quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Precisava de ser capaz de dizer em voz alta que me sentia a falhar no meio de tudo o que tenho andado a fazer, precisava de dizer que sinto que a coisa mais importante e à qual deveria estar a dar mais tempo e atenção, tem estado em segundo, terceiro ou quinto plano - ou mesmo em nenhum plano. Precisava de me ouvir a dizê-lo e sabia que só o poderia dizer ali, daquela forma, naquele contexto, na segurança estranha deste processo terapêutico que quanto mais anda, mais tem para andar. Ter-me questionado de todas as formas possíveis e imaginárias... Não me sai da cabeça a questão Quer adiar o doutoramento? e não me sai da cabeça a forma como me fez ver - embora me diga sempre que quero só ouvir mas que já sei, não é bem verdade... - que não tenho tido tempo útil, só se não dormisse é que chegava a mais algum lado. A forma como me disse ah, eu queria era escrever a dormir podem parecer pequenas frases soltas que não fazem sentido nenhum cá fora mas que fizeram e fazem sempre dentro de mim porque mostra que me conhece e não tem medo nenhum de me fazer questionar a minha própria realidade - e, ao mesmo tempo, diz-me que sabe que vai doer e que dói mesmo. Disse-me que sabia que não era a pessoa indicada para me ajudar, que só me poderia ajudar a pensar e incentivou-me a estar com a minha orientadora, ela sim, a pessoa certa para me ajudar a navegar esta onda - ela, que antes de saber o que se estava a passar comigo, já estava a marcar uma reunião para esta semana, ela, a que me acalma sempre só de a ver. E hoje, reunirmos hoje, um ano depois, foi muito bonito. E apesar de eu estar mais calada do que o habitual porque me é tão difícil explicar tudo o que sinto em relação a este assunto, porque nunca é só este... Falamos sobre ser um novelo de lã que desenrola e tem sempre novos metros e é verdade... Este assunto nunca é só isto. É sempre mais. O que é que estou a fazer à minha vida? Porque é que decidi fazer isto já? Estou a fazer a coisa certa? Sou capaz? Sou madura o suficiente para estar a fazer tudo isto? Deveria de ter aceite o estágio? Deveria estar a trabalhar ao mesmo tempo que estou a fazer o doutoramento? Mas se não trabalhar não tenho forma de seguir no doutoramento... E é sempre mais. Obrigada por me ajudar a questionar escolhas tão difíceis em voz alta. Obrigada por me mostrar que não faz mal haver a esquerda e a direita e que tenho que fazer uma escolha, sem medo. E que a escolha pode mesmo só ser acalmar e priorizar por datas ou pode ir mais profundamente e ter menos aulas, fazer o doutoramento em mais tempo, ou não o fazer de todo. Mas... Se não estiver a fazer o doutoramento estou a fazer o quê à minha vida? Estou a adiar. E sorriu. Como sorri sempre, antes de me responder. Eu não quero adiar isto, só queria mesmo ser um bocadinho super mulher, realmente... Como me conhece bem, dado que mal tinha aberto a boca e já me estava a mandar com um «Se quer que eu a ajude a ser a super mulher, não consigo porque também não sou!», sempre que me lembro disto, sorrio com a resposta rápida e pronta que me enviou mal comecei a tentar só desbobinar tudo isto...  É sempre tão bonito parar e admirar a forma como nos ligamos e a confiança que tenho em tudo isto que estamos a fazer juntas. 
E quanto ao doutoramento e afins, só sei que tenho que parar de querer controlar tudo e tenho que perceber que não tenho tempo e que tenho que organizar as minhas prioridades. Penso que a reunião de hoje possa ter ajudado nesse sentido mas não me sinto mais tranquila, só tenho vontade de chorar. Abrir os trabalhos que tenho para fazer não me faz sentir que estou a avançar em fazê-los, sinto-me francamente bloqueada e não sei como me ajudar a mim própria a sair desta. Os trabalhos, o projeto da FCT, o artigo, o currículo, o projeto de tese. As prioridades. E a minha cabeça a explodir.