domingo, 9 de julho de 2017

Eu não sei se isto é bom ou não mas desde que nos aconteceu o que aconteceu que eu estou diferente. Eu estou mais comigo, mais para dentro. Não falo muito sobre mim. Se já antes, quando estavas, o fazia pouco, agora que foste embora, faço-o muito menos. Sou mesmo muito pontual no que digo, na forma que o digo e a quem o digo. E eu sei... durante os meses todos em que voltamos a ser quem éramos antes... eu dediquei-me fortemente a reconstruir os alicerces da nossa amizade. Acho que te ajudei a reconstruíres-te, depois do que te tinha acontecido... E senti, com todo o meu coração, que poderia depositar todos os meus medos, inseguranças e dúvidas no que trocávamos porque seria impossível de desfazer este laço. E estava tão habituada a fazer tudo isto contigo que achava, sobretudo, que nada iria correr mal. Fizeste-me sentir segura. Nunca compreendi que pudesse correr mal, apesar de todas as vezes que não compreendia completamente quem eras ou as tuas atitudes. Achei que com tempo que te iria saber de cor. Que estava a chegar lá. E quando tudo desabou e percebi que não estava tudo bem entre nós - sobretudo que tu não estavas bem comigo e que nunca me tinhas dito nada até aquela conversa - alguma coisa mudou em mim. Foste tu que provocaste essa mudança com as tuas palavras que me acertaram que nem balas. E é por isso que me dói tanto, muitas vezes, muita coisa. Porque me relembro do que senti quando percebi o que me tinhas dito. Porque me lembro de ter tentado que voltasses, de ter assumido uma culpa de uma coisa que tu sentias, apesar de não a compreender totalmente, e não ter a resposta que pensava que teria. Porque sei que fui ter com a única pessoa que me podia ajudar e que estava à espera que o fizesse à séria, e não fez. Acho que deu o que podia dar, perante as circunstâncias, mas dói-me que não tenha continuado... E eu queria falar-lhe; dar-lhe os parabéns por ter terminado uma coisa que sei o que custa fazer, dizer-lhe que o futuro será brilhante... mas fiquei sem coragem. Senti-me totalmente sem coragem depois de perceber que fiquei sem resposta. Ficar sem resposta... também é uma resposta. Ficar sem uma resposta da parte dela também é uma resposta; é uma resposta porque me faz perceber que algures tu falaste sobre mim na altura. Pediste que ela não falasse comigo, não sei... Não sei o que me passa pela cabeça, na verdade. Só sei que esperava que eu te fizesse mais falta. E não faço. Não faço como tu me fazes a mim. E eu juro que tento que não me faças falta. Faz dez dias da última vez que tentei contactar-te. Faz dez dias que te disse que me fazias falta - e são dez dias de silêncio da tua parte - e que tento recuperar a minha sanidade mental quanto a tudo isto. Que tento que não faças falta, na realidade. E que espero que não me respondas, que nem vejas o que eu disse - como continuas a fazer. Talvez seja melhor continuarmos este silêncio que tanto me dói.

Acho que era isto que te queria dizer e como sei que ainda tenho uma réstia de amor próprio consegui escrever tudo aqui em vez de te enviar. Não me posso humilhar continuando atrás de ti quando tu, claramente, não queres saber de mim.