Vou sempre recordar-me dos restos de base nos meus dedos, de ter lavado as mãos insistentemente... de me estar sempre a perguntar porquê, e como, é que os meus dedos estavam tão sujos... e só depois ter realizado o quando e o como e a dor que isso fez instalar no meu peito. E, a partir daí, não consegui fazer mais nada de útil no estágio e comecei a arrumar as tralhas para regressar a casa. Custa-me sempre entrar, principalmente porque não quero ver ninguém e pelo peso de disfarçar a dor que trago comigo... E eu lamento tanto ter que colocar a máscara. Mas ainda é preciso... Pode chegar uma altura em que deixará de ser mas ainda é... Almocei e deitei-me na cama, não conseguia sentir nada sem ser dor. Durante meia hora pensei que não me levantaria mais. Mas reuni todas as forças do meu ser e saí de casa. No entanto, agora, só me quero ir deitar, dói-me a cabeça, dói-me o corpo, dói-me existir. Há dias em que me dói existir. Custa-me demasiado carregar tudo isto sozinha mas há coisas que tenho que aprender a carregar sozinha. Estou a aprender. Estou.