O clima do silêncio é também o clima do medo, não é?
Quando lhe disse hoje de manhã que, por vezes, também me irritava é por causa deste género de perguntas. E quando me perguntou como é que eu esboçava essa irritação... não esboço, só me rio sozinha porque me irrita que tenha tanta razão, que me conheça desta forma. A forma como me remexe por dentro... Porque todos os dias me saltam fragmentos do que partilhamos todas as semanas e, às vezes, são estupidamente dolorosos. Toca na ferida com uma facilidade absurda e deixa-me completamente sem chão. No sítio mais seguro de sempre, sim, mas sem chão. Saio para a rua e fico sozinha, completamente sozinha. Porque só nós as duas sabemos. Porque há coisas que não se conseguem explicar. Porque me faz tremer, prender as lágrimas nos olhos, tremer mais, chorar. Mas está ali, com um sorriso franco e uma voz límpida e tranquila e é, na verdade, tudo o que eu preciso. A terapia está a dar cabo de mim, juro que está. Saio cada vez mais cansada, esgotada, sufocada. E sim, tem razão, às vezes era melhor gritar que merda é esta? mas não é por ser melhor que eu o farei. Estou cansada, parece que acabei de correr a maratona. Como é que eu saio disto? Todo o meu corpo me dói.