A semana passada percebemos, as duas, que estou mais atenta e mais exigente perante o que preciso. E esta semana disse-me que estava a viver uma relação à distância que me serviu até certo ponto mas que, agora, chegando onde estou, já parece não servir. E a verdade é essa. Parece que já não estou a conseguir lidar com as contingências de uma relação à distância que se desenha nos parâmetros da minha. Porque a realidade que me está sempre a fazer ver é a de que eu fui escolher uma pessoa com uma vida pouco facilitada e com problemas realmente difíceis de resolver. Mas a verdade - e respondi-lhe isto claramente a semana passada - é que eu, quando fiz essa escolha, não sabia de nada, não sabia da história de vida e não preciso de sentir que está a desculpar todas as atitudes que ela tem só porque a história de vida é complicada, porque todos temos histórias de vida e todos temos os nossos problemas. E hoje ter-me atirado para cima que parte da minha zanga e da minha solidão em relação às atitudes da Joana não é na verdade para ela mas para si... Não faz o mínimo sentido na minha cabeça e eu não me ia zangar com ela porque não a tenho para me zangar. Eu zango-me com ela porque ela não está quando eu preciso - e muito! - que ela esteja. Eu zango-me com ela e eu torno-me impaciente a vários níveis. Neste momento eu já sei que toda e qualquer coisa que ela diga, o meu argumento vai bater certo com todas as outras frases que referi em várias alturas diferentes. E, ainda assim, ouço que estou a tentar sabotar esta relação e a tentar sabotar as atitudes boas que tem... E com essas coisas eu não consigo compactuar. Porque são o mais longe da realidade - eu só queria que ela ficasse do meu lado, se preocupasse comigo como eu preciso e não me deixasse sozinha e se esquecesse de tudo o que tem acontecido quando tem pessoas à volta ou quando um assunto se prioriza a outros. E está tudo mais difícil do que estava quando eu aí entrei esta manhã porque, neste momento, estamos mesmo sem falar (até quinta, porque eu não consigo aguentar saber que vais ficar sozinha quinta feira, mesmo que tenhas dito que eu mereço saber o que aconteceu, eu quero estar para ti, como sempre estive...) e penso que a ideia é pensarmos calmamente no que isto se estava a tornar e pararmos de nos magoar uma à outra de vez. Só sei que tudo isto era a última coisa que eu precisava que me acontecesse a esta altura.