Pedidos de apadrinhamento serem ao início do ano, durante a semana de praxe, é a coisa mais estúpida em termos de "regras" que podiam ter inventado. Deviam ser ao final, quando as pessoas já se conhecem, antes do Enterro, para o batismo da capa, do vestir o traje. Quarta feira foram os nossos. Embora eu tenha visto outros cursos a ter pedidos mais tarde. Provavelmente não fizeram todos os batismos ao mesmo tempo. O que importa é que sempre me doeu o coração por não ter afilhados. E principalmente este ano. Que dei tudo o que tinha e não tinha. Que estou a receber elogios por todos os lados pela forma como me modifiquei. Quando começo a ver toda a gente a ter pedidos de apadrinhamento e eu de parte... Olhei para o vazio e tentei acalmar-me. Até que, minutos mais tarde, me sento num banco e as minhas companheiras sentadas começam a falar no assunto do dia. Aguentei até sentir que ia explodir. E virei as costas simplesmente. Com o João não consegui mais do que soltar umas lágrimas e dizer que não queria falar, ele veio atrás de mim, estava por perto e percebeu que eu estava perturbada. Durante o tempo em que estive com ele não atendia o telemóvel, tinha chamadas perdidas de pessoas preocupadas, mensagens aos montes. Quando me acalmo e volto para lá, para perto dos caloiros e da comissão, a Ana chama-me. E foi a viragem. Na semana. Por completo. Caí mas levantei-me, com a ajuda dela. Com a ajuda de uma das pessoas que menos esperava. Com a ajuda de uma das pessoas em quem sempre tive medo de confiar. Foi por ter batido tão no fundo que explodi muita coisa que me estava a pesar. Porque com os pedidos vieram todos os outros assuntos ao mesmo tempo, puxando uma pequena linha por um, vieram todos os outros e o peso em mim era cada vez maior. Chorei, aguentei o choro, falei, embarguei a voz. Sempre a medo. Mas explodi tudo o que tinha guardado dentro de mim. Foi ela que me fez prometer falar-lhe quando não estivesse a aguentar qualquer coisa. Promessa de mindinho mesmo. E aguentei os batismos, as fotos dos outros, tudo. Porque não era só eu de parte, percebi que éramos cinco ou seis ao todo. O pior de tudo foi o batismo ser de um lado do lago e do outro lado estar a comissão de GRH, sem ela, mais uma vez. O facto de não a ver durante os dias desta semana em que a podia ter visto e podia ter-me mostrado mais estava a fazer-me ir abaixo de uma maneira incrível. Foi um dos pontos que me fez sentir tão no fundo nesse dia. Não estava a dar para cumprir o que queria, o que tinha pensado na minha cabeça.
No entanto e apesar de tudo, quarta foi um bom dia. Quarta foi um muito bom dia. Senti a minha força. Senti que o meu trabalho estava a ser visto e senti, sobretudo, que aquilo que me foi dito naquela reunião antes do verão, não correspondia à verdade, pela primeira vez.