Estava, verdadeiramente, a precisar que alguém me chamasse à atenção sem paninhos quentes em relação às minhas atitudes. Eu sabia, em relação a mim própria, que estava a falhar em muitos momentos e em muitas reações porque também tenho capacidade de auto-análise. Sei que estou mais crítica, sei que ajudaria se fosse menos crítica, sei que expludo à primeira falha, e ajudaria que não o fizesse, sei que ataco mal me sinto atacada, e que rapidamente se torna uma bola de neve de discussões que trazem outras atrás. Eu sabia tudo isto mas estava a ser-me difícil mudar-me até porque também consigo analisar toda a situação e saber que não mereço muitas das atitudes que ela tem para comigo. E, por isto, estava a precisar de uma conversa franca e séria. E teria que ser com alguém como tu, em quem eu confio de olhos absolutamente fechados. E que me conhece bem, que não tem medo de me dizer o que acha e que não vai fugir só porque eu estou a dizer o que sinto mesmo que não saiba muitas coisas porque já nem as consigo entender.
Ser a Rosa que a Joana precisa. Ser a melhor versão possível de mim própria. Fazer a minha parte para que esta relação melhore.
Sei - nas últimas vinte e quatro horas já percebi isso, porque já aconteceu várias vezes - que me vai custar mesmo muito os vários momentos em que sinto que ela está a falhar e eu simplesmente não reagir a eles. Manter sempre na minha cabeça que tenho que ser a Rosa que ela precisa de ter ao lado e que não vai ajudar criar mais um conflito e uma nova discussão só consegue trazer ainda mais mau estar. Custa muito e não sei se vou conseguir manter a atitude tranquila que tenho sentido que tenho desde ontem à tarde, e que ainda não sei se foi percebida como tal - e gostava que já tivesses percebido que a minha atitude modificou, mas talvez seja preciso mais tempo até que digas alguma coisa. Mas sei que vale a pena tentar. A verdade é que já reagi muitas vezes antes e que essa reação não leva a lugar nenhum, porque nunca compreendeste o meu lado verdadeiramente, ou porque interpretaste mal, ou porque voltaste a cair no mesmo erro... e essa bola de neve apenas trouxe mais discussões e mais agressões mentais. A violência das palavras também corrói por dentro e lembro-me do que me disseste de esta relação ser quase como se existisse uma mutilação física, as trocas de agressões verbais constantes entre mim e ela estavam a fazer-nos mesmo mal. E eu sei que é verdade. E, por muito que, muitas vezes, me afaste e acabe por não responder quando me sinto atacada ou deixada para trás, sei que há vezes que não sou mais forte e que respondo e contribuo para piorar o ambiente tóxico onde vivemos. Por isso ontem abri os olhos e parei - sinto-me diferente. Tenho medo de não conseguir levar esta atitude muito tempo dentro de mim mas estou a esforçar-me para fazer a minha parte e para ser a Rosa que ela precisa de ter ao lado. Porque se isso acontecer mais facilmente ela será a Joana que eu preciso de ter ao meu lado. Assim o espero.