Na quarta à noite, a Ana proibiu-me de subir a avenida para ir buscar os materiais por saber que nesta semana sofro sempre muito dos pés. Mas eu, teimosa como um raio, e com os pés absolutamente frescos de manhã, decidi que ia fazer o contrário do que ela tinha dito. E subi a avenida. E foi o melhor que podia ter feito. Quando estamos a descer, de sacos na mão, estão alguns representantes de curso a descer para se reunirem no café. Entre eles, tu, de cabelo molhado e sem estar apanhado. Olhaste na minha direção. Podia ser para a Ana. Podia. Mas já a tinhas visto. Portanto também podia ser para mim. E vamos achar que era. Porque ficas completamente diferente sem ter o cabelo apanhado. E senti-me realmente feliz, realmente com energia para aproveitar o resto do dia. E a Ana olhou para mim e disse "se calhar não devíamos ter vindo por aqui mas ainda bem que viemos", e eu também acho. Ainda bem que decidimos que era melhor ir pelo meio da estrada. Porque assim vi-te, coisa que me andava a fazer espécie durante o resto da semana que não te vi. E assim vi-te durante mais vezes nesse dia. Numa das vezes passaste tão perto de mim que até me esqueci de como é que se respirava. Inspira, expira. Tive sorte de ser a Ana à minha frente porque lhe agarrei o casaco com uma força dos diabos.