quarta-feira, 30 de maio de 2018

Desde sábado que quero escrever mas fujo. Não quero saber reagir a tudo isto porque sei que nada está concreto na minha cabeça, não quero assentar os pensamentos, não quero guardar as memórias por se encontrarem, ainda, tão confusas. Não consigo perceber - não consigo, mesmo quando repetes que achavas que as saudades que eu teria de ti fosse mais importantes que o resto - como é que achavas que alguma coisa seria diferente daquilo que aconteceu. Morri de vergonha quando vi toda a gente parada a olhar para nós, porque isso aconteceu mesmo, mesmo que não tenhas percebido nada porque só querias que eu parasse para olhar para ti. E eu só queria fugir dali. Vi-te ainda antes de me agarrares no braço e acho que durante cinco segundos não quis acreditar - até me tocares mesmo. A exclamação "o que estás aqui a fazer?" foi a única coisa que me saiu no momento e não podia, mesmo, ter sido de outra maneira. O que esperavas que fosse acontecer? A sério que não consigo entender. Eu não estou há meses a dizer as mesmas coisas só porque gosto de discutir, só porque gosto de arranjar problemas, só porque gosto de dizer que não estou bem. Eu sinto mesmo aquilo que te digo, todo o cansaço, toda a dor, todos os teus erros que já não consigo chutar para o lado. Eu estou mesmo magoada, desiludida e cansada de tudo o que tem sido a nossa relação. Eu não podia abraçar-te quando te vi porque só queria fugir dali e do olhar de toda a gente. Andei o mais depressa que pude. Disseste que te rejeitei e isso doeu-me mas, ao mesmo tempo, a minha exclamação mantém-se, o que é que esperavas? Quando eu estou mesmo completamente cansada de tudo o que nos tem acontecido e que, maioritariamente, é culpa das tuas atitudes? Eu compreendo que te tenhas sentido completamente na merda mas na merda ando eu há meses e se foi preciso veres-me pessoalmente e veres o quão calada e quieta consigo ser... para perceberes que não ando a brincar, ainda bem que me viste no sábado para quando chegasse domingo soubesses com o que contar. A única coisa que me lembro de sábado é da sensação constante de pânico que senti enquanto estavas ao meu lado, porque me abalaste completamente a confiança quando apareceste à minha frente. Mas, por outro lado, eu sei que o que fizeste foi uma atitude das que te tenho pedido que mostres. Tenho que me habituar às surpresas que te passam pela cabeça mesmo que o meu ser odeie completamente surpresas... 
Domingo não acrescentou nada ao que já nos tem acontecido. A conversa que tivemos foi mais uma. Eu não consigo acreditar que as coisas mudem assim, só por me teres visto e só porque percebeste que eu estou mesmo a falar a sério. Custou-me ver-te chorar mas, ao mesmo tempo, as tuas lágrimas não resolvem nada porque continuas a cometer os mesmos erros. Já ouvi tantas lágrimas e os erros continuam a amontoar-se... Sinto-me fria às tuas emoções mas não é por maldade. É por proteção. Eu preciso de esperar pelos teus comportamentos para perceber se posso confiar de novo em ti. Daí ter recusado, sempre, qualquer beijo teu.

E, no meio de tudo isto, não deixei de sentir uma segurança bonita enquanto conduzias e enquanto falavas baixinho comigo ou trauteavas as músicas que passavam no rádio. Não deixei de te querer abraçar forte e custou-me despedir-me. Quando voltaste atrás, à plataforma, depois de eu ter saído do autocarro, soube que também te custou e só aí (nos) permiti um beijo. E não sei, ainda, se foi a melhor coisa que eu fiz. Sinto-me mesmo muito confusa com tudo o que aconteceu e sei que ergui um muro tão alto... que não sei se vais querer escalar. Mas a razão de tudo isto são as tuas atitudes... Eu só me tenho afastado...