Disse-me que eu não podia ter medo de pedir ajuda - e eu não tenho, ali - e eu lembrei-me muito disso quando, ontem, ouvi a minha voz a dizer claramente, que precisava de ajuda. Foi um grande passo para mim. Disse que eu tinha que lutar, que arregaçar as mangas, que dizer que precisava, ir atrás, não desistir... Deu-me a força que eu não estava a sentir porque eu só sentia que não chegava para mais. Disse-me que eu tinha que ser clara, que tinha que dizer que não sabia o que faria sem a bolsa, se não teria que desistir de tudo... Porque era (é) o que eu sentia. E, por isso, tinha que o dizer - ela, mais que ninguém, tinha que saber. Disse que eu tinha que batalhar pelo meu artigo, que tinha que questionar, ser chata e não largar a vontade que tenho de ir mais longe e fazer mais. Por ser injusto, por ser difícil... E eu tentei, eu disse e eu fiz tudo até ter paralisado, como me acontece tantas vezes, e ter as palavras a gritar na minha mente mas sem serem reais, dentro de mim eram gritos, fora era o silêncio. Pedir-me desculpa e assumir a culpa era o mínimo. O facto de ter passado ao próximo objetivo da lista e eu ter permanecido calada... deixa-me arrasada - a minha atitude deixa-me arrasada. Nem sequer conseguir questionar se não vamos nem tentar enviá-lo... Apesar de sentir que toda a reunião me deixou mais tranquila e que tenho um caminho traçado para percorrer até à entrega do projecto ao centro de investigação, depois à Fundação e depois, mais tarde, à faculdade... E que, tudo isto, vai sendo melhorado ao longo do tempo, não deixei de me sentir uma miúda pequena e sair de lá e fechar-me na casa de banho. Fiquei de pé, encostada à porta fria, até conseguir aceitar que houve uma parte importante e sobre a qual batalhei tanto desde o final da minha tese de mestrado que - sem culpa minha e que poderia ter atingido - não vai ver a luz do dia, por agora. Por isso, tenho que me focar nas partes deste projecto que posso atingir e nas quais tenho controlo absoluto... Sei que ter um projecto melhor, este ano, do que aquele que tive o ano passado, era um dos objectivos desde que o entreguei e que, durante muito tempo, não me sentia a atingir. Não quero ter um projecto mediano qualquer, quero que seja uma coisa mais estruturada, pensada e consistente. Quero que existam críticas diferentes - porque tenho noção que vão existir -, quero que eu possa sentir - quando o entregar no final de março à fundação - que fiz melhor, que dei o que tinha e não tinha e que fui capaz. E termos falado no facto de a resposta poder vir a ser negativa e ter-me dito que existia um caminho se eu quisesse prosseguir no doutoramento mesmo nesse sentido, ajudou a acalmar as minhas dúvidas cada vez maiores no "e se...?". Vou focar-me no que tenho nas mãos, vou fazer um bom trabalho, vou ser capaz. Só não posso focar o meu pensamento naquele pedaço ao qual dei voz - só ali, sempre ali - de sentir que estava a ser boicotada, porque a culpa disto não estar feito não é minha... Dói muito. Dói muito trabalhar e não colher os frutos desse trabalho. É duro reagir desta forma, paralisada e depois a passar por cima, como se não valesse a pensa sentir-me zangada - e, no fundo, não vale, porque não é isso que me trará uma publicação no currículo...