Preciso muito de me lembrar, com detalhes, de tudo o que aconteceu ontem e da forma leve como me voltei a ligar. Preciso de me recordar de tudo e ainda não consegui. Não percebo se estou em negação com o facto de ter voltado ou se há tanta preocupação por outros assuntos dentro de mim - e tristeza, ansiedade e dúvidas - que não me permito recordar; precisamente por ter falado neles. E ter voltado de manhã, com uma certa linha de raciocínio e à noite existirem mudanças no que disse... vai permitir-me reflectir sobre elas na próxima semana. Porquê, principalmente, sobre o porquê.
A única coisa que me recordo concretamente de ontem foi de ter percebido uma das minhas primeiras vitórias na "psicoterapia". Eu estava a falar sobre estas duas semanas, o que tinha sentido, o que tinha acontecido de mais stressante. Referi a despreocupação que senti durante a primeira semana. Aquele sentimento do "já estou boa, não preciso mais disto!" e aquela sensação de não querer voltar. E depois referi o final da segunda semana. O que mais doeu, o que magoou o profundo e o que achei que nem ia referir em voz alta. E, sobretudo, expliquei que o que me doeu foi muito mais o que senti do que qualquer coisa que me tivessem dito. E aí percebi que teria que voltar, que não conseguia sozinha ainda...
E não me vou esquecer do entusiasmo com que recebeu essa notícia. A minha primeira vitória ao longo deste tempo todo em que me enfrento. Em que está lá, a ouvir-me. A falar comigo. A mostrar-me que estou acompanhada na minha luta. E que me conhece, que sabe que quando digo que não quero voltar é mais o medo de estar dependente de si do que não querer, de todo, voltar. Mas voltando ao entusiasmo... Ter dito que era uma coisa tão mas tão boa eu estar a dizer que me tinha ouvido a mim própria e às minhas necessidades. Ter dito que eu ganhei capacidade de me ouvir, eu. De me analisar. Eu. De perceber(-me) por mim. Não ser o que os outros me dizem.
Seja lá quanto tempo faltar para esta separação eu não me vou esquecer que me ajudou a construir uma versão mais forte de mim mesma. Obrigado, nunca o disse, em voz alta, não sei se o vou dizer, mas digo com o olhar. Isso sei que digo.