Preciso que o aperto desapareça, preciso de parar de o sentir. Preciso de sentir que consigo controlar alguma coisa - e acho que me está a custar mais agora saber que não sei quando será o fim, apesar de saber que ainda não estou pronta para que o seja. Saber que vamos ver-nos, algures, depois da pausa do natal, ajuda a manter o aperto controlado. E a forma como me diz sempre que sabe que ajudou termos mudado a data, como se fosse menos um motivo de ansiedade extrema para mim. Mas será que é isto que é a ansiedade? Sinto que não sei definir todas as sensações de que sou feita, sinto que não me sei ainda, como deveria. E preciso de sentir que vou sair com muito mais capacidades do que aquelas que tinha quando entrei...
Sempre o tempo, sempre o tempo. Estou sempre a chegar atrasada às coisas. Estou sempre nelas como se não fosse o tempo certo para mim. Sempre as bombas do verbalizar que está tudo bem e depois perceber que vivo numa paz aparente e tensa e que sou eu a desejar que essa paz exista - e daí a verbalizar - sem ela realmente existir. Não fui só eu a defender-me dos ataques exteriores da última semana. Senti melhorias na minha defesa própria. Senti que não calava e metia no fundo de mim a arder. Senti que as palavras que eu quis dizer saíram da minha boca. E isso foram pequeninas vitórias. Senti, algumas vezes, que não estava sozinha na forma como me defendia. Mas, mesmo assim, continuo a sentir que não vêem a mudança em mim - que eu vejo e que precisava que vissem. Continuo a sentir que não vêem a minha luta - e depois quando sinto que vêem, acabo por querer que seja invisível. Só gostava que não fosse ela a comentar alguma coisa tão forte como o que disse porque sinto que o que ela sabe pode, algures, ser utilizado contra mim e é a última coisa que eu preciso. Afinal quem é que fecha a porta? Eu acho que somos as duas. Sim, é certo, mas há alturas em que não. E eu sei que é muito doloroso perceber que é ela que lhe fecha a porta, é muito doloroso perceber isso. E o que é que lhe queria ter respondido? Eu não estive a chorar mas e se estivesse estado e se não te tivesse dito? Porque é que achas que não te disse? Sempre que te digo dizes que são fitas e que quero estar mal de propósito. Respondeu aqui dentro, não fui eu que trouxe, foi a Rosa, não fui eu que disse, não fui eu que lhe pus as palavras. Mas eu não posso fazer a minha vida a responder às coisas aqui dentro. Eu tenho que responder lá fora. Eu não posso esperar para chegar aqui dentro e dizer o que quero dizer. Eu sei, mas aqui tem liberdade e segurança para fazer isso quando lá fora não o sente...