Os problemas empilham-se como caixas na minha cabeça e têm morada fixa no meu cérebro. Quando penso que abro uma das caixas, que vasculho bem e que encontrei a solução para me livrar dela... Olho em volta e ainda tenho outras mil caixas a precisar da minha atenção. Nascem mais fontes de problemas do que eu gostaria porque não tenho capacidade de os resolver. Era tão mais fácil simplesmente não viver assim... Deve ser por isso que ouço, vezes a mais do que gostaria, que não sou verdadeira. Porque escondo partes de mim. Ou melhor, porque não as mostro tão claramente como devia.
[«Eu sei que está farta de viver assim e que os segredos estão a consumi-la», a falta que me faz... A falta profunda que me faz.]
Tenho um aperto no peito que não sai. Só consigo pensar em tudo o que vai dar errado porque sei que há uma enorme probabilidade de dar tudo muito errado. Desta vez é completamente real. Estou completamente a entrar em pânico profundo e só me apetece fechar-me algures e assumir que deixei de existir. Não está a dar.