Estava com uma sensação de medo puro dentro de mim na quarta durante a madrugada. Senti, principalmente, na segunda feira, que podia não ter a nota que merecia - e apesar de nunca ter avançado completamente com números, eu sabia que 17 me calava e que 16 e abaixo era derrota. Ao ver uma defesa de tese que, para mim, merecia um 16, acabar com um 15, levei com um balde de água fria em cima.
Na terça feira, quando nos reunimos pela última vez, para que eu falasse sobre a minha apresentação e fizesse esse exercício ao seu lado, senti que me estava, mais uma vez, a acalmar, por um lado, e a fazer-me ver a realidade bruscamente, por outro. Acalmo-me sempre que a vejo. Acalmou-me, levemente apenas, quando me disse que estava tudo pronto. Entrei em pânico quando me disse que não podia mexer mais e que não deveria olhar mais para nada. Eu, que percebi durante a escrita desta tese, que quando me enervo (muitooooo) consigo ser a pessoa mais obsessiva e perfeccionista... Tantas vezes, enquanto escrevia, ouvia a voz da minha psicóloga na minha cabeça - porque já me tinha dito montes de vezes a viva voz - a dizer-me que tinha que parar, que já estava bom e que não podia mexer mais se não, não iria sair do mesmo sítio... que tinha que parar de ser obsessiva com esta dissertação, que não ia ter nada em absoluto controlo, que teria que refazer muita coisa no final. Que tinha que aceitar que não era perfeita. À tarde, quando me disse que agora só me deveria preocupar em descansar e em dormir bem, porque ia tudo correr bem, assustou-me. Primeiro: assusta-me sempre quando me conhece, dormir bem não é o meu forte. Segundo: a minha veia obsessiva pensou que não estava tudo bem, que teria que olhar e ver mais uma vez, dali a umas horas. E depois, a forma como me faz ver a realidade mesmo antes de nos separarmos, só fez com que me enervasse mais... o começar a frase com "e quanto à nota" assustou-me. Parecia que me estava a dizer, muito claramente, que tinha que reduzir as minhas expetativas - cortei-lhe rapidamente o raciocínio porque tive que lhe explicar que o discurso mau que tinha proferido na semana anterior tinha resultado. Picar-me tão duramente como fez, resultou. Parei de pensar no que poderia ter. Comecei, ainda mais, a focar-me no que podia controlar. Trabalho contínuo mental todas as semanas na terapia e todas as vezes que nos vimos para que eu me focasse apenas no que estava ao meu alcance. Tudo o que é do meu controlo, estava controlado. Era só isso que eu podia controlar. O que os outros fazem não estava ao meu alcance. E eu tentei - muito - durante a madrugada de quarta em que apenas dormi duas horas seguidas pensar que o que era meu, estava preparado. Eu nem sei se tinha pensamentos com nexo nas horas em que dava voltas na cama, era só uma sensação de pânico incontrolável.
Na quarta de manhã, se não fossem os comprimidos, eu garanto que tinha vomitado tudo o que conseguia e não conseguia. Ou a determinada altura, saído do carro e começado a correr porque já não aguentava estar ali dentro. Ter chegado à faculdade e ter visto as duas pessoas que disseram que iam estar lá mais cedo, ajudou a acalmar. O que ajudou, também, a que os níveis de nervosismo diminuíssem foi o abraço mal me viu. Ter os meus lá, - faltavam algumas pessoas importantes, e senti isso -, (mais ou menos) a horas, ajudou a que tudo aparentasse estar tranquilo em mim. Lembrei-me do pedido da Ana, aparentar força. Lembrei-me do "vai ter a sua claque ali a apoiar", que me disse na segunda de manhã. Lembrei-me da falta que me fazia não ver ali algumas caras. Os sinais que me fez a pedir-me para me acalmar fez-me perceber que podia começar a falar. E a partir daí, já não estava nas minhas mãos.
Na quarta de manhã, se não fossem os comprimidos, eu garanto que tinha vomitado tudo o que conseguia e não conseguia. Ou a determinada altura, saído do carro e começado a correr porque já não aguentava estar ali dentro. Ter chegado à faculdade e ter visto as duas pessoas que disseram que iam estar lá mais cedo, ajudou a acalmar. O que ajudou, também, a que os níveis de nervosismo diminuíssem foi o abraço mal me viu. Ter os meus lá, - faltavam algumas pessoas importantes, e senti isso -, (mais ou menos) a horas, ajudou a que tudo aparentasse estar tranquilo em mim. Lembrei-me do pedido da Ana, aparentar força. Lembrei-me do "vai ter a sua claque ali a apoiar", que me disse na segunda de manhã. Lembrei-me da falta que me fazia não ver ali algumas caras. Os sinais que me fez a pedir-me para me acalmar fez-me perceber que podia começar a falar. E a partir daí, já não estava nas minhas mãos.