Explodir frases soltas começou por ser uma forma de lidar, uma forma de não ficar cá dentro a remoer e fazer com que doesse menos. Agora há tanta coisa que quero explodir e simplesmente não sai. Há tanta coisa que dava tudo para colocar no papel mas não assoma ao cérebro e só faz doer muito no peito. Há tanta coisa que eu dava tudo para não bloquear, que só queria vomitar aqui. Começo pelo final que foi também o início. Dou voltas no meio e acabo cansada só com este conjunto de frases e a querer t-a-n-t-o vomitar mais para aqui... mas não saí.
«Começar a semana com uma prenda assim é mesmo bom. Veio aqui dar-me uma prenda. É, vim? Ainda bem! Sim, porque batalhamos tanto também aqui dentro. E eu não sei porque é que não estou aqui aos saltos, eu deveria estar aos saltos. Eu não sei porque é que não consigo sentir que estou feliz e que acabou. Eu ainda não senti que acabou. Porque está assustada. Porque estou assustada. Eu tenho medo do desconhecido, eu tenho medo do que aí vem. Vá lá, Rosa, não me venha com tretas, claro que está a sentir qualquer coisa. Eu sei que vou ter que dar a mão à minha mãe, porque o meu pai não entende nem nunca vai entender que ela faz tudo o que pode e o que não pode. É uma coisa que temos falado muito aqui e que falamos muito em relação à tese "o bom é inimigo do óptimo". Eu só vejo problemas, nunca vejo soluções. Eu não sei resolver isto. Eu sei que custa ver tudo o que está a acontecer dentro de casa, e quer sair mas depois também sabe que se sair eles vão ficar sem o pilar que é. Porque parecendo que não, é um pilar.»