domingo, 19 de agosto de 2018

Senti, quando vi fotos tuas em Lisboa no final de junho, que a dor em relação a ti e a tudo o que nos tinha ligado e tínhamos dito uma à outra não tinha passado, embora já conseguisse estar mais tranquila e os meus pensamentos já não me doessem tanto quando tinha um vislumbre da tua existência. Senti isso de uma forma muito forte e senti uma tristeza muito grande - muito maior do que sempre que piso o Porto e sinto que poderia estar ao teu lado, poderia ver-te em algum lugar, poderíamos esbarrar uma contra a outra, ou poderia ligar-te até nos sentarmos a conversar - porque poderia ter passado uma parte desse dia ao teu lado se não tivesse feito tanto mal.

Ao longo do tempo fui assumindo para mim própria a minha parte da culpa no que nos aconteceu. Ao início revoltei-me quando percebi que assumi a culpa sozinha e que, carregando-a, talvez te tenha mostrado que ainda não estava pronta para te ter de volta para termos uma conversa a sério. O que aconteceu ontem durante o dia, sem ambas o termos planeado, foi uma conversa que serviu para fechar um ciclo muito doloroso para mim. Saber que tens noção de que não estiveste nas alturas em que precisava, saber que tens noção de que não disseste as coisas da melhor forma e saber que te preocupaste comigo ao longo do tempo e que nunca me desejaste qualquer mal, foram tudo pequenas coisas riscadas da minha lista de dores intensas sempre que via o teu nome. Tudo o que te disse ontem foi de coração aberto e de uma verdade mesmo pura. Ao longo do último ano fui fazendo uma auto-análise e adequando tudo o que me disseste, que me aparecia em pensamentos sem eu contar nas mais variadas alturas do dia, e percebendo que não poderia aproximar-me das pessoas da forma que me aproximei de ti para não lhes fazer mal como te fiz a ti, e, também, para nunca mais ouvir aquilo que me disseste. Quase que se tornou num dos meus maiores pesadelos, esta obsessão em me manter longe o suficiente para não me causar problemas a mim nem a ninguém à minha volta. Aprendi a lidar sozinha com os meus problemas e a conversar comigo própria, para dentro, em vez de para os outros. Talvez isso me tenha tornado uma pessoa completamente diferente daquela que era mas nunca me escondi que aquilo que se tinha passado entre nós tinha ficado guardado em mim de uma forma muito profunda e traumática. Aprendi contigo que temos que ouvir os outros e aceitar a existência de conversas mais difíceis para que tudo fique claro dos dois lados, antes mesmo de a bomba explodir. Fazer perguntas e vê-las respondidas é muito mais simples do que deixar tudo fechado dentro de nós. Tu ensinaste-me muito e a forma como tudo aconteceu entre nós ensinou-me mais ainda. Sei que tudo o que disseste, tinhas razão em dizê-lo, apesar de me continuar a custar a forma como o disseste. Mas até isso falaste e até isso senti que poderia ser ultrapassado. A conversa que tivemos fez-me um bem incrível e foi aliviando um peso que trazia dentro de mim e percebi que a mágoa que guardava cá dentro podia, finalmente, tornar-se num sentimento bonito de experiência e não ser uma carga pesada para continuar a carregar. 

Quero que compreendas agora, que as minhas atitudes correspondem às palavras e que, apesar de só querer continuar a conversar contigo, te sei dar espaço. E que o que acontecer entre nós ficará apenas e só ao teu critério. Deixei bem claro aquilo que sinto e que gostaria de tentar que voltássemos à vida uma da outra. Está em absoluto nas tuas mãos sem qualquer tipo de compromisso. És muito importante para mim e só quero que estejas feliz.