Nos últimos dias há coisas que não saem da minha cabeça, que estão em mim desde o início da nossa história. Sempre as guardei comigo e tu sabes as minhas reticências em avançar. Não foi a primeira vez que deixei escapar tantas exclamações. Normalmente saem de mim quando estou mais em baixo, voltam à superfície e vêem a luz do dia e, sobretudo, fazem com que se torne muito difícil ver que sou a pessoa certa para estar contigo. E doem-me, doem-me muito. Fazem-me não acreditar num futuro brilhante. Fazem-me sentir que não temos muito mais para onde ir. Custa-me sentir-me assim tão alheada de tudo o que pensamos construir para nós porque só vejo o mal que faço e as dores que te causo. Dói-me de todas as vezes que te digo que não porque os monstros ganham sempre. Dói-me fechar-me e ser cada vez mais difícil abrir-me e mostrar-te que sofro com tudo isto. Dói-me não te fazer feliz como mereces.
Falarmos sobre isto uma tarde não ajuda em nada. Ignorares nos dias a seguir que tivemos essa conversa e que eu não estou bem, muito menos. Ignorares, tal como ignoras sempre que tenho algum problema e que preciso de sentir que te lembras do que falamos... Não sei o que mais fazer para que compreendas que os próximos tempos vão ser muito mais difíceis do que tu alguma vez equacionaste. Eu sou a pessoa mais difícil para estares. Se já me considerava antes, ao início, se tantas vezes te disse que era, a partir de agora sinto que serei mais e mais e mais. E depois... Não sei o que fazer mais para te explicar que as tuas atitudes não combinam com o que depois dizes. Não sei o que fazer mais. Por muito que diga que não falarei mais no quanto me custam as tuas atitudes, por muito que diga que o silêncio fará parte de mim, acabo por nunca conseguir ignorar o que tu tão facilmente ignoras. Torna-se mais fácil, com muita força de vontade, afastar-me de [ti] tudo quando me sinto atacada internamente... mas continuo a ficar muitas vezes, continuo a explodir vezes demais. Depois de dizer que apenas o silêncio ficaria arranjo mais e mais palavras. E mesmo que diga, agora, que regressei ao silêncio e que será o melhor caminho a seguir... Escrevi. E isso não é estar calada. Não é silenciar as minhas dores. Só, estou só. Estou sozinha. Estou completamente sozinha. Nas minhas dores e nas dores que te causo. Não sei o que fazer mais.