quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Na terça à tarde, antes de fecharmos a sala, disse-me que quando eu ficasse absolutamente frustrada por causa da nota da tese, não queria, de maneira nenhuma, dizer-me o célebre "eu bem avisei" para acalmar as minhas expectativas. E eu disse-lhe, muito claramente, que ia depositar toda e qualquer frustração em cima dela porque tinha que ser assim, era a única pessoa que me compreendia e que compreendia tudo o que aquela tese tinha passado. 

Quero marcar aqui, para que possa ler mais tarde, que me disse que foi maravilhoso trabalhar comigo, que eu era a pessoa mais dedicada, persistente e perseverante. Que nunca tinha virado as costas a um desafio e que nunca tinha recuado quando tudo era tão difícil e quando parecia que não haviam caminhos. Disse que esperava que daqui a cinco anos estivéssemos ali outra vez, na defesa da minha tese de doutoramento - vamos estar, pode é não ser daqui a cinco anos. Quero marcar aqui, para me lembrar sempre, de todas as vezes que me acenou para relaxar, os sorrisos que me lançava enquanto eu estava a falar ou o piscar de olhos quando eu terminei. [Aí senti que talvez pudesse ter um 17!]

E depois saímos todos cá para fora à espera da deliberação da nota. E aí eu nem conseguia estar parada no mesmo sítio. Estava tão ansiosa que não consegui estar dois minutos no mesmo sítio, cirandava da casa de banho para a entrada da sala, para o pátio e para o café. Não conseguia estar parada. 

Quando entrei lá dentro e ouvi que a nota era um 18... Eu ainda não processei completamente. Sabia que o merecia mas nunca acreditei que fosse realmente recebê-lo. Já me calava se me dessem 17, a sério que sim. Acho que esbocei um «têm a certeza?» quase inaudível porque nem queria acreditar, porque fui completamente surpreendida. Graças ao belíssimo trabalho que fizeram comigo, não me canso de pensar que se não fossem as mais variadas conversas que tivemos... 

E depois, eu queria abraços de toda a gente. Abracei toda a gente com a alegria imensa de "está feito e não acredito que acabou" mas foi realmente importante que a primeira pessoa a vir ter comigo tivesse sido a Ana. Saber que ela se emocionou por saber de vários momentos de frustração, por saber que eu merecia isto, deixa-me realmente com a certeza de que viemos para permanecer na vida uma da outra. Sei que vamos fazer por isso. Abraços sentidos, Rita, Bárbara, Daniela, Cláudia. E eu só queria abraçar uma pessoa. E ela não se mostrava... Escondia a cara. Até que a vi e estava a limpar os olhos. Senti-me mesmo surpreendida, tenho a imagem guardada no meu cérebro e já a revisitei vezes sem conta... Quando - e depois de abraçar toda a minha família, o meu pai de lágrimas nos olhos é uma das imagens mais bonitas, o sorriso radiante da minha mãe e a insistência da minha tia para uma fotografia do momento - finalmente cheguei ao pé de si, soprou-me ao ouvido "ainda quer que eu ouça todas as suas frustrações?" enquanto eu dizia, em tom que apenas ouvisse, "obrigada por tudo!", seguido de um "quero sim!". Porque quero. Quero que não desapareça da minha vida como se não me tivesse marcado em absoluto. Quero que seja mais do que uma professora da faculdade. Somos demasiado iguais e temos demasiado para conversar para nos perdermos de vista.