Está a recusar medicação que nos faria ficar mais descansados, a partir de domingo, quando ficar aqui sozinha quando hoje, desde que chegamos, afirmou várias vezes que se sente frágil, fraca, triste, desmotivada. Que não tem ação ou vontade para nada, que não quer viver. Este género de discurso faz ativar toda e qualquer bandeira mental em todos nós e o medo é real, porque a verdade é que vai ficar aqui sozinha, porque a nossa vida não é aqui, é lá e porque não quer ir para lá, que fica melhor aqui. E o meu medo está a tornar-se absoluto e sério, o relógio não pára, o meu peito aperta-se numa dor profunda que não tinha há uns dias - desde segunda, talvez. E a prova em como o pai está absurdamente preocupado em deixá-la aqui sozinha apareceu em forma de história; que contou aqui no quarto a meio da tarde - sem sequer se aperceber verdadeiramente da dimensão do que disse - ele insistiu com ela até ela dizer que lhe ligaria várias vezes ao dia, incluindo se saísse de casa por algum motivo, mesmo que ele estivesse a trabalhar.
Adormeci a chorar, avô. E tive uma noite mesmo má. Mas tu fazes tanta falta aqui, neste mundo, que custa muito não chorar... Há tantos momentos do dia em que o meu pensamento é apenas teu, em tantas alturas... e dói tanto tudo isto. Eu choro tantas vezes porque tudo arde em mim. Ela está a portar-se tão mal, avô, o pai está tão cansado de tudo isto. Neste momento ele quase precisa de férias da baixa que teve, ele está absolutamente esgotado de dividir dias e dias sozinho com ela como companhia...