segunda-feira, 24 de dezembro de 2018


O ano passado estava a chover no dia de natal quando saímos para ir à igreja ver o presépio. E eu, mais um chapéu de chuva, de braço dado contigo, descemos a rua. Num passo lento, porque já te custava a andar... E lembro-me de me teres dito que não estarias cá para o ano...
A memória inundou-me ontem e desde aí que está em loop na minha mente. Sacana, tinhas razão... E dói tanto.

Nem quero acreditar que as próximas horas vão acontecer. Nem quero acreditar que o dia de amanhã vai acontecer.
E a tristeza da minha mãe ontem, quando chegou a casa, e nos disse, "tenho a informar-vos que as vossas prendas são da primark". Eu não me importo nem um pouco mas ardeu-me muito a tristeza da voz dela. Eu sei que fazem sempre um esforço por no natal e no aniversário darem prendas um bocadinho melhores e sempre úteis para as duas e eu tenho a certeza que o que foi escolhido, mesmo que não seja o que tu estavas à espera, mãe, vai ser sempre útil. Não me importo mesmo do sítio de onde vem a prenda. Eu sei que disse várias vezes que gostava que me dessem livros para a minha tese de doutoramento mas não me importo que não seja. Juro. Eu só queria ter a certeza que vai tudo correr bem... Que vamos estar todos bem apesar da forte ausência que se vai sentir à mesa. Eu só quero ter força para enfrentar as próximas horas.