Há uma hora escrevi "à noite quando for dormir a minha luta é outra." e fui imediatamente esmagada pelo peso das palavras que escrevi - não estava à espera que doesse tanto porque era apenas uma resposta a uma mensagem que não tinha importância. Ou tinha, porque tem.
Hoje de manhã disse que não sabia qual tinha sido a minha última boa noite de sono, e é verdade. Não sei. Não me lembro da última noite em que me deitei para dormir e tive uma noite tranquila, sem nenhum problema. Sem medo de me deitar. Sem medo de ficar no escuro. Sem medo de andar às voltas na cama com as lágrimas a cair. Com o peito a arder. Com a sensação de dormência nas pernas. A sentir que vou deixar de respirar a qualquer momento. A respiração funda e ritmada como companhia, as lágrimas quentes na cara, a esfriar a almofada, as mãos a apertar o peito, o cérebro a gritar que não tenho motivos nenhuns para estar assim e tenho que me acalmar. Tudo e mais alguma coisa a vir-me ao pensamento. Todas as noites penso que me deveria levantar, que deveria de ir tomar alguma medicação para me acalmar. Não posso continuar assim, tenho que conseguir dormir mais rápido. A verdade é que tudo isto demora duas ou três horas no máximo. É quase nada. Costumo dormir cinco, seis, sete horas, por noite. Não é uma insónia total. Não é uma noite em branco. Pode só causar pesadelos. Sonos leves em que parece que não durmo nada. Sonos trocados, dores na cabeça, no peito, cansaço extremo.
Portanto, à noite, quando for dormir, a minha luta será esta. Tal como tem sido em tantas outras noites antes desta... já lhes perdi a conta.