sábado, 17 de novembro de 2018

Nunca sequer imaginei que este final de ano pudesse ser como está a ser - enfrentar um trabalho que não sei sequer se gosto dele, com mais aulas de doutoramento que as que acho necessárias, com um novo desafio de trabalhar durante dois meses, com pouco tempo para estar dentro de casa na minha zona de conforto... Incluir isso tudo nos entretantos em que tento terminar trabalhos, em que assisto a conferências, em que volto às consultas... Não pensei que conseguisse tudo isto. E gostaria de incluir os treinos no ginásio, a ajuda em casa, dormir um pouco melhor... Não cheguei ainda a uma rotina que consiga considerar confortável mas quero caminhar para isso. Afinal de contas ter arranjado um emprego ao mesmo tempo que faço o doutoramento era um objetivo e deveria servir para me organizar melhor - sempre o quis. Sentir que estou a fazer mais por mim, que sou capaz disso. 

Em relação ao trabalho de dois meses, quero deixar aqui para ler daqui a uns tempos que agora sinto que será uma imensa experiência benéfica para mim. Sei que me sinto extremamente honrada por terem pensado em mim para desempenhar estas tarefas - que vão ser bem pagas, mas que, mais que isso, me vão permitir construir um currículo bem melhor do que aquele que estaria prestes a construir. O objetivo de trabalhar para o projeto da FCT para o ano encontra-se ainda na minha mente - se bem que o papão da defesa do projeto de tese no final do próximo ano... Está tudo tão longe e ao mesmo tempo tão perto. Eu só espero conseguir ser capaz de fazer tudo sem erros. Ser a melhor profissional que consigo ser. Responsável. Atenta. Disse-me que era mérito meu, que estou a colher os frutos daquilo que temos vindo a construir, que me estou a tornar mais sólida profissionalmente e a traçar o meu caminho e é bom ouvir todas essas coisas e guardá-las no meu peito - porque também guardo as menos boas, as confusas, as dolorosas. 

E tenho muitas saudades de me sentar numa sala em que estejamos apenas as duas e sentir que temos tempo para conversarmos, sobre tudo e sobre nada. Tenho saudades de quando diz que agora é o confessionário e que o que dizemos ali dentro que não repetimos lá fora, porque é verdade. É mesmo. É uma ligação bonita a que temos. Esta semana disse que sentia saudades e é verdade, sinto. Há muita coisa a acontecer que gostava de partilhar, faz parte da maior parte dos projetos que quero ver nascidos, palpáveis. Bonitos. Quando crescer... E sinto que estou a crescer.