segunda-feira, 21 de maio de 2018

Um mês de perguntas sem resposta. Um mês de desespero. Um mês de noites mal dormidas. Um mês de incertezas. Um mês de dúvidas. Um mês de desamparo. Um mês de solidão. Um mês de um apoio brutal da família. Um mês de proteção. Um mês de viagens. Um mês sem saber onde durmo na noite a seguir. Um mês de incompreensão. Um mês de sofrimento. Um mês de mágoa. Um mês de confidências e conversas sérias. Um mês de revolta. Um mês de saudade. Um mês de raiva. Um mês de dor. Um mês de um aperto no peito tão forte que parece que vou desmaiar. Um mês de uma vontade de desaparecer e nunca mais voltar. Um mês de uma preocupação constante. Um mês de uma intimidade nunca antes sentida. Um mês de lágrimas. Um mês de burocracias. Um mês de corridas. Um mês de falta de concentração. Um mês de tudo ser secundário. Um mês de uma vida suspensa. Um mês de nada parecer real. Um mês de pesadelo. Um mês em que te procuro em todos os cantos da casa. Um mês de pânico avassalador. Um mês de consultas violentas e gritos, lágrimas, revoltas. Um mês de tentativas de manter uma rotina mais ou menos normal no único dia da semana a que me permito isso. Um mês de não aceitação. Um mês uma dor profunda. Um mês sem ti, avô. Foi o mês mais longo de toda a minha existência. 

[Hoje bateu-me... Eu perdi o fio precisamente no dia 19. Tal como o último dia em que te falei e que deixei de te falar porque estava a escrever o artigo... E não sei se isso arde mais ou se me apetece mesmo desaparecer.]