terça-feira, 14 de março de 2017

Vai sempre existir em mim uma tensão acumulada durante vários dias quando entro lá dentro. E só depois de dez minutos é que a tensão começa a desvanecer do meu corpo. Eu chego, sento-me, senta-se à minha frente. Olha para mim enquanto me ajeito na cadeira, enquanto prendo o cabelo, enquanto olho para a janela ao fundo, enquanto suspiro, mil vezes, até sentir a cadência do meu corpo a acalmar brevemente. E enquanto isso sorri-me. Sorri-me sempre enquanto espera. E sim, é muito difícil começar e é ridículo passarmos por isto todas as semanas. Conhece-me, é a pessoa que melhor me conhece. Respeita-me. Compreende-me. Não entendo porque é que temos que passar por isto, como se me fosse uma completa desconhecida e como se o que acontece ali o fosse... quando está quase a fazer um ano...

O melhor aconteceu cá fora, umas duas horas depois de ter saído de lá de dentro. Encaramos as duas uma com a outra num corredor desabitado de almas e a forma como me sorriu, como se houvesse um segredo bonito entre nós... O sorriso tão mas tão grande... deixou-me completamente de coração cheio. Obrigada. Mesmo.