domingo, 26 de agosto de 2018

Estou há dez dias à espera que te surja alguma coisa para me dizer e há dez dias que compreendo que não valho assim tanto para ti porque não vens. Há dez dias que a minha cabeça se revolta de um lado para o outro entre certezas de que fiz o que deveria por mim própria e dúvidas de que deveria ter-nos dado mais algum tempo. E não compreendo porque é que não vens. Não compreendo porque é que não mereço que lutes por mim. Não compreendo mesmo. Gostava tanto de saber o que te vai na cabeça e de saber porquê, de saber, afinal, o que valho para ti. Dizes que não posso saber que importância tenho em ti mas as tuas atitudes vazias mostram-me perfeitamente que posso.

Quanto tempo é que demoras? Não coloquei esta música para mais nada sem ser para ter a certeza de que não vinhas e não fiz isso sem ser para provar um ponto a mim própria; o esperar que venhas não faz com que ganhes vontade de vir - porque na verdade não tens vontade. Se tivesses tinhas vindo no dia em que sabias que tinha uma consulta e quererias saber o que me tinha acontecido. Se tivesses essa vontade tinhas falado comigo no dia em que fazia mais um mês da morte do meu avô, nem que fosse para que eu soubesse que estavas ali. 

Há dias em que não espero que venhas, só só queria que viesses. E nesses dias apetece-me arrancar-te de mim porque não correspondes, em nada, ao que eu preciso de ti. A verdade é que os erros que cometes deveriam ser colmatados só e só por atitudes tuas. E não são - nunca foram. As tuas atitudes foram iguais, sempre. Mesmo quando eu fiz o último esforço por um nós muito deteriorado. Nunca fui valorizada como deveria. Palavras vazias e poucas atitudes concretas e consistentes mataram lentamente todo o meu progresso. Dei-nos um último mês muito em paz, e tenho tanto orgulho em mim por esse esforço. Só pensei que fosses seguir-me... E, mesmo quando te disse que não conseguia mais, pensei que fosses pegar e dizer-me que agora remavas tu um bocadinho porque eu merecia isso. Porque a nossa relação merecia mais de ti, mais do que estavas a dar. Não tive nada disso e essa é uma dor que transporto comigo todos os dias por muito que não fale nisso. Aprendi que falar não muda nada e não apaga o aperto no peito com que vivo. Porque não valho para ti aquilo que tu vales para mim. Só que não faz mal; valho para mim própria o suficiente para me afastar sempre que me retiras mais um pouco de oxigénio - resta saber se estes dias são apenas para ganhar forças novamente ou se vou levar a minha avante. Se vou realmente deixar-te ir porque tu não sabes cuidar de ninguém. Nem de ti própria.

Eu não consigo compreender o cansaço que dizes sentir, não consigo compreender os ciúmes estúpidos que te atropelaram, não consigo compreender porque é que não dás importância ao que eu digo e não consigo compreender como é que não consegues pedir desculpa pelas más atitudes que tomas. E é disso que tenho que me recordar sempre que as dúvidas me atropelam. Tem que haver uma forma de te arrancar de mim, só tenho que dar tempo ao tempo para me fazer compreender o que realmente quero, de vez.