São quatro meses à espera de uma resposta que teima em não chegar e essa resposta ia fazer com que tudo ficasse diferente. Digo diferente porque pode não ser melhor. Pode ser pior. E não sei. São quatro meses a entrar na vivenda à espera de te ver. A percorrer todos os cantos daquela casa à espera de te ouvir. São quatro meses a meter menos um prato na mesa e quase a rebentar de dor. Quatro meses a chorar às vezes quando ninguém vê e outras vezes quando vêem. São quatro meses absolutamente insuportáveis. Estar sem ti é dos maiores suplícios que temos que aprender a viver, tu eras a alegria daquela casa e isso perdeu-se. Por muito que repetisses as mesmas histórias que sempre contavas e por muito que, às vezes, já ninguém tivesse paciência.
O que me custa mais no meio destes quatro meses, para além da tua ausência, é saber que há coisas que não soubeste. Saber que podes não gostar de mim, agora que me vês como sou, estando onde estiveres. Não sei exatamente no que acredito mas sei que o meu peito me dói muito mais desde que foste embora, desde que és cinzas naquele pote que ninguém abre. O que me custa aceitar é que tu desencadeaste uma mudança dentro de mim que se está a ver para fora e que começo a mostrar uma vulnerabilidade e uma fragilidade tão grandes que não sei onde é que vão parar. Desde que morreste que eu perdi a máscara. Queria que estivesses aqui. Queria tanto que estivesses aqui porque não merecias ir.