir a tua presença, só porque querias saber de mim.]
Na semana passada eu vi-te  e tu não me viste. Esta semana vimo-nos. E fomos a falar até tua casa. E é como sempre, os comboios acabam sempre por nos fazer encontrar. Pareces bem, estás bem. Perguntas por mim. Queres saber. E isso é bom, é uma coisa boa. Porque é sinal que queres mesmo saber, de verdade. Pediste para te ir falando, dizendo como estou. Espero é que tenhas noção de que isso não acontecerá.
Ainda não consegui explodir, processar, o que quer que seja. E quando reflito sobre os últimos meses percebo que normalmente é essa a minha forma de lidar com as segundas feiras. Processá-las, ao longo do dia. Falar, escrever, ouvir-me. E agora... Agora estou a guardar, a fechar-me, a deixar para mim. E isso está a deixar-me na corda bamba (quase que a ouço dizer-me que sabe que eu gosto desta sensação mas isso não ia ajudar-me agora) ... Estou a tentar não me passar. Estou a tentar não me isolar. Estou a tentar lidar com tudo isto de forma positiva. O que é estranho porque não sei qual é o lado positivo nisto ou no meu comportamento desde ontem. Só sei que sinto que é a primeira vez que saio tão desorientada e tão "não sei o que sinto", tão "não devia de ter saído".

domingo, 15 de janeiro de 2017

Sei que estou a ficar fria e racional. E provavelmente não é desta (versão) de mim que precisavas agora. Mas não consigo ser de outra maneira quando me está a doer. Estou a sentir que vou ficar sem ti amanhã de manhã e não está a entrar isso - não estava à espera, não me tinha passado pela cabeça que poderia acontecer, nem nos montes de pesadelos que me têm assombrado... Está a doer-me, e muito, mesmo. Não tens culpa, não tens, mas estás a levar com aquele lado de mim que se está a resguardar, a entrar no modo automático em que tem que viver amanhã...
2.45h

«Tenho medo, Joana. Não me consigo acalmar porque tenho medo. Tenho medo de te falhar, na verdade. Eu sou muito... eu entro em stress quando há algum problema. Eu não sei resolver coisas sob pressão. Eu paraliso. E se eu paralisar à ajuda que te tenho que prestar? E se eu não souber o que devo fazer? E se eu entrar em pânico? A impotência, estar aqui deste lado, a quilómetros de distância de ti, deixa-me de coração nas mãos. Mas pensar no futuro assusta-me, é um terror. Se eu te falhar... Eu não te posso falhar. Eu tenho que saber lidar com todos os contornos de quem és, não posso falhar-te. Ainda por cima não com a tua saúde.»

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Há esperança em mim mesmo que, às vezes, tu possas não acreditar. Eu acredito em nós. Acredito que nós vamos ficar bem. Pode demorar mas estamos a caminhar para isso. As duas.
As últimas noites têm sido difíceis, deito-me cansada e acordo cansada. Tenho pesadelos. Tenho sonhos que não compreendo. As dores de cabeça não me largam, não me deixam dormir. Tem sido complicado acalmar. E todas as noites enquanto caminho para o quarto faço-o com a esperança de que essa noite seja melhor que a anterior. 

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Ontem disse-te que precisava de ti, achei que não ia conseguir dizê-lo mas consegui. Disse-te que precisava de ti e do que tu fazes que me ajuda a pensar em tudo o que aconteceu dentro. Mesmo que, às vezes, pareça que não, eu preciso de ti e do que fazes. 

Sabes que não pode ser em modo rápido, em modo vou puxar isto e tu vais falar já porque não temos mais tempo. Sabes que quando isso acontece que eu me fecho. Sabes que isso me afasta mais. Me cala mais. E saber que ontem não tivemos esse tempo. Hoje igualmente. Saber que eu preciso de ti, da tua ajuda e que não há tempo... Deixa-me triste, deixa-me com um nó na garganta. Porque eu preciso de ti. 
Preciso muito de me lembrar, com detalhes, de tudo o que aconteceu ontem e da forma leve como me voltei a ligar. Preciso de me recordar de tudo e ainda não consegui. Não percebo se estou em negação com o facto de ter voltado ou se há tanta preocupação por outros assuntos dentro de mim - e tristeza, ansiedade e dúvidas - que não me permito recordar; precisamente por ter falado neles. E ter voltado de manhã, com uma certa linha de raciocínio e à noite existirem mudanças no que disse... vai permitir-me reflectir sobre elas na próxima semana. Porquê, principalmente, sobre o porquê.

