quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Quanta pedra é que foi preciso partir para chegarmos até aqui?

Desde a sessão da semana passada que o medo não me abandona, posso não ter falado mais no assunto, posso estar a reagir como se não se tivesse passado nada, mas continuo a preferir não estar acompanhada, continuo a deitar-me e sentir os espasmos no meu corpo, as lágrimas a correr na minha face, a dor gritante que me envolve. Continuo a sentir-me presa, no medo daquele momento, da conversa não terminada, o assunto inacabado, o segredo, a pedra no sapato. Está lá sempre. Está, sempre, em tudo. E dói sempre, cada vez mais. Viver nesta teia de aranha custa cada vez mais e eu continuo a perpetuar tudo isto por medo de simplesmente sair. Questiono-me, muitas vezes, sobre como o fazer. Questiono-a, muitas vezes, sobre que caminho seguir. Porque já percebi que quero conseguir sair disto, que viver nestas amarras me está a destruir. Gostava de conseguir sair de todos os segredos que me envolvem, de ser capaz de os destapar e mostrar a verdade - e lembro-me da dor, sempre da dor que está presa no meu peito e de ter dito que a verdade é que faz crescer, que estou a perpetuar uma mentira e que, apesar de não querer ter este poder e não me sentir bem com ele, continuo a agir como se estivesse tudo bem e que isso não lhe faz bem. Disse-me que eu estava a destruir... Abanou-me com tanta força que eu ainda estou desequilibrada - e magoada. Acho que também me magoou muito. Não esperava ter ouvido o que ouvi esta semana. Esta dor não me vai largar mas, como disse, vemo-nos para a semana. E eu sou mais forte do que julgo. E eu tenho que arranjar coragem - e palavras, porque me disse que tinha que ser com as minhas palavras - para ter uma conversa que não quero ter. Porque não posso só ouvir que não é bom, tenho que dizer que não podemos viver mais assim - tenho que acabar com os "não faz mal" que digo sempre que acontece. Porque faz mal. E abanou-me tanto que me sinto absolutamente partida. É precisa muita coragem para continuar a fazer isto - mas tenho noção que se não o fizesse, não era capaz de lidar com metade. Porque continuar a meter para debaixo do tapete e a ignorar o que, no fundo, está à vista de todos, não pode continuar a ser a dinâmica. E eu tenho que vestir o papel que não deveria ter e ser a adulta nisto, e é isso que esmaga tanto. Sinto-me esmagada.