É estranho, quando estou muitos dias longe, sinto essa ausência e uma vontade imensa de nos sentarmos simplesmente e deixarmos a conversa fluir. Sinto mesmo essa necessidade e penso nisso muito mais vezes do que aquilo que admito. Podem já ter passado vários dias desde a última vez que nos sentamos frente a frente mas custou-me muito deixar a nossa conversa assentar. Ouvir tudo o que ouvi, sobre o quanto se via que o meu avô estava orgulhoso de mim e me amava, foi demasiado difícil. Contar-lhe - e muito por alto - tudo o que tem sido a minha vida nos últimos meses e a forma como tento desesperadamente agarrar-me a alguma coisa como se fosse uma porcaria de uma tábua de salvação mas não estou a sentir nada... Transmite-me uma tranquilidade e uma energia incríveis e sempre senti isso mas, desta vez, senti mais. Saber que o primeiro comentário que fez mal me viu foi na direção do assunto da morte do meu avô mostra uma preocupação para comigo que eu já sabia que tinha mas nem sei como não desatei a chorar naquele momento. Perguntar-me para quê? e não porquê?, disse-me para fazer esse exercício... Disse-me que compreendia o traumatizante e o doloroso que os últimos meses tinham sido e que eu poderia utilizar o trabalho para sair de casa, que poderia escudar-me com a frase de que me tinha mandado fazer muita coisa... Mas eu não consigo, assim que nos despedimos, a energia que me transmite quase que se evapora... Depois, no dia a seguir, volta. Mas depois vai embora novamente. Não estou dependente desta presença mas, às vezes, sinto-lhe falta. Quando crescer, quero ser como ela..., disse eu estas férias falando sobre tudo o que faz e é verdade. Quero muito.