A única coisa que me recordo concretamente de ontem foi de ter percebido uma das minhas primeiras vitórias na "psicoterapia". Eu estava a falar sobre estas duas semanas, o que tinha sentido, o que tinha acontecido de mais stressante. Referi a despreocupação que senti durante a primeira semana. Aquele sentimento do "já estou boa, não preciso mais disto!" e aquela sensação de não querer voltar. E depois referi o final da segunda semana. O que mais doeu, o que magoou o profundo e o que achei que nem ia referir em voz alta. E, sobretudo, expliquei que o que me doeu foi muito mais o que senti do que qualquer coisa que me tivessem dito. E aí percebi que teria que voltar, que não conseguia sozinha ainda... 

E não me vou esquecer do entusiasmo com que recebeu essa notícia. A minha primeira vitória ao longo deste tempo todo em que me enfrento. Em que está lá, a ouvir-me. A falar comigo. A mostrar-me que estou acompanhada na minha luta. E que me conhece, que sabe que quando digo que não quero voltar é mais o medo de estar dependente de si do que não querer, de todo, voltar. Mas voltando ao entusiasmo... Ter dito que era uma coisa tão mas tão boa eu estar a dizer que me tinha ouvido a mim própria e às minhas necessidades. Ter dito que eu ganhei capacidade de me ouvir, eu. De me analisar. Eu. De perceber(-me) por mim. Não ser o que os outros me dizem. 

Seja lá quanto tempo faltar para esta separação eu não me vou esquecer que me ajudou a construir uma versão mais forte de mim mesma. Obrigado, nunca o disse, em voz alta, não sei se o vou dizer, mas digo com o olhar. Isso sei que digo.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Desta vez quero não insistir. Sinto que sou sempre eu que vou atrás de ti. Sinto que insisto até vergares e dizeres alguma coisa, mesmo que pouca, do que sentes. Sinto que sou eu que te puxo e que isso te transtorna porque acabas por não ser tu mas seres alguém que eu acho que deves ser. E, por isso, sinto que desta vez tenho que ser diferente. E que não te posso puxar. Não desta vez. Desta vez quero que seja como tu fazes com toda a gente. Ou como acho que fazes. Porque não sei nem vejo. Só pelo que dizes. E quero perceber se comigo será diferente. Se acabarás por falar. Porque é comigo e porque eu mereço - à falta de melhor palavra - isso. 

Disse tudo o que tinha para dizer. Disse tudo o que me estava a passar pela cabeça que poderia acontecer mais tarde. Tentei fazê-lo em modo alerta e acabei por atirar-to para cima porque não reagiste da forma que esperava. Não sei se consegui colocar-te a pensar no que disse, sinto que apenas fui mal interpretada. Estou preocupada. Tenho medo que acabes por sofrer mais do que já vi. E eu já vi a tua dor. Só tenho medo que voltes a sofrer. Mesmo muito medo. Quando passaste mal aqueles dois dias senti que não te consegui agarrar. E tenho medo que voltes lá porque tenho medo de voltar a sentir a mesma coisa. E eu quero só dar-te o melhor da minha amizade. Não quero sentir que sou menos para ti do que és para mim.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

A única pessoa que eu precisava hoje eras tu. E (és) a única que também não sabe o que me dizer. E eu não merecia isso, eu merecia que tu soubesses e fizesses mais. Dissesses mais. Eu sei lá. Só não merecia isto. Fazeres-me sentir que não fazes parte da minha vida. E deixares-me sozinha depois sem um incentivo, uma força, qualquer coisa. Como se fosse apenas um dia normal, que não foi. Estou magoada, estou mesmo magoada. 
O dia de hoje foi um dos piores dias de sempre, não sei qual foi a última vez que me senti tão em baixo. E não sei quando é que vou voltar a «subir» e vou transmitir o meu humor negativo a toda a gente. Foi por isso que quis ficar sozinha. E é por isso que vou responder em monossílabos ou simplesmente dizer que está tudo bem. Ou fazer com que acreditem nisso. Não quero nem vou falar. 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

[O medo de segunda feira começa a instalar-se.] Eu senti-me tão bem durante estas semanas. Senti que não precisava de ajuda. Senti que era normal. Senti que não tinha a cabeça num nó. E agora, à medida que os dias avançam e que o regresso se torna inevitável - porque o será - o medo começa a instalar-se e não sei até quando é que vou conseguir lidar com isto. Não há palavras quando se trata de mim. Acaba(m) por não haver. [O medo de segunda feira é cada vez mais forte. Eu não quero voltar a enfrentar-me.]
Acho que tem sido bom que ninguém tenha perguntado diretamente um "como estás?" porque, provavelmente, não teria uma resposta minha honesta, não completamente. Não têm dito, melhor dizendo. Eu não ando com vontade de explicar como estou, nem tenho que o fazer. A ninguém. Por muitos amigos que eu tenha e por muita preocupação que tenham para comigo.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Começar o ano com mau humor por dormir pouco e a ouvir coisas escusadas não era, decididamente, o que mais me apetecia. Foi o que tive. E é tempo de fazer melhor que isso. Acabar o trabalho, focar na tese. Reunir energias e sentir que sou capaz.