terça-feira, 29 de janeiro de 2019

O único desabafo concreto que consegui fazer ontem foi "sinto que a semana vai ser dura" e isso está a assustar-me, porque normalmente consigo mais que isso - mesmo que seja só comigo própria, nem que seja apenas e só pensar, pelo menos. E agora tenho o cérebro completamente vazio, como se estivesse sem nada lá dentro. Tenho uma sensação constante dentro de mim de que procuro sem encontrar, que devo desistir porque só me vai cansar ainda mais. Custou-me tanto ter dito o que disse porque foi com tanto medo que o verbalizei. Porque eu sei - bem dentro de mim - o quão importante foi a sessão de ontem e o quanto eu precisava de organizar a minha mente em condições, para mim, sozinha, comigo. E, talvez, aquela frase tenha tido o condão de me deixar ainda mais angustiada pela verdade que carrega. Desta vez não sinto que fiquei lá dentro, sinto sim, que não deveria ter saído sem compreender nem arrumar as gavetas porque esta sensação de vazio está a destruir-me completamente. Acordei com uma incapacidade de sentir ar a circular em mim, com uma sensação estranha de que perdia o compasso da respiração, custou-me caminhar. O aperto no peito era brutal e a vontade de me desfazer em lágrimas sem parar, avassaladora. A dor que tenho na cabeça faz-me perceber que não me sinto mesmo - nada - bem. E eu sei que fiz um esforço para me recordar de tudo porque sei que vivi uma das sessões mais profundas de que tenho memória - como se estivesse chegado ao cimo de uma montanha que me fizesse analisar e compreender tudo com uma visão de conjunto que sinto ser tão necessária. Só que não consigo. Não consigo analisar. Não consigo escrever. Não consigo, sequer, recordar. Tenho pequenos rasgos e uma dor dentro de mim que nem consigo descrever. Não sei libertar-me desta sensação constante de vazio de pensamentos e eu precisava - tanto, mas tanto - de refletir. Eu sei que me diz sempre que quanto mais tento, pior é, e, por isso, eu estou a tentar não me passar completamente... Só me sinto tão angustiada e desesperada porque não consigo ligar nenhum destes rasgos... E depois lembro-me da forma como me disse que tudo o que eu fazia a mim própria que eram maus tratos psíquicos constantes e ainda me sinto mais embrulhada no meio deste novelo de que sou feita. Não queria nada estar sozinha nesta semana de loucura de um cérebro que está a tentar processar informação sem chegar a lado nenhum.
Estou tão cansada.  E eu sei que hoje é só terça feira. Desta vez, faz-me mesmo uma falta danada.