sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Sinto-me cada vez mais aterrorizada com o que aí vem e à medida que os dias correm mais medo tenho e mais me arde a garganta - as palavras teimam em não querer sair e os pensamentos confundem-se sempre. Já várias vezes tentei, incluindo no meu espaço seguro, dar-lhes uma voz e continuo sem conseguir. Porque é torná-los reais e verdadeiros. Porque é ouvir-me e sentir-me desvanecer. Porque me vai doer muito mais depois de dito em voz alta. E tenho feito aquele exercício de que tantas vezes me fala, sobre conversarmos dentro da minha cabeça, embora a única coisa que eu veja é sempre o sorriso... E quero acreditar que isso me vai dar a coragem necessária para me preparar... Porque só tenho mais uma semana para isso. Porque o tempo não para. Só corre. Ainda não ouvi falar de natal nesta casa e sempre que tu me falas em natal só me apetece gritar e não parar mais - tipo o tempo. Quando ainda hoje me questionaram sobre o que sentia, se me sentia igual em relação a ti... E eu disse que sim. Porque não mudou nada, nem um milímetro, continua a doer tanto e a arder tanto. Não fiz questão que a conversa continuasse porque não quero sentir que estou sempre a dizer as mesmas coisas e porque tenho tentado - ao máximo - proteger-me mais de tudo: mas vejo mais, ouço mais, apreendo mais - do que nunca. E há equilíbrios difíceis de fazer. Há dores tão profundas em nós que nem as palavras escritas lhes dão menos força para nos deitarem abaixo... Só mesmo as ditas a viva voz e sei que caminhei mais um bocadinho nesta estrada quando fui capaz de dizer e chorar sobre o medo que tenho da desilusão que possas sentir. Não me sei referir a ti no passado, muitas vezes. Custa-me acreditar que não estás aqui, custa-me e vai custar-me tanto mais. Não há uma forma de me preparar para o que aí vem?